Em 2007 Tropa de Elite foi o grande fenômeno de crítica e público. José Padilha conseguiu o feito de ganhar o prêmio máximo no Festival de Berlin, conceituado entre os filmes alternativos, assim como ir parar na boca do povo e nos auto falantes de carros. Todo mundo repetia as frases do BOPE mostrada nos filmes e não tinha uma beira de praia no verão que não passasse um carro, de playboy ou não, entoando em alto e bom som o Rap das Armas tocado no longa. Muito se especula se o filme terá uma continuação e se essa continuação terá uma boa base como teve o primeiro. Esta semana tive a prova de que sim, um Tropa Elite 2 de alto nível é possível. Explico. Depois desses anos de atraso finalmente li nesta semana o livro Elite da Tropa em Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel escancaram a realidade da polícia carioca. Quando digo que o roteirista Bráulio Mantovani se baseou levemente na obra escrita para fazer a audiovisual não é mentira. A primeira parte do livro tem diversas pequenas histórias que ocorreram com diversas pessoas conhecida dos autores. No filme essas histórias se transformaram numa linha de raciocínio próprio que usa um pouco delas. Mas quase 80% do filme não esta no livro. A outra metade de Elite da Tropa é totalmente inédita, nada dela foi mostrada ainda. E aí que pode entrar a trama da continuação. E espero que ela saia logo se não “Pede pra sair, zero-dois!”
Toda a polêmica que a crítica levantou na época do filme Tropa de Elite (2007) da visão dada por José Padilha foi muito bem resumida por Radames Manosso em seu blog. “Visão fascista? Bandido bom é bandido morto? Tortura faz parte da guerra? Seria ingênuo pensar que a visão do narrador e personagem principal é a visão do diretor. O capitão Nascimento se considera acima da lei e, para ele, a justiça instantânea que pratica é natural como beber água. No entanto, o filme não traz uma aprovação implícita dessa justiça feita pelos intocáveis do BOPE. Sim, Tropa de Elite conta a história de soldados que lembram Rambo, tem tiro e palavrão para todo lado, mas é um filme complexo que deixa um resíduo de reflexão no espectador depois que cessa o tiroteio. Não adianta implicar com o filme porque ele mostra algumas pessoas de um jeito que você não gostaria que mostrasse. Há indícios razoáveis para crer que o retrato tem fundo de verdade e a verdade dói.Tropa de Elite não se aprofunda no perfil dos bandidos. É um filme em que marginais são aquelas coisas que caem quando levam tiros. E se levaram tiro é porque mereciam. A polícia militar, especialmente seus oficiais, é vista como uma corja de corruptos bufões. O capitão e cafetão Fábio faz a gente rir com suas trapalhadas e rolos intermináveis. A juventude de classe média alta é retratada como ingênua e hedonista; inocentes úteis que papagaiam um discurso intelectualizado sobre a pobreza e a violência. É cômico vê-los discutindo filosofia da Justiça enquanto puxam um baseado. Os moradores da favela aparecem como pessoas manipuladas por traficantes e pelo poder público. Certamente, nenhum dos grupos retratado pode ser reduzido ao recorte limitado de um filme de duas horas. Mas vamos ser sinceros: o filme chega perto com seu jeitão sumário de retratar as classes sociais.” E para ficar mais leve , um trecho de Bofe de Elite. Bem contraditório.
Há algum tempo atrás vi uma matéria no CQC do Oscar Filho entrevistando pessoas após a saída de uma sessão especial de A Festa da Menina Morta (2008). A maioria delas , não sei se por uma amostragem concisa ou vício na edição da reportagem, estavam confusas e não conseguiam digerir o filme e comentá-lo de forma coerente diante das câmeras. Algumas falavam coisas tão sem nexo que chegou a ser hilário. (Para ver a matéria CLIQUE AQUI). Pois bem, com isso em mente lá fui eu sentar na poltrona da sala escura e ver a estréia de Matheus Nachtergaele na direção. Seguindo as tendências dos filmes underground dos últimos tempos, o longa não tem uma trilha sonora musicada. As únicas canções são os hinos religiosos entoados em cenas como a da procissão da Menina Morta. O resto é só ruído: torneira pingando, porco estripando, copo quebrando, chuva caindo, passos correndo, vento soprando, gente passando e santo recebendo. A história tem esse título, pois o personagem de Santinho (Daniel de Oliveira) 20 anos antes quando ainda era uma criança recebeu das mãos de um cachorro o vestido rasgado de uma garota de sua vila no meio da Amazônia que havia desaparecido e possivelmente morrido. A partir deste dia Santinho uma vez ao ano, durante a tal Festa da Menina Morta, em seu aniversário, ele fala com o espírito da pequena e opera bênçãos em milagres graças a este contato mediúnico. Esta trama central nos ajuda a questionar o quanto a fé pode sim capitalizar as pessoas já que no longa uma marca de cerveja patrocina a festa religiosa e têm-se até show de músicas nada sacro-santas durante esta. Nada muito diferente de pastores evangélicos que enriquecem com o dízimo alheio ou com as milhares de barracas de camelo ao redor de templos católicos como São Judas, Aparecida do Norte e Terço Bizantino. Afinal cada um tem que levar seu trocado e ainda deixar um pro santo. Mas o que mais me chamou a atenção no filme foi uma trama paralela que pode passar desapercebido mas é de suma importância. O papel da Mãe (Cássia Kiss) na vida de Santinho. Pra ele, ela após um acidente/suposto suicídio está morta. Além disso claramente desde o começo sabemos que ele se veste de mulher, tem trejeitos histéricos e afeminados e mantêm relações sexuais incestuosas com seu pai (Jackson Antunes). O porquê de tudo isso você entenderá com o tempo ao perceber que ele é fisicamente parecido com a mãe, usa um vestido que era dela e sim, claro, ocupa o seu lugar no leito nupcial ao lado do pai! Isso mesmo, numa bagunça louca do complexo de Édipo e Jocasta freudiano Santinho quer matar a mãe para desposar o pai! E é o que ocorre, é como a sua vida é conduzida. Alguns acontecimentos durante a Festa da Menina Morta podem nos dar a impressão que haverá a transformação de todos os personagens que permeiam o santo garoto. Infelizmente o que ocorre é a mais completa mesmice rotineira, nada acontece, tudo continuará igual após os créditos. Até o rio ao lado da vila tem mais força de vontade de mudar seu curso do que os cegos pela fé. Faltou ai muita fé em si próprio.
Selton Mello e o Seu Feliz Natal (2008) fizeram escolha. Seu colega de profissão e de cena na obra O Auto da Compadecida (2000) Matheus Nachtergaele estréia também na direção com o ambíguo A Festa da Menina Morta (2008). Geo Euzebio do CinePlayers comenta este início. “Selecionado para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2008, Matheus Nachtergaele estréia na direção mostrando a mesma coragem de seus trabalhos como ator, tencionando tabus e pousando os olhos sobre um pedaço de nossa sociedade que é pouco visitado. Chamando a atenção para a região amazônica, o diretor -- e também roteirista – opta por adentrar num de seus aspectos mais fundamentais: a fé. (…)A direção de Nachtergaele demonstra um parentesco direto com o cinema do amigo Cláudio Assis, valorizando a crueza, o sangue e a carne, a humanidade não-maquiada e natural. As cenas da morte da galinha e do porco são bons exemplos disso e estabelecem o paradoxo entre uma humanidade plena e deificação de um rapaz. Delicado foi perceber o quanto o diretor esteve encantado com seu primeiro filme nas muitas inserções de seqüências aparentemente sem utilidade para o enredo, demonstrando mais a fruição estética de alguém que pela primeira vez teve a oportunidade de mostrar aos outros os caminhos que percorrem seu olhar e sua atenção. A música tema da menina assim como a fotografia de Lula Carvalho compõe muito bem a ambiência da trama. E Daniel de Oliveira, numa atuação quase sempre acertada, derrapa em alguns momentos difíceis de um personagem difícil, sem por isso deixar de merecer nosso crédito.” E Luis Carlos Merten em seu blog no Estadão dá o seu pitaco incisivo. “Não sou o maior fã de A Festa da Menina Morta -- aquele universo primitivo de crenças, em que a religiosidade histérica do Santinho (personagem de Daniel de Oliveira) sufoca as pessoas -- mas ele próprio é vítimas de seu mito -, me parece muito fechado. Não consigo entrar. Em compensação, curti mais o que já havia me atraído antes. Matheus trabalha as cenas quase isoladamente. Uma das melhores nem tem função narrativa -- é aquela em que o índio chama para a dança seus amigos (e que foi aplauidida durante a projeção). Adoro aquela cena, mas tem outra que me parece ainda melhor, um plano-seqüência com Daniel de Oliveira e Cássia Kiss, em que ela, como a mãe que partiu, volta para um diálogo decisivo, que atormenta o filho e o fragiliza. Daniel fica ao fundo, Cássia em primeiro plano. E ela fala sobre homens fortes e fracos, sobre a sua necessidade de se sentir dominada e, na realidade, percebemos que tudo o que ela diz de si revela o filho, sua ambivalência. Matheus trabalha tanto as cenas -- em textura e intensidade -- que às vezes me parece que o tecido dramático do filme, a sua narrativa, fica meio esgarçado, mas de qualquer maneira foi uma experiência e tanto assistir ao filme de novo. “A Festa’ é forte. Tem aquela cena em que o Santinho é sodomizado pelo pai, com quem mantém uma relação incestuosa. Ela pode ser considerada chocante, mas a mim incomoda muito mais o som da chuva incessante, como mais tarde o som da matança do porco será levado ao limite do (in)suportável, provocando uma das tantas explosões de histeria do personagem de Daniel de Oliveira.” No mínimo polêmico.
Tem um ditado que diz: “Qual é a melhor coisa do mundo” Mulher. E qual a pior? “Um homem sem mulher.” O filme A mulher invisível, segue uma premissa diferente: De que o homem sem mulher é capaz de encontrar sua mulher interior, e assim, terá a mulher perfeita. E existe mulher perfeita, tirando a Mallu Mader? Seguindo os passos de Pedro (Selton Mello) que transou com várias mulheres reais até chegar a sua Amanda (Luana Piovani), uma mulher nota 1.000, versão 2009, uma ilusão criada pelos seus 3 meses de isolamento de Pedro, sugere que a sorte nos relacionamentos depende muito do grau de afinidades entre o casal seria o ponto chave. Eu duvido que algo assim exista, até porque seria insuportável, se relacionar com uma pessoa que gosta exatamente das mesmas coisas que você, muito embora, ser gata, torcer pelo Flamengo e gostar de ir ao cinema, não seja nada mal. A minha amiga Mariana Bonfim achou machista, mas acho que a problemática do filme vai muito mais longe. A de que ninguém, homem ou mulher, encontrará o ser perfeito. Aí que vemos a importância da coadjuvante que rouba a cena a vizinha Vitória (Maria Manoela), casada com um policial nada afetuoso e romântico, se interessava mais em escutar a rotina de seu vizinho Pedro, sendo ele o sonho do cara perfeito, ou seja, seu Homem Invisível. E numa virada espetacular de roteiro acaba assimilando as características de Mulher Invisível também, e acho uma pena o filme não ter segurado a peteca, para cair na tentação do final feliz, no fim das contas algo “querido pelo público”. Como esse filme destrincha desejos, impressionante sabe. E porque não falar também da participação relâmpago de Marina (Maria Luisa Mendonça), estopim para os devaneios de Pedro (Selton Mello), uma mulher cuja monotonia no relacionamento, a fez escapar da relação com um estrangeiro. Ela até diz uma frase bem relevante: “Você não me enxergava. Você enxergava só o seu sonho. Eu era invisível para você”. Para mim, A mulher invisível é isso: A eterna busca no próximo daquilo que queremos, esquecendo o que o próximo realmente quer.
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Eu acabei de chegar da sessão do filme Exterminador do Futuro: A Salvação, e tenho dúvida em qual rumo devo seguir nesse texto, se levando em consideração que é uma continuação de uma franquia que eu adoro, ou tentando extrair alguma boa qualidade do filme que acabei de ver. Comecemos por tentar extrair alguma boa qualidade, pois aí eu gasto todas as minhas forças para dizer o porquê não pode ser considerada uma continuação. Exterminador do Futuro: A Salvação é um filme de ficção científica, apenas razoável, frente, por exemplo, ao magnífico Star Trek. No entanto, é interessante, para você que nasceu no ano de 1991, e nunca viu, nenhum filme da franquia Terminator. Afinal, o ambiente, não é no espaço sideral, como o Star Trek que já falei, ou mesmo Star Wars, que no caso, você com 18 anos, amante do cinema já deve ter se interessado por essas franquias, e achado bacana um filme que diz que daqui à 9 anos as máquinas já terão dominado a Terra, por um holocausto que teria ocorrido em 2004, isso porque foi adiado, pelas ações de John Connor, senão teria ocorrido em 1997. ?Uma mentira de cada vez?. Ok, você nasceu no ano do melhor Terminator, e acabou de ver um filme, pós apocalíptico, cujo personagem mais interessante não é o tal do John Connor, cujo nome é dito a cada minuto, mas sim Marcus, o cidadão que sofre a pena de morte, e que você vê morrer, por algum motivo reaparece no futuro, se encontrando com um garoto, que por um motivo não muito claro, é pai do John Connor, John Connor, John Connor, desculpa a repetição, é que o filme é assim, a exemplo do péssimo Hannibal, em que para convencer que o personagem realmente era quem era, fazia-se isso a toda hora. E devo dizer que o esporro no set de filmagem que se tornou público, extrai muito mais emoção do Christian Bale do que nas cenas vistas no filme. Edward Furlong com todas as suas limitações era um John Connor muito mais sagaz desarmado do que o apresentado por Christian, que só remete ao daquele filme lá pelo final, que ainda será o melhor de todos. Agora porque não pode ser considerada uma continuação: Muito aquém do que eu esperava. O momento das motos saindo das pernas do robô gigante, foi o momento agora vai!, mas não foi. Antigamente, os recursos eram limitados, mas se fez muito mais de forma orgânica do que esse apelo para o CGI. E o “I’ll be back”, foi o momento agora chega de levar a sério esse filme. Os 3 filmes anteriores sempre conseguiam terminar(olha o trocadilho), de forma emocionante, com um texto final primoroso. Nesse, foi um whatever, sem noção a última frase do John Connor. Se fosse um piloto de série até ia, melhor que Sarah Connor Chronicles, realmente é, mas não é série, é longa metragem!!! A menininha muda estava ali não sei muito bem porque, alguma referencia, ao primeiro filme, por assim dizer? Ou é mais um ciborge infiltrado, será? E porque T 800, se a Skynet é capaz de criar um Marcus? Bastava clonar. Realmente concordo com a frase do cartaz. O fim começa. E a gente conclui que A Salvação está nas máquinas, pois tirando o 1.° filme, é sempre um ciborge bacana que salva a humanidade. Olha no meu ranking piores do Ano: 1.° Wolverine, 2.° Spirit e em 3.° Ext.do Futuro: A Salvação.
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Ao final da exibição em cabine do longa Hannah Montana – O Filme (2009), virei para minha priminha (agora com 11 anos) e indaguei para ela: “Deixa eu ver se entendi direito. A cidade inteira viu que ela tirou a peruca loira, revelando sua verdadeira identidade. Mesmo assim todos pediram para ela colocar a peruca dizendo que ela fica melhor assim e prometendo guardar o segredo dela. A cidade inteira?!” “Sim, isso mesmo” ela me confirmou. Fiquei indignada e depois me recordei que esta péssima peça cinematográfica nada mais é do que o fruto da máquina de dólares Disney. Sim aquela capaz de fazer obras-primas como A Bela e a Fera (1991) mas também de verdadeiros caça-níqueis como a Hannah Montana. É uma tristeza, pois a protagonista interpretada por Miley Cyrus tem uma bela voz e talento genuíno para compor. Porém, quando coloca a peruca vira mais uma pop-starzinha pronta para sumir ao primeiro escândalo. Uma lástima. Tristeza maior é ver que o público majoritariamente fisgado por essa bobagem são os pré-adolescentes, aqueles pequenos seres que não se acham mais crianças, mas que ainda não adentraram totalmente nos conflitos da adolescência. Valorizar uma heroína que prioriza esconder seu verdadeiro “Eu” atrás de uma peruca em prol de fama e fortuna é uma verdadeira desgraça. Bem, fica aqui meu apelo: “Poxa Miley, você na versão morena é tão autêntica e talentosa, tira essa peruca, vai!” Até minha priminha hipnotizada concordaria.
De acordo com a crítica Hannah Montana – O Filme (2009) extraiu opiniões distintas da crítica. De um lado temos os que não gostaram da mensagem de consumismo estampado, como Celso Sabadin do Yahho! Brasil Cinema “O filme me incomodou um pouco. Explico: até as cenas finais, tudo vai bem. O filme mostra que Miley Cyrus, a garota comum por trás da pop star Hannah Montana, está ficando diferente, fútil e consumista, com a fama subindo-lhe à cabeça. Um caso típico de criatura engolindo o criador. Seu pai, então, decide lhe aplicar um corretivo: confina a menina por duas semanas no sítio da avó, onde deverá aprender a valorizar novamente as coisas simples e verdadeiras da vida. Lembra um pouco os roteiros de Doc Hollywood – Uma Receita de Amor ou Carros. Até aí, tudo conforme previsto. Previsto até demais, diga-se. O problema é que, na cena final (não vou contar), torna-se bem clara a mensagem de que é muito melhor fantasiar-se com uma peruca loira e fingir ser Hannah Montana do que voltar ao anonimato e ser autêntico. A história dá um “dane-se” para a autenticidade e para os valores mais reais da vida, e prega que o importante mesmo é ser famoso. Pelo menos foi assim que eu percebi o filme.” Na outra vertente, temos Mau Saldanha do Cabine Celular que valorizou positivamente o filme por incentivar um retorno as origens. Com ou sem a peruca? Pelo visto a criançada já decidiu!
No último dia 3 de Junho faleceu de forma ainda totalmente obscura e misteriosa, o ator californiano David Carradine. Fiquei demasiada triste e chocada, me sentindo uma pequena gafanhota órfã do Grande Gafanhoto! Cito o nome deste inseto pois Carradine, nascido em uma família de outros Carradines atores foi lançado ao estrelato pela série Kung-Fu que teve 4 temporadas entre 1972 e 1975. Um guerreiro do templo chinês Shaolin que vai para a América para usar o que sabe em prol de defender os fracos e oprimidos. Por pouco não seria Bruce Lee a ficar com o papel, mas era o destino de Carradine fazê-lo. Uma curiosidade interessante é que o primeiro papel em meio audiovisual de Jodie Foster foi nesta série aos 12 anos! (Para ver o vídeo clique AQUI) Mas o ator não ficou restrito ao universo da pancadaria. Com uma lista de mais de 200 filmes no currículo, deixando com sua morte 7 trabalhos inéditos, Carradine teve a imensa honra de ser dirigido por 2 grandes cineastas que admiro muito. Um deles foi o sueco Ingmar Bergman no longa O Olho da Serpente (1972) no qual Carradine faz o papel principal contranecenando com a belíssima Liv Ullmann. E o outro diretor foi o americano Quentin Tarantino, responsável por fazer com que a minha geração conhecesse o californiano. Em Kill Bill vol. 1 (2003) vemos apenas as mãos de Carradine sob a espada samurai e sua voz marcante. Mas em Kill Bill vol. 2 (2004) o vemos contracenando em belíssimos diálogos, como a sua clássica fala do Superman que pode ser vista no link abaixo. Apenas para falar um pouco mais da obra, penso que Tarantino foi muito mau compreendido nela. Primeiro que o correto seria termos apenas um volume, mas as questões comerciais falaram mais alto e tivemos essa dilaceração da obra em duas partes lançadas com a diferença de 1 ano entre uma e outra. Em segundo lugar, ninguém soube compreender muito bem a proposta de Tarantino de releitura de clássicos japoneses. Mas na opinião desta humilde blogueira, acho Kill Bill fantástico. Sei da importância de Pulp Fiction (1994) na história do cinema. Mas Kill Bill me facinou, tocou fazendo com que eu o assistisse muito mais vezes do que Pulp Fiction. Juro, toda vez que estou chateada e deprimida vejo Kill Bill para levantar meu ânimo pela vida. Não sei se é por temos uma mulher, mãe, forte e determinada como protagonista, a qualidade na trilha sonora, a presença de um anime no meio da história, mas pra mim Kill Bill é sim a grande obra–prima de Tarantino infelizmente mau compreendida. Voltando a Carradine deixo aqui registrada a promessa de ver todas as temporadas e todos os episódios de Kung Fu. Mas fica o pedido e a recomendação: Vejam Kill Bill sem preconceitos e amarras de rótulos!
Para resumir o que a crítica negativizou sobre Kill Bill na época, selecionei este post do Blog Cinema e Pipoca que nos conta sobre os dois volumes. “Ok, QUENTIN TARANTINO têm grandes idéias, projetos inovadores e ousados, desmestificou padrões e salvou Miramax da falência com PULP FICTION. Nesta nova empreitada, quis homenagear produções marciais do Oriente, filmando pesadamente várias cenas, entregando aos espectadores algo violento e sanquinário, decorado com referências pop e humor negro, típicos do diretor. No primeira (e melhor) episódio, UMA THURMAN (O PAGAMENTO), passa desenvoltura como noiva em busca de vingança. O roteiro -- dividido em capítulos é deleite -- principalmente na luta contra LUCY LIU (AS PANTERAS), mescla seqüências em animês, para satisfazer fãs e o próprio TARANTINO. Mas é no segundo volume que o diretor tenta, em vão, representar nuanças reais dos clássicos japoneses, porém Hollywood não tem os cacoetes nipônicos e de quebra, violência estilizada e diálogos, tornam-se demasiadamente tendenciosos. No desfecho seco e rápido, contra seu marido (interpretado por DAVID CARRADINE), THURMAN minimiza toda expectativa criada para o confronto final. Apesar do relativo sucesso, KILL BILL (que antes do lançamento era esperado como novo PULP FICTION), é apenas outra obra do ex-gênio por trás de CÃES DE ALUGUEL.” Para finalizar, um divertido vídeo que conta a história de Kill Bill em 1 minuto.






















