Macarronada de Mussolini com Molho Vermelho Operário

Meu Irmão é Filho Único “Meu Irmão é Filho Único” tem sido apontando como um dos melhores filmes italianos dos últimos anos, justamente por seguir o mesmo estilo apresentado por “Rocco e seus Irmãos” (1960). Ambos tratam da instituição máxima na Itália, A Família, seus conflitos humanos, educacionais, políticos e ideológicos, tudo apresentado de uma forma tragicômica, como enfatiza Luiz Zanin em seu blog no Estadão: “Dúbios em suas opções políticas, às vezes tão cômicos como trágicos, esses irmãos criam empatia com o espectador com suas trajetórias de vida.” Afinal que irmãos, pais, filhos não brigam? Tudo temperado com gritos, gestos exagerados, belas “ragazzas” e macarronadas. Agora atenção ao pensar que você irá se deparar apenas com os estereótipos italianos, pois acima de tudo, o diretor Daniele Luchetti dá um teor universal ao que se apresenta no filme, ainda citando Zanin: “Bons diretores, como Luchetti mostra ser, sabem fazer a passagem do individual ao coletivo. E vice-versa.”.
Atente também para outras características peculiares que Eduardo Carli da Revista O Grito! apontou: “O filme tem várias qualidades dignas de nota: atuações autênticas, narrativa veloz e bem-editada, trilha sonora muito adequada e muitas sacadas inteligentes e hilárias (…). Além disso, tem a grande vantagem de não ser um filme simplista ou maniqueísta, que diaboliza os fascistas e louva os comunistas, ou vice-versa.”. Alias é este outro ponto fortemente abordado pela crítica, a das ideologias políticas em meio ao maio de 68. “Só por ter um herói fascista, a originalidade já é alcançada.” Elogia o Homem Nerd Edu Fernandes. Só pra esclarecimento: Fascismo (nacionalismo extremo) nunca se concretizou no Brasil. Comunismo é aquilo que o Lula lá aprendeu um dia nas greves de São Bernardo e “esqueceu” quando foi morar em Brasília.

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Muros Étnicos Enraizados

Lemon TreeNão basta enfatizar. É preciso explicitar. Não sendo suficiente em apontar que o filme Lemon Tree trata do conflito Palestina X Israel, é preciso destrinchar perante os leitores das críticas como esta guerra é travada no seu dia-a-dia. Isso todos sabemos, é só ligar a TV ou ler algum jornal. A questão que Celso Sabadin do CineClick aponta, é mais digna em revelar as reais intenções do diretor Eran Riklis (A Noiva Síria – 2004): “Lemon Tree é uma ode à convivência pacífica.” E é justamente isso que deve ser preservado ao apreciar esta obra. “Um dos pontos fortes do roteiro — desenvolvido por diretor Eran Riklis e pela ex-jornalista Suha Arraf a partir de histórias ¬reais — está em desviar-se do maniqueísmo.” Afirma Neusa Barbosa da Bravo!. E nesta história não há vencedores, todos de alguma forma perdem. Sejam parentes, território ou a dignidade. É obvia a conclusão que há mais de três mil anos não se apresentou nenhuma solução “mágica” para o problema, e um filme não será suficiente pra apresentar uma. A questão é auto-refletir o que este filme em outra região do planeta tem a ver aqui com o “Brasilzão”. Qual a diferença entre o ministro da defesa de Israel mandar cortar os limoeiros de Salma e a construção de um shopping de alto luxo “desapropriar” o barraco que serve de moradia para muitas famílias? Guerra Social no lugar de Guerra Étnica? E apenas uma provocação ao pensamento…

A Pressão por um Novo Fenômeno

Era Uma VezPreceder um primeiro filme de sucesso não será tarefa fácil para Breno Silveira. “Dois Filhos de Francisco” (2005) conseguiu arrematar um público superior a 5 milhões de espectadores no cinema, melhor marca após a retomada do cinema brasileiro. Se depender da crítica, Breno não será muito auxiliado. A maioria delas aponta a fraqueza na condução da história, como afirma Ronaldo Pelli do G1: “Apesar da boa vontade com o tema, Breno repete todos os clichês do gênero, o que deixa Era uma vez… totalmente previsível do meio para o fim.” Se para alguns o diretor parece perdido entre fazer uma história de amor ou uma crítica social, para outros ele acertou a mão. Entre os poucos que apóiam a obra do diretor, temos Luiz Carlos Merten do Estadão: “Era Uma Vez …começa espetacularmente, tem um desfecho anticlimático, mas depois o diretor acrescenta uma ”pós-filmagem” e o resultado fica mais forte, ainda.”
Se há contradições em elogiar ou não o diretor, sobram críticas positivas para outras frentes do filme, como é o caso da fotografia de Dudu Miranda e Paulo Souza. “Era Uma vez…tem uma bela fotografia nas cenas externas, o que felizmente já é uma tradição em nosso cinema.”, elogia Sergio Batisteli do Overmundo. No geral, o público brasileiro é uma entidade difícil de lidar. Há preconceito contra a produção nacional e uma valorização do cinema norte-americano, uma contradição típica de país colonizado culturalmente por uma potência economicamente superior. Se haverá sucesso de bilheteria para “Era uma Vez…” ou não, não é o que está em jogo. O que se deve levar em conta é se mais uma vez o brasileiro terá humildade em olhar para si, para a própria e cruel realidade que bate em nossa porta não só na televisão, mas na grande tela também.

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A delicadeza e introspecção de Julian Schnabel

O Escafandro e a BorboletaA unanimidade em elogiar o diretor Julian Schnabel por esse trabalho é explícita.
“O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel, é uma obra-prima.” afirma categoricamente Reynaldo Domingos Ferreira do Blog Café na Política. Não é por menos, já que o nova-iorquino carrega os prêmios de melhor diretor em Cannes e no Globo de Ouro por esta obra.  Ele já havia sido largamente elogiado pelo filme “Antes do Anoitecer” (2000), cinebiografia do escritor cubano Reynaldo Arenas, que foi perseguido em seu país natal e viveu anos exilado nos EUA. Mas agora a consagração se deu por prêmios concretos e a ovação da crítica. “Além da sagacidade do roteirista, é necessária também uma carga extra de feeling por parte do diretor.” elogia Geo Euzébio do Cine Players. Não apenas o diretor colhe os louros, como também o roteirista Ronald Harwood que adaptou de forma contundente o livro autobiográfico que dá nome ao filme. O Escafandro e a Borboleta foi escrito “a piscadas” por Jean-Dominique Bauby, o também protagonista que passa os últimos momentos de sua vida “trancado” em seu corpo e mente após um derrame. Coube também reconhecer positivamente a atuação de Mathieu Amalric, como o faz Angélica Bito do Yahoo Brasil Cinema: “O protagonista é interpretado magistralmente por Mathieu Amalric.” Sorte do francês, pois nada menos que Johnny Depp recusou o papel. O ator estava com a agenda cheia envolvido nas gravações de Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (2007). Pois é… quem se lembra de Jack Sparrow agora?

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A Caótica Jornada do Herói

Batman - O Cavaleiro das TrevasAo passar os olhos por algumas críticas ao Batman – O Cavaleiro das Trevas,fiquei impressionada como a maioria delas segue o mesmo ponto de vista: relatar a jornada do (anti-)herói do alter ego de Bruce Wayne ou apontar o caos causado pelo Coringa, enfatizando a brilhante interpretação de Heath Ledger. Joseph Campbell em seu clássico livro “O Poder do Mito” nos descreve os passos da chamada Jornada do Herói e todos os filmes, de Star Wars a Transformers , seguem essa mesma fórmula. Os críticos enaltecem como essa jornada é bagunçada pela presença do caótico Coringa. Esqueça Jack  Nicholson e siga o conselho que Marcelo Forlani dá em sua crítica no site Omelete: “O truque agora é fazer lápis desaparecer. E por isso vale o alerta: crianças, fiquem em casa, porque o novo Coringa dá medo!”
Outro ponto surpreendente é o fato de como a discordância de pontos de vista pode causar uma guerra de opiniões. “Tem gente que não tolera que falem mal de seus ídolos, fantasias e crenças -- e isso gera reações violentas. O cinema é passional. Como a religião, a política, o esporte.” Esse Comentário de Luiz Zanin do Estado de São Paulo resumo toda a polêmica em torno do gostar e não gostar de Cavaleiro das Trevas, eis a questão.
“Lamento por quem acha que o novo ‘Batman’ não é tudo isso” afirma Luiz Carlos Merten também  do Estado, jogando no time dos defensores. Os fãs agradecem, pois não há um nerd que deixa de enaltecer o fato de Christopher Nolan ter extraído o espírito de Frank Miller dos quadrinhos em sua essência. Há até os fãs mais devotos, como o pessoal do Jovem Nerd que afirmam que o filme deveria se chamar “A Piada Mortal”, em referencia  a uma HQ que apresenta a origem do Coringa. Como nada é unânime, temos Inácio Araújo do blog Canto do Inácio no ataque “De tanto que ouvi, fui ver ‘Batman -- O Cavaleiro das Trevas’ com alguma esperança. Saí terrivelmente decepcionado. (…) Resumindo minha impressão, o novo Batman é chato, ruidoso e reacionário.” Agora, caro espectador fã de Batman ou não, cabe a você entrar nessa briga. Veja quantas vezes forem necessárias e opine (eu particularmente já vi 3 vezes e quero mais !!!). Não esqueça de entrar na sessão VOCÊ e deixar seu apontamento.

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