Certas coisas, um tanto injustas, que disseram sobre Watchmen se casam perfeitamente com The Spirit. The Spirit não é um filme. Não veja The Spirit se não quiser se aborrecer. No meu caso, não foi aborrecimento, foi decepção mesmo. Não há no filme as malandragens de Frank Miller, como seu conhecimento profundo sobre armamentos e táticas militares. Eu gostaria de ver mais Frank Miller no filme, e as únicas coisas que me remeteram foi as mulheres estonteantes, um belo time aliais: Paz Vega, Scarlett Johanson e a boa em tudo Eva Mendes. Mas, não basta, mulheres e violência para uma boa estória de Frank Miller, falta o mojo, o fator surpresa que não tem. O Frank Miller consegue desconstruir personagens muito bem, mas o seu roteiro… Caraca, não salva o filme de jeito nenhum. A narrativa é boa, é célere e não entediante, mas…puff!!! É tão destituída de mistério. É ridículo quando o Spirit, fica com aquele discurso, “My city screams. My city…”. Sabe, whatever, a cidade dele são as paredes dos prédios e não as pessoas. Não há de ter apego a uma cidade assim. A cidade é vazia, cara, uns dois figurantes além dos policiais e mais nada. O Frank Miller poderia ter feito uma homenagem ao Copland do Stalone, a cidade dos policiais. Mas, não. Ele diz, “Sou o Spirit”, e daí? Sabe o mal que eu vi. Se o cara, era palerma, como lutador, então no mínino deveria ganhar pela inteligência. E ele não é, pelomenos no filme, esse prodígio todo. Só quando usa da sedução para se dar bem, já que a cidade é desabitada, então o cara sendo o único homem era com ele mesmo. Samuel L. Jackson, no mínimo deve ter se divertido fazendo esse filme. É o alívio cômico mais veemente do filme, já que os carecas de camisa branca com aquele sorriso idiota no rosto, quase me fizeram sair da sala de exibição. Um negão com uniforme nazista não é para qualquer filme. Repare que sempre há uma referencia explicita ou escondida ao nazismo nas obras de Frank. Por que será? Mas, novamente digo, as mulheres são o grande beneficio desse filme. Gostei da Scarlett fazendo papel de má, combina sabe. Eu estou dizendo isso, pois vi poucos filmes com ela, vi Encontros e Desencontros e… Só. A técnica copiada de Sin City, está lá a toa. Não tem o mesmo impacto de forma alguma, até por a trama ser muito aquém. Repetindo as injustas palavras de quem viu e não gostou de Watchmen, repito em relação ao The Spirit: Leia o quadrinho e esqueça o filme.
p.s.1 Deveriam ter chamado o Warren Beatty não para atuar mais para dirigir o filme The Spirit, pois ele repetiria como fez em relação a Dick Tracy uma melhor caracterização do personagem, com todas as suas cores e climão de época.
p.s.2 Acho que o Spirit deveria ser interpretado por Mel Gibson. Quem viu O troco, entende porque.
p.s.3 O The Flash mora na mesma cidade que o The Spirit, Central City. Acho que seria um crossover maneiro se o Flash desse uma ajudinha no final ao Spirit, mas assim sem aparecer o personagem só aquele vummm!! Sabe qual é?
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
Depois de mais de 50 anos a frente das câmeras Clint Eastwood se despede do foco da câmera em Gran Torino (2008), pois agora sua intenção é apenas prosseguir com a direção de longas, algo tão bem sucedido em obras como Sobre Meninos e Lobos (2003) e Cartas de Iwo Jima (2006). Mas penso que Clint escolheu um péssimo roteiro para encerrar suas atuações cinematográficas. Gran Torino é uma história altamente americanoide recheada de clichês. É daqueles filmes em que ao visualizar as primeiras cenas você já consegue determinar o final. Sim o final de Gran Torino é óbvio, pois é possível adivinhar logo de cara quem vai herdar o velho carrão de Eastwood ao final das contas, basta ser um pouco esperto. Que diferença no roteiro de outro longa de Clint, o Menina de Ouro (2004) cujo final é altamente surpreendente! Outro ponto fraco é a atuação dos atores secundários, a exceção do excelente Christopher Carley que interpreta o Padre que insiste em arrancar uma confissão do personagem de Clint. Tanto os atores que interpretam a gangue, quanto os vizinhos, são todos muito fracos. Sei que a intenção do diretor era captar pessoas das etnias retratadas, mas um pouco mais de treinamento nestes traria uma performance melhorada. E finalmente vamos a interpretação máxima que é a que nos interesse, a de Clint Eastwood por ser justamente uma despedida. Clint arrasa, pois o personagem é feito sob medida para tudo que ele viveu em sua longa carreira. Sarcástico, violento, um grande anti-herói que está na aposentadoria e vive seu momento derradeiro. E é isto, apenas isso que vale Gran Torino, para dizer adeus a esta verdadeira lenda cinematográfica.
Até que se faça o contrário Gran Torino (2008) é o último longa de Clint Eastwood a frente das câmeras. Vejamos o que a crítica achou disto, a começar com o blog Fora de Cena. “Clint Eastwood disse recentemente que irá deixar o mundo da representação, e que o último filme em que participará como actor será em Gran Torino. É uma notícia que me deixa destroçado, pois embora não tenha acompanhado todos os filmes deste senhor (pois antes de eu nascer, já ele fazia filmes), Clint é sem dúvida um dos meus actores favoritos. Clint resolveu terminar em grande a sua carreira como actor, e para isso apresenta-nos um filme ao estilo Old School, que tão bem sabe fazer.(…) Este é o género de filme, que transmite uma realidade pura e dura, duma América em mudança e de adaptação para alguns (a maior parte das cenas foram filmadas no Estado de Michigan). Para aqueles que gostam de finais felizes, é provável que não achem o final de Gran Torino o mais adequado, mas é um final credível e muito pouco fantasioso, mas ao mesmo tempo, um pouco previsível. (…) Gran Torino é a prova de que com pouco dinheiro, uma história simples mas bem construída, e dedicação, é possível fazer um grande filme. Aprendam com o Clint pois ele não durará para sempre (infelizmente).” O blog Moviesense também exalta do filme despedida de Clint. “Clint Eastwood é um fenômeno. Em muitos sentidos. (…) Quem diria que o homem que conseguia fazer poucas expressões enquanto atuava, o que os críticos chamaram de quase inexistentes recursos dramáticos, se transformaria, depois, em um grande cineasta. Gosto do estilo Clint Eastwood. Artista completo e interessado por muitos elementos artísticos que compõe o cinema -- como antes foram gênios do grau de Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick) -- ele se intromete nos detalhes de seus filmes, da trilha sonora à produção, do planejamento das cenas até detalhes nas linhas dos roteiros. E agora ele diz que vai parar de atuar. Gran Torino, até que se prove o contrário -- nunca se sabe quando um artista pode voltar atrás em uma decisão -, é o testemunho do ator Clint Eastwood. E que testemunho! A sua maneira o homem desconstrói alguns dos principais baluartes dos Estados Unidos -- e, porque não dizer, da cultura ocidental. Vejamos: família, Igreja, serviço à pátria, aceitação da multiculturalidade, entre outros elementos que nos formam e definem. Eastwood mistura cinismo, crítica e uma certa dureza para criticar o discurso vigente e mostrar que os tapetes por aí guardam mais sujeira do que as pessoas gostam de admitir.” Agora é esperar essas mesmas características que tanto o encantaram na sua atuação prossiga na sua sempre exaltante direção.
O diretor norte-americano Ron Howard é praticamente uma cria de Steven Spielberg, não apenas por usar um boné que esconde a calvície, ao mesmo tempo em que proporciona um charme nerd. A trajetória cinematográfica de ambos é bastante similar. No caso de Howard, em seu currículo tem-se desde filmes “sessão da tarde” como Splash – Uma Sereia em Minha Vida (1984) e Cocoon (1985), até aqueles blockbusters muito americanoides como Apollo 13 (1995). Uma Mente Brilhante (2001) foi seu marco e consagração do Oscar em um filme de grande expressão artística. Mas então veio mais um filme para se alavancar o orçamento, O Código DaVinci (2006) que ficou muito aquém para os fervorosos fãs do livro, como eu. Que venha Anjos e Demônios sem os “mullets” de Tom Hanks. Nesse meio tempo Howard produziu e dirigiu em singelo filme denominado Frost/Nixon (2008), cujo tema é tão especificamente estado-unidense quanto Apollo 13. O republicano Richard Nixon foi presidente dos EUA durante a Guerra do Vietnã e em seu segundo mandato penou durante o escândalo de Watergate, no qual foi acusado de se envolver em um plano de espionagem das ações de campanha do partido democrata. Com a possibilidade de sofrer impeachment, renunciou e nunca mais conseguiu retomar como figura pública de respeito. Na outra ponta temos o britânico David Frost, apresentador de programas de televisão popularesco que, desejando tomar um rumo sério na carreira, resolve entrevistar o ex-presidente sobre o escândalo de Watergate. Para melhor dimensionar o contexto da entrevista imagine se Gugu Liberato após anos a frente do Domingo Legal resolvesse entrevistar Paulo Maluf o pressionando sobre seus infinitos escândalos de corrupção. Teríamos de um lado um apresentador popular, mas politicamente ingênuo, enfrentando um senhor político que responde o que quiser nas perguntas feitas. Montado o palco, temos o embate. Engolido no Oscar pelo fenômeno Jamal, resta aqui destacar a maior injustiça feita pela Academia, a de não premiar Frank Langella, intérprete de Nixon. Basta assistir os vídeos abaixo, a de trechos da entrevista original e do trailer do filme, para se arrepiar com a sua aula de atuação shakesperiana. Em certos momentos fica difícil delimitar se a sua atuação que foi brilhante ou o personagem do fracassado que tenta voltar à tona é que lhe dava a chance para se destacar. Fica a pergunta no ar…
1977, EUA. Acontecimentos político escandalosos ainda assombram a nação norte – americana após Watergate. Imagina se eles tivessem tido primeiramente a idéia de enfiar dólares nas calçolas, só brasileiro mesmo para ser tão criativo. Pablo Cordeiro no Cinema com Rapadura brinca com esta atemporalidade na temática de Frost/Nixon (2008). “Escutas telefônicas, corrupção política, invasões domiciliares, abuso de poder, mídia de audiência e dinheiro fácil. Não, não estou falando das últimas décadas da política brasileira. Em Frost/Nixon, o diretor Ron Roward leva aos cinemas a famosa e impactante entrevista que o então ex-presidente norte-americano Richard Nixon concedeu (ao custo de 600 mil dólares mais publicidade) ao apresentador britânico de talk-show David Frost. (…) Esta é reconhecida por muitos como a entrevista política mais significativa de todos os tempos e os protagonistas, desde o início, deixam claro que ela é sua última chance de sucesso. Frost vê a chance de retornar como apresentador de grandes programas de televisão, abandonando o sensacionalismo dos talk shows na Austrália e Inglaterra. Nixon espera que a exposição possibilite seu retorno ao cenário político, para que finalmente possa erguer a cabeça perante o povo americano.” No blog O Embasbacado ainda há um link crítico com o fim do mandato Nixon com o atual momento político onde Bush dá adeus sendo “saudado” com sapatadas. “Lançado nos cinemas ao fim da presidência mais controvertida dos últimos tempos, Frost/Nixon retoma a imagem do presidente Richard Nixon, que renunciou ao cargo máximo dos Estados Unidos em 1974, depois do escândalo de Watergate. Dirigido por Ron Howard, de Uma Mente Brilhante, o filme traz à tona questões interessantes sobre o papel das aparências na mídia e sobre a importância da dialética para ganhar um debate, mesmo que você esteja errado. (…) Frost/Nixon é um grande filme de boxe, em seu melhor sentido. Toda a película é dividida em quatro rounds de perguntas e respostas, com Frost tentando atingir o ex-presidente e Nixon se desviando e contra-atacando com mais força. Nos intervalos, ainda somos apresentados às equipes de ambos os oponentes discutindo melhores estratégias, como o treinador de Rocky Balboa. E, ao final, quando o mocinho estava apanhando há muito tempo, ele desfecha um golpe mortal que vira a partida e derruba Nixon de nocaute. A multidão vai à loucura! Metáforas à parte, o filme é uma bela disputa dialética entre os protagonistas.” Disputa de poderes, disputa de verdades. Quem não sobrevive a elas, perece por toda eternidade.
Milk – A Voz da Igualdade (2008) de Gus Van Sant foi concebido para polemizar. Ainda bem, afinal nossa sociedade atual apesar de dizer que aboliu o preconceito as diferenças ainda torce o nariz ao ver pessoas do mesmo sexo andando de mãos dadas em um shopping de metrópole. Quanta hipocrisia. Mas de todas as polêmicas que vi serem levantadas a mais revoltante de todas foi a publicada no blog ZeroOitocentos. O blogueiro Mestre Zen relata o fato do dublador Marco Ribeiro se recusar a dublar Sean Penn em Milk por ser pastor evangélico. Por incrível que parece o mais impressionante não foi a postura do dublador, e sim a chuva de comentários que o post recebeu. Até o momento em que escrevo, o marcador contabiliza 94 comentários, muito deles pesados, necessitando de um estômago forte, tamanha a quantidade de preconceito que certas palavras emanam. Parabéns ao Mestre Zen por, na medida do possível, rebater os comentários mais ofensivos. Bem, voltando ao longa, penso que Milk cumpre bem seu papel em documentar a vida de uma pessoa que não morreu em vão. Mais que um mártir, Milk é um marco na luta política das minorias. Veja bem, das minorias e não para as minorias, afinal ela acordava suas táticas políticas com caminhoneiros, comerciantes, etc. e não apenas membros da comunidade GLS. Um exemplo de que a democracia está acima de interesses individuais e particulares, devendo-se valer a partir de um consenso geral e consenso não é necessariamente o que a maioria acha, mas o que a maioria concorda. Fica registrado aqui o Oscar de melhor Roteiro Original para Dustin Lance Black e o de Melhor Ator para Sean Penn, a única surpresa nesta última edição do prêmio da Academia. Muitos críticos apostaram todas as suas fichas em Mickey Rourke por O Lutador (2008) só que ao Sean Penn faturar o prêmio muitos desses críticos apoiaram a escolha da academia, pois afinal Rourke interpretou a ele mesmo enquanto Penn conceberá tão bem uma persona oposta a sua personalidade. E o que eu acho desta escolha da Academia? Não posso opinar completamente pois de todos os que concorreram a melhor ator não assisti O Visitante (2007) com Richard Jenkis. Porém você poderá tirar alguma conclusão nesse sentido ao ler a minha crítica a Frost/Nixon (2008). Aguardem… Enquanto isso aproveite o trailer de Milk.
Difícil calcular o impacto de uma produção como Milk -- A Voz da Igualdade (2008) para a sociedade americana pois ao mesmo tempo que se elege Obama como líder de um novo país tolerante ao mesmo tempo que restringe o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tiago Marin do Blog Cinefilando debate os novos tempos que os EUA vivem, onde agora na era Obama impera a tolerância. Será? “É nisso que Milk -- A Voz da Igualdade atinge em cheio. Uma trama dos anos 70 que serve como uma ferramenta política pesadíssima para o presente. Que o discurso de Sean Penn e do roteirista Dustin Lance Black no Oscar não deixem dúvidas. E será que já houve alguma reação? Na entrada do Academy Awards 2009 havia protestantes religiosos que atacavam o filme e os envolvidos com ele, inclusive havia uma placa HEATH LEDGER BURN IN HELL (referência óbvia ao seu papel gay em O Segredo de Brokeback Mountain). Aqui, o dublador corriqueiro de Sean Penn se recusou a dublar o filme Milk, por ser evangélico. Em épocas de Yes we can! o filme faz uma pergunta pesada. Can we? E a resposta atual é negativa.” Em A Grande Arte do blogueiro Weiner debate as qualidades técnicas do filme ganhador do Oscar de Roteiro Original e Melhor Ator. “É bom perceber mudanças em Hollywood, já que há alguns anos atrás, um filme como Milk -- A Voz da Igualdade, dificilmente receberia tantas ovações por parte da crítica especializada. Apoiando com extrema lealdade a causa a qual se propõe, o filme encanta principalmente pelo realismo, já que não se prende em clichês e muito menos em hesitações. Milk não diminui a marcha na subida. Ele tem pressa. E, abusando da ousadia e da veracidade, acaba chamando a atenção. (…) Seria impossível levar uma história tão documental ao cinema se não se dispusesse de um roteirista habilitado, um diretor competente e, principalmente, de um elenco disposto a entregar-se de corpo e alma. Em Milk -- A Voz da Igualdade existe a coalescência perfeita entre estes três eixos -- o que culmina num material rico, interessante, ousado e profundamente profissional.” E finalmente no blog Cinema e Argumento de Matheus Pannebecker Há uma crítica a respeito da postura tomada por Gus Van Sant em seu primeiro filme explicitamente homossexual. “Se existe uma coisa que eu detesto é ser enganado por trailer. Confesso que eu tinha me empolgado muito com o trailer de Milk -- A Voz da Igualdade. Achei que veria uma humanização da luta por direitos, uma história que passasse emoção e me fizesse sentir encorajado a lutar por qualquer tipo de causa. Não aconteceu isso. Vi um longa regular, sem nenhuma cena marcante e com poucos aspectos realmente excelentes. O que importa aqui é a atuação de Penn, a figura visualmente mais empenhada na produção e um dos poucos que transmite bastante qualidade no resultado. O primeiro filme abertamente gay de Gus Van Sant é uma decepção. O diretor se vendeu e realizou um filme preso em formatos para satisfazer a crítica. Exatamente como fez anos atrás em Gênio Indomável. O resultado, então, de Milk -- A Voz da Igualdade pode até ser positivo mas nunca será estimulante.” E talvez tenhamos até passado da fase de estímulos para partir para a ação… Pelo menos é o que deveríamos fazer.
“Ando devagar porque já tive pressa / Levo esse sorriso porque já chorei demais / Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe / Só levo a certeza de que muito pouco eu sei / Eu nada sei / Conhecer as manhas e as manhãs, / O sabor das massas e das maçãs, / É preciso amor pra poder pulsar, / É preciso paz pra poder sorrir, / É preciso a chuva para florir…” O Menino da Porteira (2009) do cineasta paulista Jeremias Moreira Filho já começa assim, com a poética canção Tocando em Frente de Almir Sater e com um belíssimo plano-geral da boiada sendo tocada rumo a fazenda de Ouro Fino. Parabéns ao diretor de fotografia Pedro Farkas pelo êxito. As paisagens que serviram de locação ao longa são as de Brotas e Corumbataí no interior do Estado de São Paulo. É muito bonita a forma como a câmera passeia deliciosamente nos conduzindo a 1954, tempo em que o país era mais caipira que urbano e todos apreciavam um gostoso bolo de fubá com café enquanto se proseava com os compadres e comadres. Além de Almir Sater temos na trilha sonora Disparada de Jair Rodrigues e O Menino da Porteira de Sérgio Reis. O cantor que outrora fora o protagonista deste mesmo longa deu lugar ao sertanejo Daniel, certamente o pior no filme por ser um ator despreparado. Poderia ter se restringido a apenas cantar o que seria menos constrangedor para ele e quem assiste. Já o restante do elenco cumpre bem seus papeis, como Vanessa Giácomo, José de Abreu e Rosi Campos. Fiquei satisfeita de ver o ator Eucir de Souza no elenco, pois havia visto apenas uma atuação sua no curta Palíndromo de Philippe Barcinski e apreciado muito seu trabalho. Se Daniel se mostrou então um problema na avaliação geral do filme, outra questão que também prejudica o desempenho do longa é no que diz respeito a sua distribuição. O Menino da Porteira é cativo para quem se identifica com a vida simples do campo, tem lembranças delas aliadas ao fato de apreciar música sertaneja e filmes de faroestes. E certamente o públicos de grandes cidades, apreciadores do fast-food americano e dos cinemas de shopping Center não são o público do filme. O Menino da Porteira foi feito especialmente para as pequenas cidades do interior onde este modo de vida ainda se preserva, mas nestas cidades não há mais salas de cinema se é que um dia elas o tiveram. Uma pena então que um filme feito para este público não tenha chegado até ele. Vale chamar a atenção dos investidores para não deixar estas cidades carentes de cultura cinematográfica. E se eu reclamei da atuação de Daniel no longa, pelo menos fora dela ele fez uma ação muito interessante: reconstruiu o cinema de Brotas, sua cidade natal especialmente para a estréia do filme. Que sirva de exemplo… Enquanto isto, vamos tocando em frente!
Difícil dizer que O Menino da Porteira (2009) tenha dividido as opiniões críticas pois todas foram absolutamente tendenciosas para o lado negativo. Luiz Carlos Merten em seu blog no Estadão comenta brevemente em um post o que achou e não achou do filme. “Fui atropelado, metaforicamente, pela pré-estréia de O Menino da Porteira, que começou com uma hora de atraso e este foi o menor dos problemas. O problema é o próprio filme, cujo parentesco com 2 Filhos de Francisco é tão remoto quanto… Sei lá o quê. (…) O filme não é bom e nem bem-feito, embora seja bem fotografado (por Pedro Farkas), o que é bem diferente.” Juliano Mion do CinePlayers destrincha mais os motivos que o fizeram não apreciar o longa. “Existem diversos fatores em O Menino da Porteira que sugerem que este deva ser um filme de gosto duvidoso, obra evitável por qualquer cinéfilo que leva a sétima arte com mais seriedade. O longa é protagonizado pelo cantor romântico-sertanejo Daniel, é uma refilmagem do original de 1976 (ainda que conte com o mesmo diretor), apresenta uma história baseada na letra da música caipira homônima e de quebra ainda tem um roteiro previsível envolto por uma trama que chega a ser irritante de tão clichê. Sem contar com o aspecto oportunista que ronda a produção, uma vez que parece ser uma tentativa de pegar carona com o megassucesso de 2 Filhos de Francisco, além de usufruir do bom momento comercial em que vive a cultura sertaneja no Brasil, com pessoas de todas as regiões (mesmo nas grandes metrópoles), de todas as idades e classes sociais (incluindo aí as mais altas) entrando na onda e na modinha country.” Heitor Augusto Yahoo! Brasil Cinema foi o único crítico que encontrei que elogiou a obra do paulista Jeremias Moreira Filho. “Quem conhece os pastos desse Brasilzão, como os tocadores de moda de viola definem nossos 8,5 milhões de km², vai encontrar um retrato justo ao universo das fazendas, boiadas, mandas-chuva, bolos de fubás, extensos campos verdes. Aos estrangeiros, o filme guarda um enredo repleto de subtramas, conflitos, paixões, rancor, opressão e sequências de western à John Ford. (…)Habilmente, O Menino da Porteira salta da descrição de paisagens (longos planos dos bois e pastagens), vai para o musical (interpretações de músicas de raiz incorporadas suavemente na trama), dialoga com o romance (o mocinho e a mocinha) e desemboca em um faroeste (cenas de bang bang interessantíssimas). Um flerte com diversos gêneros que desenha um peão que fica mais interessante ainda quando se torna um caubói.” Com tão poucos elogios contrastando com tão pesadas críticas fica o receio de arriscar e conferir o filme, mas não custa nada tentar pois sempre há quem se identifique com a trama por mais achincalhada que ela esteja perante a crítica.
Em 2002 o Cinema Nacional levou um tapa na cara, um tiro nas costas ou um tropeção em uma galinha? Eu diria as 3 coisas. Cidade de Deus (2002) certamente marcou positivamente público e crítica ao mostrar que ainda havia vida inteligente em nossa produção cinematográfica. E quem seria o grande mentor responsável por isto? Fernando Meirelles, que passou de um semi-desconhecido diretor publicitário a indicado ao Oscar. Mesmo sendo um filme de 2002 a poderosa Miramax conseguiu no Oscar de 2004 aliciar a indicação do longa nas categorias Fotografia, Edição, Roteiro Adaptado e Edição. E Meirelles foi um marco junto com Sofia Copolla, ele o primeiro diretor brasileiro indicado e ela a primeira mulher. Ainda havia na disputa Clint Eastwood e Peter Weir, mas aquela noite era do senhor dos anéis Peter Jackson e o retorno de seu rei. Antes de Cidade de Deus seus longas foram Menino Maluquinho 2: A Aventura (1998) e o excelente Domésticas (2001). Depois Meirelles conseguiu abarcar projetos hollywoodianos mas que permitiram a ele um forte toque pessoal. Falo de O Jardineiro Fiel (2005) que deu a Rachel Weisz o Oscar de Atriz Coadjuvante e Ensaio Sobre a Cegueira (2008) que teve a honra de abrir Cannes ano passado. Durante as filmagens de Ensaio, Meirelles alimentou um blog sobre as experiências no set. Em sua ficha de apresentação o diretor se auto-intitula como arquiteto. Seria ele então um mentor da arquitetura da imagem? Difícil atribuiu a Meirelles todo o crédito por ser cineasta apenas por uma faculdade. Analisando sua biografia na Wikipédia podemos ver o quanto ele sempre esteve em contato com a câmera, da infância a monografia percorrendo um caminho de aprendizado da linguagem cinematográfica mais pelo empirismo do que por academicismos. E é nisso que me instiga a pensar em como se faz um bom cineasta no Brasil: background, diploma ou networking? Se alguém souber por favor me avise, pois essa é uma daquelas perguntas que podem não me deixar dormir, ou terminar um post …






















