Dan Brown Engoliu a Rapadura

anjos-e-demonios-a-criticaNa última semana tive a imensa oportunidade de participar do Rapadura Cast, um podcast sobre cinema do site Cinema com Rapadura. Participou junto a mim Jurandir Filho , Maurício Saldanha e a Talita Neuhaus. A discussão se deu de forma acalorada girando em torno do tema Dan Browns, suas obras literárias, as polêmicas e as adaptações ao universo cinematográfico. Ao ouvir o podcast você perceberá  o quanto ele foi acalorado, especialmente no que concerne a religião. Mas o que dizer do Anjos & Demônios (2009) que foi lançado na última semana? Pelo visto fui a única a defender a obra. Nem no Rapadura, Omelete, Veja, Folha. Todos massacraram o filme. Mesmo assim ele superou o novo Star Trek (2009) em bilheteria na última semana. Sinais de que o público ainda procura obras pseudo-questionadoras, apesar de meia-bocas? Este é um mistério simbólico que nem Robert Langdon consegue decifrar…

Anjos & Demônios 2 Comentários
Omelete Vulcaniano

star-trek-a-criticaA crítica de hoje terá apenas uma citação, e esta será dada ao pessoal do Omelete, mais especificamente a Érico Borgo  e sua crítica a respeito do novo Star Trek (2009). Faço isso pois foram graças a eles que pude conferir o longa, em uma sessão super-hiper-mega-uber secreta realizada em parceria com a Paramount, distribuidora do filme. Se fantástico é pouco vejam as palavras de Borgo: “O resultado, batizado simplesmente Star Trek, é revigorante. Um Tonoclen vulcano, um Viagra romulano, uma Catuaba andoriana! Abrams, Orci e Kurtzman resgatam em um roteiro envolvente e dotado de todo aquele equilíbrio que comentei acima, não o tal cansado e especializado cânone, mas a excitação e o fascínio que Trek causava na década de 1960, ao audaciosamente ir aonde homem nenhum jamais esteve. E o fazem de maneira brilhante, que não dá margem aos lamentos de fãs mais devotados, com uma viagem no tempo, um dos conceitos mais difíceis de serem explorados na ficção científica. Ao jogar dentro das regras mais confusas do gênero, o trio acerta seus torpedos de fóton em cheio, criando um universo paralelo que não ignora a existência do original, mas dá ao trio liberdade para seguir com as viagens da Enterprise por longas e prósperas décadas, como se ela tivesse acabado de zarpar do estaleiro.” VIDA LONGA E PRÓSPERA!

La Buena Onda

o-filho-da-noiva-a-criticaAlexandre Koball do Cineplayers mantêm a comparação entre a produção cinematográfica brasileira e argentina.
“O cinema argentino está passando por uma fase semelhante ao brasileiro: uma espécie de ressurgimento. O Filho da Noiva foi lançado no país durante o auge da crise econômica por lá, em 2001, e o filme reflete muito bem as características dessa crise em sua história. Confundindo-se entre comédia dramática ou drama cômico, ele possui as doses certas de cada gênero, embora no final das contas eu tenha chorado (não necessariamente estou falando literalmente) mais do que rido ao assistí-lo. Não há como fugir do clima negativista daquela época (hoje já um pouco aliviado, embora o país ainda esteja economicamente fraco), e isso fica bem evidente nos seus personagens, lotados de problemas cotidianos.” O Cine Repórter explicita o termo “buena onda”. “O cinema produzido na América Latina vive, no começo do novo século, um momento cinematográfico muito fértil. O que no Brasil se convencionou chamar de ‘cinema da retomada’ corresponde, em escala continental, ao movimento denominado ‘buena onda’. Embora os filmes brasileiros estejam inseridos nesse contexto, e Walter Salles seja considerado o líder do grupo de jovens cineastas latino-americanos, é o cinema da Argentina que vem conseguindo mais e melhores resultados. O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia, Argentina/Espanha, 2001) é um dos melhores filmes da ‘buena onda’.” Aproveite então a marolinha.

O Filho da Noiva Seja o 1º a comentar
Stone/Bush

w-a-criticaComo ficará escrita na história de Bush? Marcelo Forlani do Omelete apresenta sua teoria. “George W. Bush foi ao mesmo tempo o terror do mundo e o prato principal dos programas humorísticos. E sem fazer muito esforço, apenas sendo quem ele é. Texano de raiz e cinto com fivelão, cabeça-dura, gente do povo, língua maior do que o cérebro, ingênuo, direitista, religioso… a lista de palavras que poderíamos usar para descrever esse filho de um ex-presidente dos Estados Unidos, que também chegou à Casa Branca é enorme tamanho foi o impacto que ele causou durante os oito anos em que presidiu o país. W. (2008), de Oliver Stone, é ao mesmo tempo um resumo biográfico, uma análise politica e um ‘melhores momentos’ do que ele aprontou e falou. O filme é feito de idas e vindas no tempo, da reunião em que foi batizado de ‘eixo do mal’ a trinca de países Irã, Iraque e Coreia do Norte à outra, em que George W. percebe que a invasão ao Iraque foi precipitada e tudo o que ele acreditava se esvai.” O blog Sobretudo Filmes expõe o sacarmos que Stone tratou a figura de Bush. “Pode-se dizer, que Oliver Stone está entre os mais politicamente engajados, dos diretores americanos. Diretor de clássicos políticos como Nixon, JFK -- A Pergunta que não quer calar, Platoon, Nascido em 4 de Julho, todos fazendo fortes críticas ao governo americano. Em W., seu filme sobre a vida do ex-presidente americano George W. Bush, o diretor faz uma grande crítica ao ex-presidente e a era Bush.W. é talvez o filme mais sarcástico do diretor. Ainda assim, Stone foi acusado de ser condescendente com o seu personagem, o ex-presidente George W. Bush, o que eu discordo, pois o diretor nos mostra, como ele mesmo falou no encontro promovido pela Folha e o Cine Bombril, que quis mostrar como um candidato e uma equipe totalmente equivocada chegaram a presidência dos EUA.” Vão-se as presidências, ficam as pendências. Boa sorte Obama.

Grandezas Sul-Americanas

fitzcarraldo-a-criticaCom um elenco que conta com os brasileiros Milton Nascimento, Grande Othelo e José Lewgoy, Fitzcarraldo (1982) ultrapassa as barreiras de grandiosidade épica. O blog Objeto Não-Identificado nos apresenta o que mais impressiona nesta insana obra de Werner Herzog. “Cena que custa a sair da minha retina: usando um sistema rudimentar de roldanas, com a força de índios que passam a ver o homem branco e sua enorme embarcação como a personificação de seus mitos, lá vai aquele navio subindo uma montanha! Demais, aquela cena. Outra também que fica para sempre é a de Fitzgerald (Fitzcarraldo, na pronúncia dos nativos) em cima de seu navio, tocando, com um fonógrafo, as óperas de Caruso. Ao redor, a mata densa e fechada, o navio lentamente navegando. Só por essa cena, para lá de inusitada, o filme já está na minha galeria dos cinqüenta melhores.Há também a participação de José Lewgoy, Grande Otelo e Milton Nascimento. Claudia Cardinale está aqui também, belíssima.” Daniel Dalpizzolo no CinePlayers também faz seus apontamentos. “A mistura, embora completamente inusitada, define bem a indefinição genérica desta obra de arte. Tudo é muito grandioso para que fiquemos presos a conceitos predefinidos. Werner Herzog, em seu projeto mais ambicioso e pretensioso, realiza um trabalho de exatidão, um exímio reflexo e, porque não, estudo da importância dos sonhos na vida de todos nós. Contando ainda com um elenco de qualidade, do qual fazem parte a bela Claudia Cardinale (Era Uma Vez no Oeste) e um vasto grupo de figurantes sul-americanos (alguns, inclusive, brasileiros), Fitzcarraldo comprova sua narrativa poética tanto pelas imagens filmadas com maestria operística quanto pela belíssima mensagem que nos deixa após um final de impressionante sensibilidade, no qual a simplicidade de um único momento contrasta com a megalomania que rege todo o desenrolar da aventura, mostrando que a conquista de um sonho pode ocorrer da forma mais singela e natural possível: pela emotividade de um sorriso.” Bem, a única coisa que não desce ladeira abaixo do morro no matagal é o fato de mesmo contando com elenco brasileiro e ter sido filmado na nossa Amazônia, é colocado que o filme se passa no Peru com nossos nativos falando espanhol. Absurdo.

Fitzcarraldo 1 Comentário
Engano Seu

diva-a-criticaO longa Divã (2009) pode parecer uma comédia de humor feminino, uma novela, uma peça cinematografizada e qualquer outra coisa que venha a lhe confundir. Mas transpassando essas falsas impressões, eis que surge algo de muito bom por baixo da película. Débora Silvestre no Pipoca Combo debate sobre a impressão novelística que o longa passa. “Composto por boa técnica ‘telenovelesca’ (afinal, a Globo Filmes fez a produção do filme), esse lembra sim uma novela das oito, não apenas pelos atores, como José Mayer, Reynaldo Giannechini e Cauã Reymond, mas também pelos cenários, qualidade de imagem e outros que consagraram a telenovela brasileira o sucesso que é hoje, sendo exportada e reconhecida em qualquer lugar do mundo. Mérito dela e da Rede Globo, claro. Entretanto, o filme vai além de um episódio novelesco de 90 minutos no cinema; há momentos muito intimistas e muito bonitos que emocionam e fazem o espectador pensar e voltar mais para si, coisa que a telenovela, por ser produção de massa, não consegue.” Já Angélica Bito do Yahoo! Brasil Cinema debate sobre o tom de humor e drama a ser tratado no filme. “O trailer de Divã engana: parece uma comédia rasgada, mas não é. Embora tenha cenas engraçadas e busque o tom de comédia o tempo todo, trata-se de um drama que, no entanto, não se permite cair na melancolia do gênero, pelo contrário. E, embora irregular, o filme tem seu valor ao encarar de forma tão digna o drama, sem exagerar ou forçar a barra na hora de aplicar camadas de humor.” Na dúvida do engano, confira.

Executar o impossível.

o-equilibrista-a-blogueiraO argumento de superação do ser humano comum de O Equilibrista (2008) pode até parecer uma metáfora barata. Mas por trás destas intenções edificantes está imensa sombra de um atentado terrorista que chocou o mundo ocidental. Para Marcelo Hessel do Omelete esta seria a razão para o documentário ter triunfado em premiações mundo a fora. “Na foto, tirada do nível da rua, vemos lá no alto o pequeno Petit se equilibrando no nada, para a direita, ao mesmo tempo em que um avião cruza o enquadramento no sentido oposto, para a esquerda. Em momento algum do documentário de James Marsh são mencionados literalmente os ataques aéreos às Torres Gêmeas. Mas quando o avião aparece em cena, um avião qualquer em 7 de agosto de 1974, o choque instantâneo nos traz a 11 de setembro de 2001. São de embasbacar não só o talento, a vaidade e a teimosia de Philippe Petit, mas O Equilibrista não teria o mesmo valor -- não teria ganho Sundance, o BAFTA, o Oscar -- se não fosse a sombra das torres ausentes.(…) Um entrevistado diz que é como se as Torres tivessem sido erguidas para Petit. Pela forma como o filme romantiza o equilibrista francês, a declaração não parece longe da verdade. Não é o tipo de documentário, enfim, que se presta a imparcialidades. Ao final não fica claro como amores terminam, como amizades se desmancham, não ficamos sabendo sequer o que Philippe Petit achou dos atentados. O foco principal é edificar um mito.” Alessandra Ogeda do blog MovieSense exalta os momentos em que o documentário opta por uma reconstituição fictícia dos fatos. “Tem pessoas que pensam o impossível e conseguem realizá-lo. Por mais louco que o plano possa parecer na hora da concepção, do ‘insight’. É sobre a história de um sujeito que conseguiu o impossível -- e para muitos, o impensável -- que trata Man on Wire, um dos documentários pré-concorrentes do Oscar deste ano. A produção conta a história de Philippe Petit, o homem que com a ajuda de alguns amigos -- e outros colaboradores pontuais -- conseguiu, em 1974, o impensável: atravessar o vão que separava as Torres Gêmeas (ou o tão conhecido e extinto World Trade Center) como um equilibrista. Além de ser uma história interessantíssima, o documentário consegue algo nem sempre fácil neste tipo de produção: adotar, como em uma sinfonia, o tom exato da mensagem em cada detalhe da narrativa. Em outras palavras, tornar igualmente artística a parte ‘ficcional’ do filme, respeitando a ‘alma’ do trabalho do personagem retratado em todos os detalhes da produção. Realmente interessante.” E no texto de Charles M. Helmich no blog Plano-sequência há o relato do quanto de impressionante há nesta singela história. “Passados 34 anos, o cineasta James Marsh apresenta-nos O Equilibrista, documentário que nos leva até aos bastidores deste incidente que assombrou os nova-iorquinos. Nesta ocasião para assistir a um espetáculo e não a uma tragédia.  Embora muitos casos semelhantes tenham acabado em tragédia, os desdobramentos de uma loucura como essa sempre rendem uma boa história. Philippe Petit felizmente teve um final feliz e sobreviveu para narrar os acontecimentos. (…) O documentário nos mostra os detalhes da ação em Manhattan e como um simples erro poderia ter transformado o espetáculo em uma morte bizarra. Com entrevistas detalhadas e emocionantes do protagonista e dos idealizadores do golpe, o cineasta conta-nos com emoção os desdobramentos da ação, desde o plano para se infiltrar no WTC até os momentos de perigo que cada envolvido passou dentro das Torres Gêmeas. Os erros, os acertos e as desconfianças entre os franceses e os americanos da trupe de Petit rendem uma história surpreendente, com momentos tensos e cômicos. Surpreende também, as imagens de arquivo captadas pelos amigos do equilibrista e por emissoras de TV na época.” Surpreendente. E você, homem-comum, vai deixar algum feito assim para a história?

O Equilibrista Seja o 1º a comentar
A Crítica de Cacá

bye-bye-brasil-a-criticaO cineasta alagoano Carlos Diegues, ou Cacá Diegues, possui uma importante filmografia dentro da história do Cinema Brasileiro. Estão sob sua direção títulos como Xica da Silva (1976), Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus é Brasileiro (2003). Em 1979 ele seria responsável por uma obra que mostraria que a transição ditadura/democracia em nosso país não traria grandes progressos a muitos brasileiros. Everton Amaro no blog Novo Tom
disserta mais sobre o contexto cultural que envolve o longa Bye Bye Brazil (1979). “O longa-metragem dirigido por Cacá Diegues mostra o Brasil da década de 70, período marcado pela ditadura militar. Nesta época o país passa por um processo de modernização. Com a vinda das multinacionais as condições culturais, sociais e econômicas são modificadas; modificações essas, que são fielmente retratadas numa aventura vivida pela Caravana Rolidei, percorrendo o norte e o nordeste do país, através da Trans-Amazónia. A globalização mudou a forma de agir, pensar e ser de todo o planeta terra, com os brazucas não poderia ser diferente. Em Bye Bye Brazil, é nítido os choques culturais recheados com um humor fino e esculhambado; índios usando bermuda e óculos Rainbow, bailes bregas tocando músicas americanas, a caravana rolidai com atrações de primeiro mundo; e ela, a própria, Betty Faria, nossa rainha do chanchada no papel de Salomé. (…) O Brasil retratado por Cacá Dieges -- não querendo ser um falastrão -- está virando uma bisca endomingada. Com a cultura multinacional criando um universo de desejo por bens de consumo, a perda de identidade é muito clara, principalmente quando o filme retrata uma super valorização de o que é vindo de outros países.” Jairo Ferreira no blog Cinema de Invenção faz apontamentos a respeito das regionalidades apontadas no longa. “O filme se passa no Nordeste, Norte e Centro do Brasil. Mas o Brasil todo não cabe em três regiões: o Brasil está em São Paulo, onde há nordestinos, nortistas, centristas, sulistas. O Brasil todo só coube num único filme, O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, porque a ação é passada em São Paulo, com todas as regiões sintetizadas na maior concentração industrial ou não do País. Mas Bye Bye também não é um filme sobre o que começa a acabar naquelas regiões. Se entendi bem, o que começa a acabar é o pessimismo e o que acaba de começar é o otimismo. (…) Não estou sendo irônico nem maldoso: estou sendo crítico. O filme de Diegues exibe uma má consciência do Brasil. Não sei se pior ou melhor do que aquela de Arnaldo Jabor em Tudo Bem (1978) tentando colocar o Brasil todo dentro de um apartamento! Turismo pretensioso é tão nocivo quanto sínteses parciais e equivocas que se tomam por abrangentes. De resto, não engulo a frase final de Bye Bye: ‘Ao povo brasileiro do século 21’.” Então que nos brasileiros deste novo século vejamos esta obra a que nos foi dedicada.

Bye Bye Brazil Seja o 1º a comentar
Tony Desespero

tony-manero-a-criticaPresente na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo o longa chileno Tony Manero (2008) do diretor Pablo Larrain confundiu e desagradou a crítica. No blog O Fino da Mostra Ligia Hercowitz comenta quanto ao potencial que o filme teria com seu argumento, mas que foi totalmente mal desenvolvido durante a trama.
“Em Os Embalos de Sábado a Noite, Tony Manero, vivido por John Travolta, foi uma febre. Já no novo filme chileno, que leva o nome do personagem em seu título, ele não causa tanto impacto. (…) Com um começo estagnado, o filme é chato durante muito tempo. O enredo é feito para prender a atenção do espectador, mas não prende. A evolução dos fatos e do próprio personagem é entediante. Um roteiro que aparentemente promete grandes risadas chega a ser sem graça na maior parte do tempo. A última meia hora do filme consegue ser melhor do que o resto dele. Fica claro o momento que ele toma um rumo interessante, chamando a atenção de quem estava dormindo na poltrona até então(…) É um drama pesado (apesar de parecer, pelo título e pela história, divertido), mostrando um ambiente pobre e sujo da ditadura de Pinochet. E é em Tony Manero que Raul encontra sua escapatória de tudo isso. Se o filme fosse tão bom quanto o enredo, seria um sucesso absoluto.” Angélica Bito do Yahoo! Brasil Cinema questiona quanto a falta de objetivo na trama. “Tony Manero não tem ano definido; os fatos que servem de pano de fundo para datar esta trama são Os Embalos de Sábado à Noite em cartaz no Chile e a ditadura militar imposta por Augusto Pinochet após sua tomada do governo, em 1973. Por retratar um período de governo violentamente totalitário, Tony Manero deve se situar a partir de 1981, quando este regime foi implementado. Na realidade, o tempo é o que menos importa na narrativa, mas sim como ela é conduzida. Há algo de claustrofóbico no filme principalmente no fato dele acompanhar um protagonista tão descontrolado, violento e imprevisível. Aos 52 anos, ele não tem muitas perspectivas, nem mesmo objetivos maiores do que ganhar um concurso de dança na TV. Mesmos sabendo que pode estar velho demais para isso. É um vazio eterno em sua vida. Filmado em digital, Tony Manero tem algumas cenas filmadas na mão que tremem demais, o que acaba incomodando, mas não interfere em sua dramaturgia. O vazio do personagem incomoda, irrita, mas é proposital. Ficou faltando, no entanto, uma maior clareza nos objetivos do filme. Simplesmente contar uma história? Talvez. Mas parece ser vazio demais, mesmo quando se trata de um personagem tão perdido quanto o deste longa-metragem.” Desse jeito o diretor poderia então ter mudado o nome do personagem, e consequentemente do filme, para Tony Desespero.

Tony Manero Seja o 1º a comentar
Sobrou Efeitos, Faltou Ousadia.

monstros-vs-alienigenas-a-criticaMonstros VS Alienígenas (2009) mais uma vez coloca a Dreamworks em um patamar de bom estúdio de animação pela qualidade técnica, mas faltando certa dose de ousadia e inovação. Janaína Pereira no site Herói aponta algumas falhas no roteiro deste desenho. “Como toda boa animação, tem personagens carismáticos e um roteiro bacana. Talvez falte um pouco mais de aventura aqui e humor ali – afinal, é uma comédia de ação. Mas podem ficar tranquilos: certamente a garotada vai gostar, e os adultos também. (…) Um dos pontos altos do filme é a referência a outras produções, como ET – o Extraterrestre, de Steven Spielberg. A qualidade da animação é boa, embora os humanos não pareçam reais. E, ainda que a versão original conte com atores que ‘incorporaram’ com perfeição os personagens (Kiefer Sutherland, o Jack Bauer, também está no elenco), a dublagem brasileira dá conta do recado. Monstros vs Alienígenas está longe de ser arrebatador como Shrek e Madagascar, sucessos anteriores da DreamWorks, mas é um filme que cumpre sua função: diverte e agrada toda a família. E não perca os créditos finais, pois é lá que está uma das cenas mais engraçadas, uma piada envolvendo o presidente dos Estados Unidos. Até porque piada com presidente americano em filme americano é, quase sempre, divertida.” Thiago Siqueira do Cinema com Rapadura também aponta certos pontos positivos do roteiro, principalmente as referências de longa visando atrair a atenção dos adultos presentes na sala de projeção. “Monstros Vs. Alienígenas, animação que pega diversos conceitos de vários filmes sci-fi clássicos e os transforma em uma aventura animada com bastante estilo e muito humor, sem esquecer a clássica lição de moral no final. (…)  Assim como as ficções científicas que pipocavam nas telas nos anos 1950, o roteiro de Monstros Vs. Alienígenas é bastante simples, não tendo grandes reviravoltas. No entanto, o texto do longa foi arrumado para acomodar diversas e ácidas referências ao mundo sci-fi, brincando com os clichês do gênero, do mesmo modo que a franquia Shrek fez com as fábulas.(…) Embora tais referências sejam encaixadas de maneira adequada e desenvolvidas pelo roteiro, é provável que parte destas não sejam nem notadas pelas crianças, pois é óbvio que esse universo da ficção científica não é tão acessível a elas quanto o das fábulas.” Érico Borgo do Omelete
novamente comenta o fato do roteiro ter dado ênfase aos efeitos 3-D. “A produção segue à risca a receita de sucesso das animações recentes. Mistura humor inteligente, uma pitada de besteirol e ação empolgante. No mix, inclui ainda uma sátira política divertida. (…) Fica a ressalva, porém, à falta de ousadia narrativa. O filme é seguro demais, joga limpo, dentro das regras. Falta a ele a veia contestadora dos longas da Pixar ou mesmo a inovação artística de outras produções da casa, como Kung Fu Panda. Há uma lição de vida obrigatória ali, mas é um tanto maçante. Ainda que o roteiro não tenha sido esquecido, é óbvio que o foco ficou mesmo nos efeitos 3-D -- que, vale dizer, são incríveis mesmo. De qualquer maneira, fica espaço de sobra para inovar no próximo. Sim, porque mais do que bons personagens, história na média e efeitos inovadores, Monstros vs. Alienígenas um filme extremamente bem-sucedido em criar um universo. E, você sabe, a palavra ‘universo’ em Hollywood é sinônimo para ‘franquia’, portanto, espere novos monstros em breve nas telonas…” Aguarde, em um cinema perto de você.

Monstros vs Alienígenas 2 Comentários