Toda a polêmica que a crítica levantou na época do filme Tropa de Elite (2007) da visão dada por José Padilha foi muito bem resumida por Radames Manosso em seu blog. “Visão fascista? Bandido bom é bandido morto? Tortura faz parte da guerra? Seria ingênuo pensar que a visão do narrador e personagem principal é a visão do diretor. O capitão Nascimento se considera acima da lei e, para ele, a justiça instantânea que pratica é natural como beber água. No entanto, o filme não traz uma aprovação implícita dessa justiça feita pelos intocáveis do BOPE. Sim, Tropa de Elite conta a história de soldados que lembram Rambo, tem tiro e palavrão para todo lado, mas é um filme complexo que deixa um resíduo de reflexão no espectador depois que cessa o tiroteio. Não adianta implicar com o filme porque ele mostra algumas pessoas de um jeito que você não gostaria que mostrasse. Há indícios razoáveis para crer que o retrato tem fundo de verdade e a verdade dói.Tropa de Elite não se aprofunda no perfil dos bandidos. É um filme em que marginais são aquelas coisas que caem quando levam tiros. E se levaram tiro é porque mereciam. A polícia militar, especialmente seus oficiais, é vista como uma corja de corruptos bufões. O capitão e cafetão Fábio faz a gente rir com suas trapalhadas e rolos intermináveis. A juventude de classe média alta é retratada como ingênua e hedonista; inocentes úteis que papagaiam um discurso intelectualizado sobre a pobreza e a violência. É cômico vê-los discutindo filosofia da Justiça enquanto puxam um baseado. Os moradores da favela aparecem como pessoas manipuladas por traficantes e pelo poder público. Certamente, nenhum dos grupos retratado pode ser reduzido ao recorte limitado de um filme de duas horas. Mas vamos ser sinceros: o filme chega perto com seu jeitão sumário de retratar as classes sociais.” E para ficar mais leve , um trecho de Bofe de Elite. Bem contraditório.
Selton Mello e o Seu Feliz Natal (2008) fizeram escolha. Seu colega de profissão e de cena na obra O Auto da Compadecida (2000) Matheus Nachtergaele estréia também na direção com o ambíguo A Festa da Menina Morta (2008). Geo Euzebio do CinePlayers comenta este início. “Selecionado para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2008, Matheus Nachtergaele estréia na direção mostrando a mesma coragem de seus trabalhos como ator, tencionando tabus e pousando os olhos sobre um pedaço de nossa sociedade que é pouco visitado. Chamando a atenção para a região amazônica, o diretor -- e também roteirista – opta por adentrar num de seus aspectos mais fundamentais: a fé. (…)A direção de Nachtergaele demonstra um parentesco direto com o cinema do amigo Cláudio Assis, valorizando a crueza, o sangue e a carne, a humanidade não-maquiada e natural. As cenas da morte da galinha e do porco são bons exemplos disso e estabelecem o paradoxo entre uma humanidade plena e deificação de um rapaz. Delicado foi perceber o quanto o diretor esteve encantado com seu primeiro filme nas muitas inserções de seqüências aparentemente sem utilidade para o enredo, demonstrando mais a fruição estética de alguém que pela primeira vez teve a oportunidade de mostrar aos outros os caminhos que percorrem seu olhar e sua atenção. A música tema da menina assim como a fotografia de Lula Carvalho compõe muito bem a ambiência da trama. E Daniel de Oliveira, numa atuação quase sempre acertada, derrapa em alguns momentos difíceis de um personagem difícil, sem por isso deixar de merecer nosso crédito.” E Luis Carlos Merten em seu blog no Estadão dá o seu pitaco incisivo. “Não sou o maior fã de A Festa da Menina Morta -- aquele universo primitivo de crenças, em que a religiosidade histérica do Santinho (personagem de Daniel de Oliveira) sufoca as pessoas -- mas ele próprio é vítimas de seu mito -, me parece muito fechado. Não consigo entrar. Em compensação, curti mais o que já havia me atraído antes. Matheus trabalha as cenas quase isoladamente. Uma das melhores nem tem função narrativa -- é aquela em que o índio chama para a dança seus amigos (e que foi aplauidida durante a projeção). Adoro aquela cena, mas tem outra que me parece ainda melhor, um plano-seqüência com Daniel de Oliveira e Cássia Kiss, em que ela, como a mãe que partiu, volta para um diálogo decisivo, que atormenta o filho e o fragiliza. Daniel fica ao fundo, Cássia em primeiro plano. E ela fala sobre homens fortes e fracos, sobre a sua necessidade de se sentir dominada e, na realidade, percebemos que tudo o que ela diz de si revela o filho, sua ambivalência. Matheus trabalha tanto as cenas -- em textura e intensidade -- que às vezes me parece que o tecido dramático do filme, a sua narrativa, fica meio esgarçado, mas de qualquer maneira foi uma experiência e tanto assistir ao filme de novo. “A Festa’ é forte. Tem aquela cena em que o Santinho é sodomizado pelo pai, com quem mantém uma relação incestuosa. Ela pode ser considerada chocante, mas a mim incomoda muito mais o som da chuva incessante, como mais tarde o som da matança do porco será levado ao limite do (in)suportável, provocando uma das tantas explosões de histeria do personagem de Daniel de Oliveira.” No mínimo polêmico.
De acordo com a crítica Hannah Montana – O Filme (2009) extraiu opiniões distintas da crítica. De um lado temos os que não gostaram da mensagem de consumismo estampado, como Celso Sabadin do Yahho! Brasil Cinema “O filme me incomodou um pouco. Explico: até as cenas finais, tudo vai bem. O filme mostra que Miley Cyrus, a garota comum por trás da pop star Hannah Montana, está ficando diferente, fútil e consumista, com a fama subindo-lhe à cabeça. Um caso típico de criatura engolindo o criador. Seu pai, então, decide lhe aplicar um corretivo: confina a menina por duas semanas no sítio da avó, onde deverá aprender a valorizar novamente as coisas simples e verdadeiras da vida. Lembra um pouco os roteiros de Doc Hollywood – Uma Receita de Amor ou Carros. Até aí, tudo conforme previsto. Previsto até demais, diga-se. O problema é que, na cena final (não vou contar), torna-se bem clara a mensagem de que é muito melhor fantasiar-se com uma peruca loira e fingir ser Hannah Montana do que voltar ao anonimato e ser autêntico. A história dá um “dane-se” para a autenticidade e para os valores mais reais da vida, e prega que o importante mesmo é ser famoso. Pelo menos foi assim que eu percebi o filme.” Na outra vertente, temos Mau Saldanha do Cabine Celular que valorizou positivamente o filme por incentivar um retorno as origens. Com ou sem a peruca? Pelo visto a criançada já decidiu!
Para resumir o que a crítica negativizou sobre Kill Bill na época, selecionei este post do Blog Cinema e Pipoca que nos conta sobre os dois volumes. “Ok, QUENTIN TARANTINO têm grandes idéias, projetos inovadores e ousados, desmestificou padrões e salvou Miramax da falência com PULP FICTION. Nesta nova empreitada, quis homenagear produções marciais do Oriente, filmando pesadamente várias cenas, entregando aos espectadores algo violento e sanquinário, decorado com referências pop e humor negro, típicos do diretor. No primeira (e melhor) episódio, UMA THURMAN (O PAGAMENTO), passa desenvoltura como noiva em busca de vingança. O roteiro -- dividido em capítulos é deleite -- principalmente na luta contra LUCY LIU (AS PANTERAS), mescla seqüências em animês, para satisfazer fãs e o próprio TARANTINO. Mas é no segundo volume que o diretor tenta, em vão, representar nuanças reais dos clássicos japoneses, porém Hollywood não tem os cacoetes nipônicos e de quebra, violência estilizada e diálogos, tornam-se demasiadamente tendenciosos. No desfecho seco e rápido, contra seu marido (interpretado por DAVID CARRADINE), THURMAN minimiza toda expectativa criada para o confronto final. Apesar do relativo sucesso, KILL BILL (que antes do lançamento era esperado como novo PULP FICTION), é apenas outra obra do ex-gênio por trás de CÃES DE ALUGUEL.” Para finalizar, um divertido vídeo que conta a história de Kill Bill em 1 minuto.
Não deve ser tarefa fácil dirigir e atuar o mesmo filme, que o digam os já muito veteranos Clint Eastwood e Woody Allen. Celso Sabadin do CineClick elogia a direção e atuação estreante de Nadine Labaki em Caramelo (2007). “Beirute, tempos atuais. Trabalhando no universo supostamente fútil de um salão beleza, três mulheres vivem seus, também supostamente, pequenos problemas do dia-a-dia. A bela Layal (Nadine Labaki) tem sua vida travada por um romance proibido com um homem casado. Repleta de inseguranças e medos, Nisrine (Yasmine Al Masri) demonstra claros sintomas de TPC -- Tensão Pré-Casamento. E Rima (Joanna Moukarzel) vive situações difíceis com sua sexualidade.A grande amizade e a profunda cumplicidade que une estas três mulheres formam o ponto alto de Caramelo, co-produção franco-libanesa que ganhou três prêmios no Festival de San Sebastian. Nada em Caramelo transparece que sua diretora (e também co-roteirista) é totalmente estreante em longas-metragens. Trata-se da atriz libanesa Nadine Labaki, também protagonista do filme. Simultaneamente, ela consegue dar um show tanto de interpretação, como de direção, ao demonstrar grande segurança na difícil mistura de drama, romance e comédia que se propõe a fazer. E consegue com louvor.” O CinePop também tece elogios a fotografia do longa. “O tema central de Caramelo (Sukkar banat) é a graça e a dor de ser mulher e seu título é bem sugestivo. O doce do caramelo na verdade mascara a dor, já que ele é usado para fazer depilação nas mulheres. Portanto, a todo momento o filme trata essa dualidade de uma forma muito sensível e com cenas inesquecíveis. As várias figuras femininas – todas bem diferentes entre si, mas muito bonitas – servem para representar a pluralidade de problemas que elas enfrentam. A afirmação da mulher na sociedade, a velhice, o amor são alguns dos assuntos abordados. A produção é franco-libanesa e, por causa do conservadorismo no Oriente Médio, para questões mais delicadas, como o lesbianismo, são usados muito mais simbolismos do que a verdade escancarada – o que acaba combinando com a sensibilidade da obra. Na parte técnica, merece destaque a direção de fotografia que usa a cor-título de forma muito bonita. As cenas em que é preparado o tal caramelo é de deixar o espectador com água na boca. Do outro lado, a trilha musical é deliciosa e o som também é muito bem desempenhado, com pequenas brincadeiras sonoras que só se somam à leveza do filme. Mesmo sendo focado nas crises femininas, Caramelo consegue manter-se suave sem cair para o superficial. Depois de assisti-lo, as mulheres sentirão suas emoções expressas na tela e os homens sentirão que entendem um pouquinho mais o poderoso sexo frágil.”
A mulher perfeita pode ser um pesadelo? Para a crítica do Porto Cultural sim. “O diretor e roteirista Claudio Torres (Redentor, A Mulher do Meu Amigo) deve achar seu filme engraçado, mas A Mulher Invisível, protagonizado por Selton Mello (Meu Nome Não é Johnny) e Maria Manoella (Crime Delicado), com Luana Piovanni (O Casamento de Romeu e Julieta) e Vladmir Brichta (Fica Comigo Esta Noite) nos papéis de coadjuvantes, mais parece um piloto para sitcom, como boa parte da produção cômica nacional que chega aos cinemas.” O Omelete destaca pelo menos uma boa tirada no roteiro de Cláudio Torres. “Sim, Luana Piovani interpreta a mulher perfeita. Na verdade, quase perfeita, pois ela só existe na cabeça do Pedro. Para todas as outras pessoas ela é uma mulher invisível. Sabendo que se trata de uma comédia romântica, é de se imaginar que toda a trama já está resolvida desde o seu título: depois de sofrer com o fora que levou da ex, Pedro conhece a mulher ideal, se apaixona novamente e no fim descobre que ela não existe, mas volta a se apaixonar. E é aí que o filme ganha pontos. Sem escapar do happy end, o diretor Cláudio Torres, que co-roteirizou o filme ao lado de Adriana Falcão, Cláudio Paiva e Maria Luísa Mendonça, consegue criar formas de fugir do lugar-comum. Digamos que em vez de ir pelo atalho, ele pega aquela estradinha cheia de curvas, mas com um visual mais bonito e, por que não, romântico.” É o amor…
Para demonstrar o sucesso atemporal da animação dos estúdios Disney, A Bela e a Fera (1991) vejamos algumas críticas desta obra. No AnimaToons vemos o quanto o trama marcou toda uma geração. “À época de seu lançamento original, A BELA E A FERA encantou os críticos e teve um papel fundamental no renascimento do interesse pelo gênero musical. Além disso, o filme também ajudou a ressuscitar os musicais da Broadway, com a estréia de sua montagem teatral em 1994. O musical da Broadway, que incluía nova canções do compositor Alan Menken (com letras adicionais de Tim Rice), continua em cartaz até hoje, após mais de 3.000 récitas, tornando-se o 10o musical há mais tempo em cartaz na história da Broadway. O espetáculo foi indicado a nove Tonys (tendo vencido o prêmio na categoria de Melhor Figurino) e já foi apresentado em turnês por todo os Estados Unidos e em países como a Inglaterra, a Alemanha, a Espanha e o Japão.” CinemaCafri nos dá mais detalhes da trama. “Bela, como o próprio nome já diz, é uma mulher muito bonita, que não se conforma de ter de viver em uma pacata cidade do interior da França. Ao seu lado tem sempre seu pai, Maurice, que é visto por toda a comunidade local como um inventor louco. Além da monotonia da cidade, Bela ainda tem de lutar contra Gaston, o bonitão do vilarejo que deseja conquistá-la a qualquer custo. O início do filme é somente festa e como de costume todos os personagens estão cantando sem desafinar ou errar a letra. Mas a festa acaba quando Maurice, indo para uma cidade vizinha, acaba por acidente parando dentro de um misterioso castelo. Neste, o velho recebe ajuda de anfitriões bastante peculiares: um candelabro, um relógio, uma bule, uma xícara, e outros objetos. Mas o que parecia um lugar hospitaleiro, se revela bastante perigoso quando a Fera aparece e decide aprisionar o pai de Bela. Do outro lado da trama permanecia Bela, que lia e cantava cada vez mais para ver se sua vida ganhava um pouco mais de cor (ironia para um desenho). Tudo está tranqüilo, até que um dia, enquanto canta pelos pastos, ela avista Philipe (cavalo de seu pai), e, de tão preocupada que fica, decidi ir atrás de seu pai. Montada no cavalo, Bela chega ao castelo e rapidamente encontra Maurice, mas também encontra a Fera, e para libertar seu pai se oferece para ficar no lugar dele. A partir daí é só romance, e vemos desenvolverem-se sentimentos entre os dois. Merece destaque a cena em que Bela e a Fera dançam no salão principal, abaixo de um maravilhoso lustre (na época uma revolução em computação gráfica) e ao som da bela música Beauty and the Beast (este último detalhe sendo menos interessante na versão dublada).” Sem dúvida, um clássico atemporal.
Não há nenhum site cinematográfico tão interessante e democrático quanto o Cabine Celular do gaúcho Maurício Saldanha. Seu site é referência para muitos cinéfilos, e o que ele diz de muito bom ou muito ruim sobre um filme pode ser o fator decisivo para uma pessoa ir ou não ao cinema. Sendo assim você poderá assistir com seus próprios olhos o que uma pessoa tão conceituada disse sobre X-Men Origens: Wolverine (2009): BOMBA! BOMBA! BOMBA!
O longa do diretor argentino Carlos Sorin foi unanimidade de qualidade e encantamento. Luiz Carlos Merten em seu blog no Estadão diz: “Não sei se a história de um velho que decifra o enigma da própria vida interessa a muita gente, mas a mim encantou. (…) A janela do título abre-se para os pampas, mas ela também é metáfora do cinema e do movimento interior que o velho protagonista realiza, em busca de um momento mágico que viveu 80 anos antes.” Já Robledo Milani no CineRonda parabeniza: “A Janela, de Carlos Sorin, é digno de todo e qualquer aplauso! O longa foge do sentimentalismo exagerado tão comum na cinematografia latino-americana, apostando num viés mais melancólico e reflexivo, tão característico da atual produção argentina. E mesmo dentro deste contexto consegue se destacar pela simplicidade de sua mensagem e o efeito que esta provoca em uma perfeita comunicação com o público.”
A crítica brasileira mais uma vez conseguiu ser óbvia em comparar as coisas boas do livro Budapeste com o que ficou ruim na transposição cinematográfica. É o que faz Heitor Augusto do Yahoo! Cinema Brasil . “Na literatura, Chico vai fundo na forma. No cinema, Budapeste encontra seu primor quando mostra o meio do caminho, o contato do protagonista com sua musa, Kriska (Gabriela Hármori, do impronunciável Állísátok meg Terézanyut). No filme de Walter Carvalho, a comunicação entre duas pessoas que falam diferentes línguas não as impede de se aproximarem. Essas cenas são bonitas, muito bonitas. (…) O filme não é tão interessante quanto o livro. Na literatura, o jogo de espelhos entre José Costa/ Zosze Kósta, Kriska/ Vanda, Rio de Janeiro/ Budapeste, português/ húngaro é mais complexo que a câmera refletida no espelho utilizada por Carvalho para transportar um dos preceitos do livro: de que a história acontece ao mesmo tempo em que é contada.” Eduardo Viveiros no Omelete repete a comparação.
“Até então apenas uma história de amor, se não fosse recheada pelos subtextos do livro original, sua verdadeira graça. No Budapeste original, Chico criou um conto sobre ligações afetivas mais profundas, do brasileiro Costa com seu idioma materno, sua nacionalidade original e um novo ufanismo postiço que desenvolve. Mais que a busca por um final feliz, o tema da história é um exílio perdido no tempo. E é aí que o Budapeste dos cinemas se embanana. A adaptacão do texto não é cem por cento fiel, e nem poderia ser. O texto de Chico costuma ser mais abstrato que palpável e acaba se diluindo facilmente na vida real. Mas no esforço de mastigar o livro para a audiência, cortam-se tantas arestas que dão graça e densidade à história que o que restou fica órfão.” Está na hora de nossa crítica ser um pouco mais criativa e enxergar uma obra cinematográfica independente.





















