La Buena Onda

o-filho-da-noiva-a-criticaAlexandre Koball do Cineplayers mantêm a comparação entre a produção cinematográfica brasileira e argentina.
“O cinema argentino está passando por uma fase semelhante ao brasileiro: uma espécie de ressurgimento. O Filho da Noiva foi lançado no país durante o auge da crise econômica por lá, em 2001, e o filme reflete muito bem as características dessa crise em sua história. Confundindo-se entre comédia dramática ou drama cômico, ele possui as doses certas de cada gênero, embora no final das contas eu tenha chorado (não necessariamente estou falando literalmente) mais do que rido ao assistí-lo. Não há como fugir do clima negativista daquela época (hoje já um pouco aliviado, embora o país ainda esteja economicamente fraco), e isso fica bem evidente nos seus personagens, lotados de problemas cotidianos.” O Cine Repórter explicita o termo “buena onda”. “O cinema produzido na América Latina vive, no começo do novo século, um momento cinematográfico muito fértil. O que no Brasil se convencionou chamar de ‘cinema da retomada’ corresponde, em escala continental, ao movimento denominado ‘buena onda’. Embora os filmes brasileiros estejam inseridos nesse contexto, e Walter Salles seja considerado o líder do grupo de jovens cineastas latino-americanos, é o cinema da Argentina que vem conseguindo mais e melhores resultados. O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia, Argentina/Espanha, 2001) é um dos melhores filmes da ‘buena onda’.” Aproveite então a marolinha.

O Filho da Noiva Seja o 1º a comentar
W de Walker

w-a-blogueiraCertamente para muitos cidadãos deste planeta, incluindo a blogueira que vos fala, considerou como a cena mais marcante do finado ano de 2008 aquela ocorrida no dia 15 de Dezembro. Em uma entrevista coletiva na invadida capital do Iraque Bagdá, o então presidente dos EUA George Walker Bush recebeu do jornalista iraquiano Muntazer al Zaidi duas sapatadas na cara acompanhada dos dizeres em árabe: “Este é seu beijo de despedida, cachorro!” Bush soube se desviar dos calçados com reflexo ninja, mas a ofensa ficou extremamente marcada na história recente. Depois de dois mandatos recheados de tropeços latentes e erros grotescos, o mundo dizia adeus ao texano guerreiro e saudava o havaiano cheio de paz, amor e esperança Barack Obama. Aproveitando a deixa política, o diretor nova-iorquino Oliver Stone lançou sua visão ante a biografia da conturbada figura de Bush. Stone possui no currículo longas que tratam de presidentes estado-unidenses, caso de JFK (1991) e Nixon (1995). Ambos longas têm em sua trama muita polêmica e nenhuma contundência ante aqueles que um dia ocuparam a Casa Branca. Mas no caso de W. (2008), sobre o Bush filho a contundência é, infelizmente, a regra. Há um certo sarcasmo em cena que nos proporciona momentos para nos deliciarmos em ver as trabalhadas com as quais o personagem conseguia se envolver. Em resumo vemos um filhinho de papai sem nenhuma aptidão ou dom latente tendo como única opção de vida ser a sombra do pai em uma carreia política republicana. Na maior parte das cenas Bush está comendo ou bebendo, uma interessante metáfora sobre sua fome e sede de poder e nada mais. Mas se fora nos antros políticos ele é um falastrão, durante as reuniões decisivas sobre a Guerra do Iraque ele não passava de um ouvinte deixando seu país nas mãos de uma decisão por guerra com o único objetivo de garantir as futuras reservas petrolíferas necessárias a manter uma nação que precisa de 25% da produção de energia mundial. Dói ouvir as falas de Bush menosprezando o Tratado de Kyoto. Ao final em uma famosa coletiva de imprensa ao ser questionado qual seria seu papel na história e quais foram seus erros e o que aprendeu com eles, há apenas balbucias como resposta. Josh Brolin, intérprete de Bush vale o ingresso. E pensar que um dia quando garoto ele interpretou o valentão do filme sessão da tarde Os Goonies (1985). Quanto a Stone, faltou-lhe ousadia. Faltou-lhe justa e merecidamente jogar alguns sapatos e se despedir do cachorro. E não estamos falando de Kenzie.

Stone/Bush

w-a-criticaComo ficará escrita na história de Bush? Marcelo Forlani do Omelete apresenta sua teoria. “George W. Bush foi ao mesmo tempo o terror do mundo e o prato principal dos programas humorísticos. E sem fazer muito esforço, apenas sendo quem ele é. Texano de raiz e cinto com fivelão, cabeça-dura, gente do povo, língua maior do que o cérebro, ingênuo, direitista, religioso… a lista de palavras que poderíamos usar para descrever esse filho de um ex-presidente dos Estados Unidos, que também chegou à Casa Branca é enorme tamanho foi o impacto que ele causou durante os oito anos em que presidiu o país. W. (2008), de Oliver Stone, é ao mesmo tempo um resumo biográfico, uma análise politica e um ‘melhores momentos’ do que ele aprontou e falou. O filme é feito de idas e vindas no tempo, da reunião em que foi batizado de ‘eixo do mal’ a trinca de países Irã, Iraque e Coreia do Norte à outra, em que George W. percebe que a invasão ao Iraque foi precipitada e tudo o que ele acreditava se esvai.” O blog Sobretudo Filmes expõe o sacarmos que Stone tratou a figura de Bush. “Pode-se dizer, que Oliver Stone está entre os mais politicamente engajados, dos diretores americanos. Diretor de clássicos políticos como Nixon, JFK -- A Pergunta que não quer calar, Platoon, Nascido em 4 de Julho, todos fazendo fortes críticas ao governo americano. Em W., seu filme sobre a vida do ex-presidente americano George W. Bush, o diretor faz uma grande crítica ao ex-presidente e a era Bush.W. é talvez o filme mais sarcástico do diretor. Ainda assim, Stone foi acusado de ser condescendente com o seu personagem, o ex-presidente George W. Bush, o que eu discordo, pois o diretor nos mostra, como ele mesmo falou no encontro promovido pela Folha e o Cine Bombril, que quis mostrar como um candidato e uma equipe totalmente equivocada chegaram a presidência dos EUA.” Vão-se as presidências, ficam as pendências. Boa sorte Obama.

Olê, olê, olê, olê, Maiden, Maiden!!!

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Um baterista de heavy metal que bate o bumbo de pés descalços, um padre brasileiro com o corpo todo tatooado, um coro argentino que faz qualquer brasileiro cantar junto? Austrália, Japão, México, Brasil, Argentina, EUA, Canadá…e segue, com público lotando onde quer que eles toquem. Que banda na face da Terra poderia filmar um documentário desse quilate? IRON MAIDEN, é claro. Dissertar sobre uma turnê filmada é um tanto enfadonho, mas pensemos que mesmo que você encare uma sessão como eu encarei com apenas 30 pessoas na sala de cinema, em um só horário, sem trailer, apenas 125 min., e músicas cortadas, mas mesmo assim sensacional. Como diz Bruce Dickinson, 51 anos, IRON MAIDEN, não toca seus clássicos para agradar sua antiga platéia, mas sim para apresentar seu trabalho a novos fãs, a exemplo do filho que foi levado por seu pai a caráter no cinema que estava. O Fight 666, o ?maior? avião do mundo, agrada por sua lindas aeromoças, e por ter Sir Dickinson na pilotagem, sem falar da equipe técnica que sempre cantarola: ?Eu sei que você não vale nada…?. As imagens com os depoimentos dos fãs são um espetáculo a parte. Por mim, durante a exibição na telona cantava junto as músicas do disco Power Slave, disco que escutava numa fita cassete gravada praticamente todo dia durante a adolescência. Não sei mais o que falar, vejam o filme no cinema é uma experiência única.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

A Chuva Vai Banhar Essa Diva

diva-a-blogueiraVou deixar a rua me levar / Ver a cidade se acender / A lua vai banhar esse lugar / E eu vou lembrar você. Ao final do filme Divã (2009) ouvimos os deliciosos versos da canção Pra Rua Me Levar de Ana Carolina. E se neste momento você não estiver derramando sinceras lágrimas, você é o ser humano mais sem coração do universo. Divã é um filme muito franco, honesto e sincero. Em diversos momentos você vai chorar de rir e em outros o choro é de emoção mesmo. Há 3 elos de sustentação primorosos no longa que o fazem ter o excelente mérito que possui. O primeiro deles é o roteiro de Marcelo Saback que está muito bem estruturado, com o tempero na trama de humor e drama na medida certa, além deste amarrar bem todas as ações do filme. O segundo grande mérito cabe ao diretor José Alvarenga Jr que já trabalhou no longa Os Normais (2003). Há diversas cenas de uma cinematografia belíssima, como a da exposição de arte sob a chuva e, a melhor de todas, onde a personagem central Mercedes está deitada sob uma janela com a chuva banhando seu corpo nu. É de arrepiar de tão belíssimo. E o último e glorioso mérito vai para Lília Cabral, que já havia encarnado Mercedes no teatro. Sem ela o filme não teria metade da alma que possui. Há algumas falhas de inverossimilhança, mas é supérfluo perto da construção do filme como um todo. Se eu fosse você, esquecia esta fantasia de casal de corpos trocado e gastaria o dinheiro no ingresso de um filme nacional de qualidade com uma história que, sim, poderia acontecer com você de verdade.

Barco Montanha Acima

fitzcarraldo-a-blogueiraO cineasta alemão, nascido em Munique, Werner Herzog sempre foi considerado no meio cinematográfico como um diretor fortemente autoral, já que escreveu e produziu boa parte dos filmes que dirigiu. Tanta diversidade pode ser oriunda de sua formação acadêmica, com um currículo que engloba História, Literatura e Artes Cênicas. Assim como Werner Fassbinder e Wim Wenders, Herzog completa o time dos associados ao movimento do novo cinema alemão. Porém, seus roteiros transpassam qualquer fórmula, sempre enfocando na temática de anti-heróis com objetivos impossíveis, ou pessoas de grande talento que são obscurecidas e ignoradas. E o maior exemplo de trama com esta temática é a de Fitzcarraldo (1982). Durante a febre do ciclo da borracha nos idos de 1900 o sonhador Brian Sweeney Fitzgerald (cujo sobrenome impronunciáve o faz ser chamado de Fitzcarraldo pelos nativos) deseja construir um teatro de ópera em uma cidade peruana no meio da selva. E quem inaugurará esta obra cultural é o tenor italiano Caruso, cujo disco com um megafone o acompanha em toda a trajetória. Para realizar este feito, Fitzcarraldo se embrenha mato a dentro com um barco de mais de 100 toneladas, barco este que ele carregará morro acima para se passar de um rio a outro. Filmado na Amazônia brasileira, este épico é o ápice da idéia do sonho inatingível acompanhando de uma imensa ambição desmedida. Personagem e diretor se confundem, pois ambos empreendem uma insana busca, desbravando a natureza em troca de muitas vidas. Assim como o personagem Fitzcarraldo sonha em construir uma casa de ópera no alto Amazonas, Herzog tenta transpor morros e matas com cenário e equipe em busca da filmagem perfeita. Não é a toa que o cineasta faturou melhor direção em Cannes no ano de lançamento da película. Mas quem seria o ator a interpretar este louco alter-egode Herzog:  Klaus Kinsk. Ator figurinha carimbada nos filmes do diretor, como Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972) ou Nosferatu -- O Vampiro da Noite (1979). Muitas brigas marcaram esta tumultuosa relação. Mas o resultado final é no mesmo formato que a grandeza da obra: insana e encantadora.

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Grandezas Sul-Americanas

fitzcarraldo-a-criticaCom um elenco que conta com os brasileiros Milton Nascimento, Grande Othelo e José Lewgoy, Fitzcarraldo (1982) ultrapassa as barreiras de grandiosidade épica. O blog Objeto Não-Identificado nos apresenta o que mais impressiona nesta insana obra de Werner Herzog. “Cena que custa a sair da minha retina: usando um sistema rudimentar de roldanas, com a força de índios que passam a ver o homem branco e sua enorme embarcação como a personificação de seus mitos, lá vai aquele navio subindo uma montanha! Demais, aquela cena. Outra também que fica para sempre é a de Fitzgerald (Fitzcarraldo, na pronúncia dos nativos) em cima de seu navio, tocando, com um fonógrafo, as óperas de Caruso. Ao redor, a mata densa e fechada, o navio lentamente navegando. Só por essa cena, para lá de inusitada, o filme já está na minha galeria dos cinqüenta melhores.Há também a participação de José Lewgoy, Grande Otelo e Milton Nascimento. Claudia Cardinale está aqui também, belíssima.” Daniel Dalpizzolo no CinePlayers também faz seus apontamentos. “A mistura, embora completamente inusitada, define bem a indefinição genérica desta obra de arte. Tudo é muito grandioso para que fiquemos presos a conceitos predefinidos. Werner Herzog, em seu projeto mais ambicioso e pretensioso, realiza um trabalho de exatidão, um exímio reflexo e, porque não, estudo da importância dos sonhos na vida de todos nós. Contando ainda com um elenco de qualidade, do qual fazem parte a bela Claudia Cardinale (Era Uma Vez no Oeste) e um vasto grupo de figurantes sul-americanos (alguns, inclusive, brasileiros), Fitzcarraldo comprova sua narrativa poética tanto pelas imagens filmadas com maestria operística quanto pela belíssima mensagem que nos deixa após um final de impressionante sensibilidade, no qual a simplicidade de um único momento contrasta com a megalomania que rege todo o desenrolar da aventura, mostrando que a conquista de um sonho pode ocorrer da forma mais singela e natural possível: pela emotividade de um sorriso.” Bem, a única coisa que não desce ladeira abaixo do morro no matagal é o fato de mesmo contando com elenco brasileiro e ter sido filmado na nossa Amazônia, é colocado que o filme se passa no Peru com nossos nativos falando espanhol. Absurdo.

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Engano Seu

diva-a-criticaO longa Divã (2009) pode parecer uma comédia de humor feminino, uma novela, uma peça cinematografizada e qualquer outra coisa que venha a lhe confundir. Mas transpassando essas falsas impressões, eis que surge algo de muito bom por baixo da película. Débora Silvestre no Pipoca Combo debate sobre a impressão novelística que o longa passa. “Composto por boa técnica ‘telenovelesca’ (afinal, a Globo Filmes fez a produção do filme), esse lembra sim uma novela das oito, não apenas pelos atores, como José Mayer, Reynaldo Giannechini e Cauã Reymond, mas também pelos cenários, qualidade de imagem e outros que consagraram a telenovela brasileira o sucesso que é hoje, sendo exportada e reconhecida em qualquer lugar do mundo. Mérito dela e da Rede Globo, claro. Entretanto, o filme vai além de um episódio novelesco de 90 minutos no cinema; há momentos muito intimistas e muito bonitos que emocionam e fazem o espectador pensar e voltar mais para si, coisa que a telenovela, por ser produção de massa, não consegue.” Já Angélica Bito do Yahoo! Brasil Cinema debate sobre o tom de humor e drama a ser tratado no filme. “O trailer de Divã engana: parece uma comédia rasgada, mas não é. Embora tenha cenas engraçadas e busque o tom de comédia o tempo todo, trata-se de um drama que, no entanto, não se permite cair na melancolia do gênero, pelo contrário. E, embora irregular, o filme tem seu valor ao encarar de forma tão digna o drama, sem exagerar ou forçar a barra na hora de aplicar camadas de humor.” Na dúvida do engano, confira.

Poéticas e Metáforas do Equilíbrio

o-equilibrista-a-criticaHoje um buraco no meio de Manhattan, uma cratera de lembranças de dor e perda. Ao se aproximar dele, seu coração se oprime com a busca na memória de “Onde eu estava naquele 11 de Setembro ?”. Se a data marcou para sempre o terror na mente ocidental estado-unidense e nova-iorquina, um francês de nome Philippe Petit conseguiu em 7 de Agosto de 1974 um feito capaz de apenas recordamos as imponentes sombras do WTC como algo poético e que metaforiza totalmente o quanto o homem é capaz de quebrar as barreiras do que é taxado de “humanamente-impossível”. O diretor britânico James Marsh no documentário ganhador de Oscar e vários outros prêmios O Equilibrista (2008) nos faz um paralelo de como ocorreu a construção das Torres Gêmeas ao mesmo tempo em que um jovem circense planejava de forma artisticamente criminosa encenar o maior espetáculo da sua vida no topo delas. Vemos o que significa amizade e companheirismo ao nos depararmos com o quanto diversas pessoas se empenharam para que o feito não se transformasse em tragédia. Como deve ser difícil saber que a vida do outro está em suas mãos e, literalmente, por um fio. Mas o grande mérito deste crime artístico do século XX é todo de Petit. Ao vermos as imagens do vão vertical de 450 metros que ele atravessou 8 vezes em cima de um cabo de aço amarrado em cada torre, os piores palavrões vem à mente, além de alguns “louco, retardado, maluco” e adjetivos do gênero. E de arrepiar, chorar e pensar. Um tapa na cara do comodismo de que nada pode. Com talento e sim, muita ousadia acho que podemos nos dar até o luxo de arriscar. Não , não vou começar a fazer malabarismo com as minhas garrafas de cerveja esverdeadas. Mas acho que posso tentar superar a caminhada de 30 quilômetros por praias, pedras e trilhas no mato e mangue que fiz em 9 horas. O que acha?

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Executar o impossível.

o-equilibrista-a-blogueiraO argumento de superação do ser humano comum de O Equilibrista (2008) pode até parecer uma metáfora barata. Mas por trás destas intenções edificantes está imensa sombra de um atentado terrorista que chocou o mundo ocidental. Para Marcelo Hessel do Omelete esta seria a razão para o documentário ter triunfado em premiações mundo a fora. “Na foto, tirada do nível da rua, vemos lá no alto o pequeno Petit se equilibrando no nada, para a direita, ao mesmo tempo em que um avião cruza o enquadramento no sentido oposto, para a esquerda. Em momento algum do documentário de James Marsh são mencionados literalmente os ataques aéreos às Torres Gêmeas. Mas quando o avião aparece em cena, um avião qualquer em 7 de agosto de 1974, o choque instantâneo nos traz a 11 de setembro de 2001. São de embasbacar não só o talento, a vaidade e a teimosia de Philippe Petit, mas O Equilibrista não teria o mesmo valor -- não teria ganho Sundance, o BAFTA, o Oscar -- se não fosse a sombra das torres ausentes.(…) Um entrevistado diz que é como se as Torres tivessem sido erguidas para Petit. Pela forma como o filme romantiza o equilibrista francês, a declaração não parece longe da verdade. Não é o tipo de documentário, enfim, que se presta a imparcialidades. Ao final não fica claro como amores terminam, como amizades se desmancham, não ficamos sabendo sequer o que Philippe Petit achou dos atentados. O foco principal é edificar um mito.” Alessandra Ogeda do blog MovieSense exalta os momentos em que o documentário opta por uma reconstituição fictícia dos fatos. “Tem pessoas que pensam o impossível e conseguem realizá-lo. Por mais louco que o plano possa parecer na hora da concepção, do ‘insight’. É sobre a história de um sujeito que conseguiu o impossível -- e para muitos, o impensável -- que trata Man on Wire, um dos documentários pré-concorrentes do Oscar deste ano. A produção conta a história de Philippe Petit, o homem que com a ajuda de alguns amigos -- e outros colaboradores pontuais -- conseguiu, em 1974, o impensável: atravessar o vão que separava as Torres Gêmeas (ou o tão conhecido e extinto World Trade Center) como um equilibrista. Além de ser uma história interessantíssima, o documentário consegue algo nem sempre fácil neste tipo de produção: adotar, como em uma sinfonia, o tom exato da mensagem em cada detalhe da narrativa. Em outras palavras, tornar igualmente artística a parte ‘ficcional’ do filme, respeitando a ‘alma’ do trabalho do personagem retratado em todos os detalhes da produção. Realmente interessante.” E no texto de Charles M. Helmich no blog Plano-sequência há o relato do quanto de impressionante há nesta singela história. “Passados 34 anos, o cineasta James Marsh apresenta-nos O Equilibrista, documentário que nos leva até aos bastidores deste incidente que assombrou os nova-iorquinos. Nesta ocasião para assistir a um espetáculo e não a uma tragédia.  Embora muitos casos semelhantes tenham acabado em tragédia, os desdobramentos de uma loucura como essa sempre rendem uma boa história. Philippe Petit felizmente teve um final feliz e sobreviveu para narrar os acontecimentos. (…) O documentário nos mostra os detalhes da ação em Manhattan e como um simples erro poderia ter transformado o espetáculo em uma morte bizarra. Com entrevistas detalhadas e emocionantes do protagonista e dos idealizadores do golpe, o cineasta conta-nos com emoção os desdobramentos da ação, desde o plano para se infiltrar no WTC até os momentos de perigo que cada envolvido passou dentro das Torres Gêmeas. Os erros, os acertos e as desconfianças entre os franceses e os americanos da trupe de Petit rendem uma história surpreendente, com momentos tensos e cômicos. Surpreende também, as imagens de arquivo captadas pelos amigos do equilibrista e por emissoras de TV na época.” Surpreendente. E você, homem-comum, vai deixar algum feito assim para a história?

O Equilibrista Seja o 1º a comentar