O ?plus? do filme reside na fantástica direção de Nuri Bilge Ceylan (justamente premiada com a Palma de Ouro de Melhor Direção, injustamente esnobada pelo Oscar que optou por concorrentes bem mais fracos). O diretor turco mostra tanto talento por trás das câmeras que, sinceramente, nem sei por onde começar a descrever o seu trabalho. Ou melhor, sei sim, que tal, obviamente, começarmos pelo começo? Uma das cenas que abrem este ?Três Macacos? já nos presenteia com uma amostra do trabalho que o diretor viria a fazer mais para frente, durante o desenrolar do longa. Refiro-me à sequência da rodovia que abre o filme e quando Ceylan posiciona e fixa a sua câmera em um determinado ponto. Vemos então um carro emanar um forte lampejo vindo de seus faróis dianteiros e que se destaca da escuridão predominante na cena. Conforme o veículo avança o seu caminho, o brilho vai reduzindo consideravelmente até tornar-se um insignificante ponto de luz extremamente distante e desaparecer por inteiro. Essa sequência, em si, já resume o caminho o qual Ceylan irá adotar durante os minutos remanescentes do filme.
Realizando um complexo estudo sobre os terríveis problemas que a falta de comunicação pode trazer aos cotidianos familiares, ?Três Macacos? peca (se é que posso dizer desta forma) somente na utilização de alguns pequenos estereótipos (pai alcoólatra, mãe infiel, filho ?perdido?) e ao conferir melodrama demais a algumas cenas contidas em sua segunda metade (e é uma pena que o protagonista Eyüp rompa o silêncio algumas vezes, sendo que o mesmo revelava-se muito mais perturbador do que as suas discussões, em alto e bom som, com Hacer e o filho Ismail). Nada que faça com que o longa deixe de ser um primor da sétima Arte, principalmente no que diz respeito à direção de Nuri Bilge Ceylan, que confere ao drama a sensibilidade mais do que adequada para que ele funcione corretamente, além de empregar técnicas semelhantes às adotadas por grandes cineastas como Orson Welles, Jean Renoir, Ingmar Bergman e William Wyler a fim de aumentar o impacto visual e metafísico de sua obra. E se a Globalização levou males aos países orientais a ponto de criar famílias neuróticas como as que vemos aqui, ao menos ela teve um ponto positivo no que diz respeito à Arte: permitiu com que cineastas europeus e estadunidenses criassem influências diretas sobre inúmeros profissionais asiáticos, possibilitando com que os mesmos se responsabilizem por grande parte dos melhores filmes cult de Arte lançados contemporaneamente.
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É muito fácil comparar a Kym (Anne Hathaway) com a Gwen (Sandra Bullock) de 28 dias. A estória de ambas envolve vício como também o casamento de uma irmã. A diferença começa, talvez pelo fato de que Gwen (Sandra Bullock), busca a recuperação após o casamento da irmã, e a Kym (Anne Hathaway), já “se recuperou” antes da cerimônia. Na verdade Kym (Anne Hathaway), ainda não recebeu alta, mas em virtude ao casamento de sua irmã Rachel, foi dar uma passada em casa. Um dos maiores clichês que envolvem esse tipo de estória é que a irmã, no caso, a Rachel (Rosemarie DeWitt), é perfeita, como são todas as irmãs nessas estórias em que existe uma irmã desajustada. A única fraqueza aparente que ela apresenta é o fato de ter ciúme do fato de toda a atenção de sua família ter sido voltada para a sua irmã desajustada, o que não combina com uma mulher que resolveu se casar com um músico, está prestes a ter um “casamento hindu” e vai morar no Hawaii. Por outro lado, o pai (Bill Irwin) e a mãe (Debra Winger), apresentam características mais interessantes. O pai (Bill Irwin) é super protetor com a Kym (Anne Hathaway), independente de todo o seu terrível histórico, e parece ter sempre serenidade em manter o controle da situação. Já a mãe (Debra Winger), consciente dos problemas familiares, parece querer realmente manter a sua distância segura de tudo que ocorre na família, não se incomodando inclusive de a nova mulher de seu ex-marido (Anna Deavere Smith), cuidar melhor dos preparativos da festa de casamento de sua filha. Assim como no caso da Rachel (Rosemarie De Witt) não há muito espaço também para Sidney (Tunde Adebimpe, vocalista do Tv on the radio), mostrar a que veio, é o noivo e só. Destaque apenas fica por conta de sua capela, cantando uma música do Neil Young, na hora da cerimônia de casamento. Já o Kieran (Mather Ziquel), interesse romântico de Kym, demonstra características mais interessantes no papel do ex-viciado, que em certo ponto do filme serve como um porta voz da Kym (Anne Hathaway), de forma para justificar seu comportamento desajustado ao reencontrar a família. Referências interessantes no filme são as relativas a clássicas bandas de rock presentes no quarto da Kym (Anne Hathaway), com vários pôsteres de Sex Pistols, The Who, Misfits, e até o que ela fala ao sair da clínica dizendo que Rachel (Rosemarie DeWitt) e sua amiga Emma (Anisa George) são tão manipuladoras quanto o Hannibal, de certo o Lecter de Silêncio dos Inocentes filme também dirigido por Jonathan Demme. Eu gostei do filme no seu apecto handcam, que em outras obras me deixa de mal humor, e o drama familiar, no entanto faltou força no roteiro para sabermos porque a irmã saidinha (Rachel) se deu bem na vida, e a filhinha do papai (Kym), se ferrou. Perguntas sem respostas incomodam muito nesse filme. Uma delas é a que Kym (Anne Hathaway) faz a sua mãe, em certo ponto importante da película, cuja resposta não satisfaz. Se você gostar de filme de casamento pule para o 3.º ato quando alugar em DVD, principalmente a festa que é um excelente guia para quem pretende ter uma festa de arromba no casamento, mas se curtir dramas familiares, O casamento de Rachel é uma obra deveras interessante.
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O leitor
by.Queiroz
O leitor é um filme de amor ou filme político? Depende de quem assistiu. Os que se identificaram com o garoto do primeiro ato que se relaciona com a mulher mais velha ou os que dão mais importância ao julgamento ocorrido no segundo ato. Sinceramente não sei. Teve um crítico do Jornal O Globo que estragou o filme para mim, por contar um detalhe importantíssimo da trama. Eu concordo com você que o público sozinho poderia chegar àquela conclusão sem a necessidade de flashbacks, mas com pessoas como você literalmente contando, fica mais difícil considerar o filme relevante, você não acha?! Bem, voltando, sobre o 1.° ato, dá para perceber bem o procedimento padrão das mulheres com homens mais jovens: Olhar distante, tem a situação sob controle, nunca dizem ?Eu te amo? e sempre deixando visível a possibilidade de terminar aquilo na hora que elas quiserem. Dando a outra face também há de se perceber o breve deslumbramento dos homens com as mulheres com mais experiência (isso independente de idade), tendo com pouco tempo de relacionamento, já achar (idiotas) que viverão a vida inteira juntos, sem mal se conhecerem profundamente. Há uma cena em que Hanna (Kate Winslet) e Michael (David Kross) comem em determinado restaurante com mesas ao ar livre e a garçonete chega para o Michael e diz: ?Espero que sua mãe tenha gostado?, e ele não nega, mas quando ele volta a ficar ao lado de Hanna faz questão de beijá-la na boca para demonstrar que é sua. Quando chegamos ao segundo ato quando descobrimos onde a guardinha de trem foi trabalhar depois de ser promovida, e isso praticamente causar a separação do casal, mesmo que na absoluta ignorância de Michael, este então estudante de direito separado a um bom tempo, vê sua amada sentada no banco dos réus nos Julgamentos em Nuremberg. O terceiro ato, foi o que pegou para o filme. Ralph Fiennes fazendo o papel do Michael mais velho, aquilo ali não dava para engolir de forma alguma. Thomas Kretschmann seria uma melhor escolha para o papel. Para quem não lembra, ele é o Oficial Wilm Hosenfeld que ajuda o Pianista interpretado por Andrien Brody no filme de Roman Polanski. O Lorde Voldermort não convenceu, ainda mais quando vemos Hanna (Kate Winslet) de cabelos brancos na sua frente. Aquilo ali… A estória é muito boa, mas uma pena que a Hanna não seja a protagonista, daria espaço para discussões até mais profundas sobre o filme, no que diz respeito ao seu aspecto político.
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Longe de merecer vencer os Oscar que certamente irá faturar no dia 22 de fevereiro de 2009, ?Quem Quer Ser um Milionário?? revela-se unicamente um bom filme e nada mais. O tom realista, as grandes atuações por parte de todo o elenco, o roteiro que mostra uma verdade nua e crua, a ascenção dos personagens, a conturbada vida dos favelados de Bombaim, a maturidade de uma estória que, apesar de contar com recursos artificiais para o seu funcionamento, aborda temas complexos e polêmicos de um modo inteligente e, até mesmo a magnífica e revolucionária direção de Danny Boyle (que apesar de jamais poder ser alcunhada de irregular, perde um pouco de seu ritmo durante os cinquenta minutos finais do longa), são ?tijolos? muito bem confeccionados que constroem um longa sensacional durante a sua primeira metade. Contudo, chega a segunda metade do filme e, com ela, vem a previsibilidade, a estória de amor dispensável e nada convincente, a pieguice, e a velha mania de conferir um ‘final feliz’ que soa altamente desconexo com a proposta inicial do filme.
É lamentável percebermos que, dois dos melhores diretores da atualidade (Boyle e Fincher) irão receber os prêmios mais importantes de suas carreiras por causa de dois de seus piores filmes.
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O grande defeito da obra que marca a estréia de Ed Harris na direção consiste, no entanto, na dificuldade que o roteiro encontra para encaixar cenas de ação que preencham as suas lacunas vazias. Pois é, se o filme não consegue criar um drama tão eficiente quanto ?Dança Com Lobos?, ou uma ação tão tensa quanto ?Matar ou Morrer?, ou personagens tão bem desenvolvidos quanto os de ?Três Homens em Conflito?, ou ainda uma química tão cativante quanto a dos protagonistas de ?Os Indomáveis? (só para citar um filme bastante recente e não ser tachado de saudosista e/ou tradicionalista), o mínimo que se pode esperar é que ele funcione no que diz respeito à diversão. Pois nem como mero filme pipoca ?Appaloosa ? A Cidade Sem Lei? funciona. Contando com pouquíssimas sequências de ação, o western é maçante e os seus cento e quatorze minutos (um tempo relativamente curto comparado ao dos filmes atuais) de projeção custam a passar.
Nem tudo, porém, pode ser tachado de ruim, medíocre, ou simplesmente bom, no filme em questão. Além da atuação de Irons, outros quesitos se mostram acima da média em ?Appaloosa?, bem como a fotografia, a direção de arte e a trilha-sonora. A fotografia é bela e realça muito bem as paisagens filmadas por Ed Harris (a propósito, o diretor pode até não realizar convincentes movimentações com a câmera, mas se mostra bastante eficiente quando cria ângulos fantásticos a fim de focar paisagens belíssimas). A direção de arte é ótima e cria muito bem uma cidade pequena e pacata, mas levemente suja. A trilha-sonora, por sua vez, nos remete à época retratada pelo filme e cria uma fantástica aura por trás da trama.
É realmente lamentável, no entanto, que ?Appaloosa ? A Cidade Sem Lei?, além de não apresentar absolutamente nada de novo, apele a todos os clichês possíveis e se mostre um filme aborrecedor. Uma produção mais ousada e menos patética poderia facilmente ter colaborado para a prorrogação do prazo de extinção do western que é um dos primeiros e mais importantes gêneros da história do Cinema.
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Um fraquíssimo candidato a épico que, na dificuldade que encontra ao tentar firmar-se como dois filmes em um só, acaba aborrecendo o espectador causando fortes dúvidas neste que não sabe ao certo se está assistindo a uma aventura pelos desertos australianos ou a um drama sobre a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, o longa falha tanto em uma tentativa, quanto em outra, tornando-se visivelmente imaturo e caricato em sua primeira metade e excessivamente piegas em sua segunda metade. De qualquer forma, não há como negarmos que o mesmo, apesar de irritar muitas vezes, revela-se divertido em alguns momentos e comovente em outros, além de nos brindar com uma fotografia primorosa e direção de arte e figurinos excepcionais.
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No saldo final, ?O Curioso Caso de Benjamin Button? definitivamente conta com uma infinidade de erros imperdoáveis, que variam desde a dificuldade que este encontra para estabelecer limites entre a fantasia e a realidade, até a sua composição extremamente açucarada (exceto a um drama ou outro pelo qual o personagem sofre), passando pelo uso abusivo de clichês e estereótipos que o torna ligeiramente previsível. O filme, no entanto, é belíssimo (mesmo fugindo dos conceitos artísticos estabelecidos por Nieztsche). Por mais que a estória seja fortemente tola, não há como não nos enlaçarmos com a mesma e, sobretudo, com o seu personagem principal (a atuação sensacional de Pitt colabora muito para tal). Button cativa, Button emociona, Button, por várias vezes, lembra uma pessoa comum, uma pessoa que está diariamente ao nosso lado. O filme é altamente sensitivo, nos transporta para o coração da trama, inala toda a sua essência. Sua parte técnica então é perfeita. A direção de arte nos remete facilmente às épocas que almeja retratar, a fotografia transforma o longa em um dos espetáculos visuais mais belos já vistos ultimamente (e confesso que desde ?O Senhor dos Anéis ? O Retorno do Rei? uma fotografia se mostrava capaz de agradar-me tão veementemente) e a maquiagem é digna do Oscar® que obviamente irá ganhar, afinal de contas, você acha que é fácil transformar a face de uma criança em algo parecido com uma uva passa?
Uma verdadeira pena que, com tantas qualidades visíveis, ?O Curioso Caso de Benjamin Button? venha a cometer erros tão infantis. Pior ainda é notar que tais erros foram cometidos por dois profissionais extremamente competentes, Roth e Fincher.
É, pelo visto o Oscar® deste ano será um dos mais superestimados de todos os tempos. Imaginou se, embalada pelo prêmio de Melhor Filme que a obra estrelada por Brad Pitt obviamente irá faturar, a indústria cinematográfica passar a produzir apenas filmes deste naipe? É, meus amigos, aí Daniel Esteves de Barros deixará de analisar filmes recentes e será mais outro cinéfilo saudosista que passará unicamente a se dedicar a filmes de cineastas como Kubrick, Scorsese, Fellini, Antonioni, Bergman, Renoir, Godard, Truffaut, Bresson, Kurosawa, Rocha, Eisenstein, entre outros.
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A trama é bastante forte e consegue nos surpreender do modo mais inesperado o possível. Quem poderia imaginar que a estória de uma mãe que busca desesperadamente o filho sequestrado viria a se converter na odisséia de uma mulher com mais força e alento que mil homens juntos (inclusive muitos pseudointelectuaizinhos metidos a sabichão, como assumo que é o meu caso) que, contando com a ajuda de algumas outras pessoas, encabeça uma incansável batalha contra um sistema injusto e que prima cada vez mais pela defesa dos mais fortes? A saga de Christine Collins se revela, na verdade, uma lição de vida. Um amplo estudo sobre a relação mãe e filho, uma abordagem sobre o modo como a maior tragédia que pode ocorrer com uma pessoa (a não ser que você conheça algo mais trágico do que perder o seu único filho de uma forma tão trágica e desesperadora) pode alterar completamente o cotidiano e o resto da existência dessa. Mas, acima de tudo, ?A Troca? se revela uma cativante abordagem sobre a força do sexo feminino, o modo como uma mulher, assim como qualquer outro homem que seja, pode lutar com unhas e dentes para consertar as falhas presentes no meio em que vive, contanto que tenha um objetivo e muita determinação. E sejamos francos, há muitas pessoas do sexo masculino que falam pelos cotovelos e defenderem a sua ideologia do modo mais consistente o possível, mas não possuem a mesma determinação e força de vontade que Christine Collins possui (e eu confesso que sou um desses).
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Lamentável, afinal de contas, a única coisa que esta readaptação consegue é deixar no ar a seguinte indagação: ?Se Scott Derrickson é tão fã da versão original de ?O Dia em que a Terra Parou? quanto ele mesmo diz que é, por quê cargas d?água o fracassado… ops, digo… o cineasta (gargalhadas) pegou o filme de 1951, despejou um caminhão de esterco sobre o mesmo, bateu no liquidificador por 103 minutos e criou este grande pedaço de (e, adiantadamente, peço mil desculpas pela palavra de baixo calão que irei utilizar agora, mas diante de um erro cinematográfico tão grande quanto este, não me vejo possibilitado de agir de outra maneira) merda que, a partir do momento em que chegou nos cinemas do mundo todo, passou a boiar perdidamente no oceano mainstream hollywoodiano??. Encerro esta crítica afirmando que, ao contrário da versão original (mais uma vez o comparei com o filme de 1951, não é? Mas fazer o quê, não há como escapar disso) que primava por abordar a relação terráqueo/extraterrestre de um modo não ofensivo, este remake é apenas mais um filme, dentre outros milhões do gênero, que se propõe a abordar uma possível relação interplanetária da forma mais imbecil e agressiva o possível. E, francamente, filme de merda (já pensou se a moda pega e eu começo a proferir um palavrão toda vez que estiver de extremo mau-humor após ter conferido uma obra tão ridícula quanto esta em questão?) imbecil e agressivo por filme de merda imbecil e agressivo, eu fico com ?Independence Day? que, apesar de contar com uma trama ainda mais idiota, é bem mais divertido que esta refilmagem ridícula (ah sim, e apesar de todas as falhas, o longa ainda se dá ao luxo de ser enfadonho e contar com poucas sequências de ação). Uma pena que tenhamos começado o ano de 2009 com um filme que, certamente, figurará na lista de ?Piores do Ano? da grande maioria dos críticos de Cinema do mundo todo.
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TEXTO NÃO RECOMENDADO PARA QUEM NÃO ASSISTIU AO FILME.
A cena mais triste do filme é a que se aproxima de sua conclusão, em que a Sr.ª Daisy(Cate Blanchett) olha para os olhos do bebê Benjamin e contata que ele a reconheceu e o mesmo fecha os olhos dando um fim aos seus 80 anos de vida. E que vida ele levou. Navegou, participou de uma batalha em alto-mar, deitou-se com mulheres da vida, amou duas mulheres, uma que adorava a sua companhia, e conversando toda a noite até o amanhecer (Elizabeth -- Tilda Swinton) e a outra Daisy (Cate Blanchett) o amor de sua vida, a mulher pela qual ele queria ?envelhecer? ao seu lado. Nessa vida ao contrário, Benjamin (Brad Pitt) viu muitos dos seus morrerem ?cedo?, ele que foi deixado na porta de um Asilo por sua pai (Thomas Button -- Jason Flemyng), sendo acolhido por uma jovem (Queenie -Taraji P. Henson) que não poderia ter filhos, e apesar dele ser diferente, era uma criatura de Deus como qualquer outra. Pessoas idosas não deixam de voltar a ser crianças de certa forma. Acabam voltando as fraudas de qualquer jeito. E passar os anos e ter a sensação que está mais sadio e mais jovem, não é uma exclusividade da ficção. É engraçado quando o Capitão (Jared Harris) questiona Benjamin se com ?todo o seu tempo de vida? nunca tinha conhecido uma mulher e após ouvir a resposta retruca de como aquilo era triste, tal a intimidade do espectador com a estória de ser convencido da virgindade daquele menino velho. Quando ele vai rejuvenescendo e na medida em que chega ao ponto em que a mulheres da sala escura começam a fazer fiu-fiu, você acaba achando que o trabalho de Brad Pitt nessa etapa do filme acabou e que tudo seria mais fácil, e que não haveria mais o porque de ficar envolvido com a estória. Que nada. É triste quando Benjamin chega a conclusão do inevitável após a informação da gravidez de sua amada Daisy, que não poderia ter uma vida como a de qualquer pessoa. Que sua velhice não era comparada ao ardor de sua inevitável juventude, e que não poderia ser pai, e que não poderia fazer sua mulher se tornar a sua mãe. Por isso ele se afasta, vai ver o mundo experimentar as mais diversas sensações, conhecer diferentes povos e cada lugar que ele foi enviou uma mensagem a sua filha de como gostaria de estar presente e a lições que a vida estava lhe dando. E Caroline (Julia Ormond) nesse momento em que esta lendo essa parte de seu diário sente vontade de ter conhecido melhor seu pai, e não ter apenas cumprimentado ele uma única vez aos 12 anos. É um filme diferente de outros que eu vi que falam sobre a passagem brusca do tempo. E fiquei atordoado com a imagem do Benjamin, jovem sem rumos e sem futuro. Porque se em Click do Adam Sandler e o Homem Bicentenário do Robin Willians, te dão a sensação que ainda dá tempo, nesse você sai da sala com aquela coisa de: ?Eu não fiz nada ainda? ou ?Tudo passa rápido demais?. O que eu posso dizer como um alento que o filme não nós dá? Sinceramente, não sei. Prefiro fechar o texto com a clássica frase de John Lennon: ?A vida é aquilo que acontece com você, enquanto está ocupado fazendo planos?.
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