As Favelas de Deus

cidade-de-deus-a-criticaMedir o impacto que Cidade de Deus (2002) teve perante a crítica é se deparar com relatos que exaltam as excelentes características técnicas do longa, aliado ao fato da utilização  de não-atores algo pioneiro e hoje lugar-comum nas produções nacionais. O Cine Repórter Rodrigo Carreiro exemplifica esta opinião. “O resultado é um filme empolgante. Como produto de exportação nacional, Cidade de Deus merece todo destaque: utiliza um conjunto de técnicas cinematográficas sofisticadas, mixagem de som espetacular, narrativa fragmentada com agilidade e fluidez, conteúdo social contundente, tudo mixado num filme de roteiro inteligente, que amarra várias linhas narrativas com absoluta firmeza. (…) Entre os inúmeros méritos de Cidade de Deus, um se destaca: o elenco. Pouca gente botaria fé num grupo de atores amadores, egresso das favelas cariocas, mas Meirelles fez isso. A decisão de usar atores não-profissionais, que remete ao movimento neorealista italiano (Roberto Rossellini fazia isso em 1945), é o maior trunfo do filme. Os atores emprestam ao filme uma credibilidade que nenhum outro filme (nacional ou não) ousou atingir, nos últimos tempos. Talvez porque nós, espectadores, conseguimos sempre imaginar que eles, os atores, não estão exatamente interpretando, mas reproduzindo situações que já viveram na vida real.”  Ary Monteiro Jr. do Cine Players também exalta a qualidade técnica do longa. “O melhor filme da nova geração do cinema nacional facilmente, o único que conseguiu aliar a estética publicitária com intensidade cinematográfica que estava faltando à nova safra. Ele tem o apuro técnico dos filmes do Walter Salles ou da Conspiração filmes, mas com uma crueza e verdade que remete a obras como Pixote. O filme faz um discurso sério e mostra uma realidade chocante, mas ao mesmo tempo embala o público com uma história e personagens cativantes, em um visual moderno que funciona perfeitamente com o estilo do filme. (…) Tecnicamente é perfeito, a fotografia filtrada com poucas cores é ótima, aliada a uma edição frenética e movimentos de câmera ágeis e bem planejados, mas o que me chamou mais atenção foi o áudio (…). Os diálogos são perfeitamente compreensíveis, os efeitos enchem a sala de projeção (em certos tiroteios você se sente literalmente no meio do fogo cruzado) e a trilha sonora é excelente! Os atores são um caso especial, a co-diretora Katia Lund utilizou na maioria atores amadores selecionados nas comunidades onde o filme foi realizado e devo dizer que ela fez um trabalho incrível, apesar de ser fácil de notar uma certa insegurança em alguns deles, na maioria ela consegue resultados excelentes e dá uma veracidade impressionante à história.” No blog Escreva Lola Escreva lemos a chocante visão da blogueira Lola sobre o impacto que o filme deve na classe alta, que torceu o nariz para Cidade de Deus tachando-o de “favela-movie”. “Estava conversando com meus queridos alunos adolescentes (brancos, bem-nascidos, classe média alta) sobre filmes nacionais. Eles detestam o cinema brazuca. Contam nos dedos as produções que viram na vida. Todas, segundo eles, de baixa qualidade, com temática que não os atrai. Uma aluna reclamou, não sei se brincando, que os filmes brasileiros podiam falar de temas mais americanos, mais próximos da realidade dos teens freqüentadores de shoppings. Outro perguntou: ‘Você viu um chamado Domésticas? Olha que ridículo, um filme com esse nome! Quem vai ver uma coisa assim?’.Domésticas, aliás, é dirigido por Fernando Meirelles, o mesmo de “Cidade de Deus”. (…) Fico aqui na torcida para que o filme, que foi comprado para distribuição nos EUA pela Miramax, concorra ao Oscar. Ah, dirão os de sempre, que horror, a imagem do Brasil lá fora já está terrível e vai piorar. Essa gente odeia qualquer coisa que veicule a realidade nacional. Vale lembrar: essas pessoas não detestam a realidade nacional (que elas fingem nem ver); detestam a exibição dessa realidade. Se pudessem, censurariam o filme. Ainda bem que não podem.” E não puderam. Cidade fez história e ainda influencia a atual geração de cineastas. José Padilha e Danny Boyle que o diga.

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We Don’t Need No Education

entre-os-muros-da-escola-a-blogueira
Nos meus anos morando em república no interior de São Paulo cheguei a dividir o aluguel com uma garota que cursava Pedagogia. Sempre a indagava sobre a responsabilidade que um educador possui em um país tão sem educação, além de questioná-la se ela estava ciente de que se o nível educacional dos nossos cidadãos melhorasse tudo consequentemente melhoraria: a segurança, a saúde e até a política. E a futura pedagoga sempre desconversava, dizendo que dentro da sala de aula ela, seus colegas e mestres sempre discutiam isso sem chegar a lugar nenhum e que, além disso, ela estava cansada de ouvir os seus professores ensinarem metodologias e técnicas de aprendizado impossíveis de se aplicar em qualquer sala de aula normal. Em sua formatura a música de entrada dos graduandos era Another Brick in the Wall (Mais um Tijolo no Muro) do Pink Floyd, no qual o verso principal diz: We don’t need no education (Nós não precisamos de educação). E lá se conduziam rumo ao diploma mais 30 educadores desacreditados do próprio papel. O que Paulo Freire diria…? Em 1979 com o lançamento do álbum e em 1982 do longa The Wall dirigido por Alan Parker os britânicos do Pink Floyd polemizaram ao mostrar crianças sendo reprimidas por seus mestres e depois, literalmente, quebrando e queimando carteiras, livros e até professores. A música incita a pensar que não devemos nos sentir apenas mais um tijolo descartável no muro do sistema, afinal a capacidade individual podia ir além da palmatória. Pelo visto ainda não aprendemos isso. Mas agora pelo menos temos mais uma grande arma cinematográfica para nos mostrar que as coisas estão sim erradas. Trata-se do longa francês do diretor Laurent Cantet, Entre os Muros da Escola (2008), merecidamente premiado em Cannes ano passado e infelizmente um perdedor do Oscar de filme estrangeiro deste ano. O filme tem um poder no mínimo hipnotizante. Ele não apenas levanta polêmicas a respeito da fracassada metodologia de ensino que impera na atualidade como nos provoca uma regressão mental e temporal aos tempos em que sentávamos nas apertadas cadeiras como alunos, absorvendo a sabedoria dos mestres ou ignorando as lições, cegados pela ebulição hormonal. Não importa se foi no pré da sua terna infância, no colegial da revoltosa adolescência ou na maturidade da complexa universidade. Fato é que passamos no mínimo 15 anos de nossas vidas trancafiados dentro dos muros da instituição de ensino e a cada ano que passa sinto que se formam cada vez mais tijolos desconexos que não conseguem se inserir numa pseudo-proposta de sociedade justa, igualitária e democrática. Penso que a escola pode muitas vezes se comparar a um hospício, afinal somente sendo louco para trancafiar 50 cabecinhas pululantes entre quatro paredes de uma sala de aula. É obvio que se trata de um barril de pólvora prestes a explodir, e no último dia 11 de Março explodiu na Alemanha, assim como já explodira anos antes em Columbine, um fato que se tornou o instigante documentário Tiros em Columbine (2002) nas mãos do polêmico diretor norte-americano Michael Moore. E nas mãos de Laurent Cantet a sincera mágica do cinema transformou as duas horas e meias  de Entre os Muros … em um mergulho na claustrofobia sufocante do fracasso e incapacidade. Instituição falida, valores invertidos e ética plastificada. No fim, o filme se mostra neutro, imparcial, com ausência de julgamentos, apenas se impondo como um recorte visceral desta explosão latente de fracasso. Ao final fica a inquietante reflexão de que falhamos como sociedade e que uma bomba muito maior vai explodir jogando fumaça, cinzas em tijolos em nossas cabeças, cabeças vazias pela esperança desfeita de que precisamos de educação. Precisamos, não?!

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Um Alto Nível para um Baixo Ensino

entre-os-muros-da-escola-a-criticaUnanimidade na crítica é artigo raro hoje no meio cinematográfico, mas o espantoso  poderio das polêmicas que o longa francês Entre os Muros da Escola (2008) levanta a respeito do sistema de ensino foi intrasponível para qualificá-lo de, no mínimo excelente. No Blog Cinéfilo, Eu? de Eduardo Frota temos apontamentos sobre a veia documental do longa. “É como se voltássemos aos tempos de colégio. O filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado, Entre os muros da escola, nos permite observar de perto o comportamento de alunos que frequentam uma escola pública da periferia de Paris. Diferentes etnias, crenças e valores são postos em confronto e mediados por um professor que tenta fazer a diferença.(…) (O diretor) Laurent Cantet utiliza uma linguagem bem mais realista para falar sobre um choque cultural oriundo de conflitos atuais. Com uma câmera na mão, edição ligeira e diálogos espontâneos, vai percorrendo os espaços entre as carteiras e fazendo com que o espectador se sinta como um colega dos estudantes.O roteiro é livremente inspirado no livro homônimo de François Bégaudeau, professor de francês e protagonista da adaptação cinematográfica. Pais, alunos e mestres envolvidos na trama também desempenham os mesmos papéis na vida real -- exatamente na mesma escola onde o filme é rodado. Assim, Cantet aproxima a obra de uma valorosa peça documental sobre o comportamento humano, no qual transforma uma simples sala de aula em uma polis grega. ma experiência cinematográfica realmente diferente.” Heitor Augusto do Yahoo! Brasil Cinema analisa o viés político do filme, principalmente no que diz respeito a questão dos conflitos raciais presentes na França atual. “Entre os Muros da Escola usa a classe de uma escola de subúrbio de Paris para discorrer sobre os problemas político-culturais. Um território onde o professor, François (François Bégaudau), representa o poder e a disciplina que quer impor a centralização sobre uma única bandeira – a francesa, lógico. Cada aluno que ganha voz na sala, descendente de um país diferente que foi colônia da França ou ainda é território do país, disputa um cabo de guerra entre identidade e individual e coletiva. Mas esse texto político está nas entrelinhas. Ninguém levanta um panfleto e conclama rever o colonialismo. Os tópicos são sutis e entram por meio de outros registros. Por exemplo: futebol. (…) Óbvio que o cineasta não usa apenas o futebol para chegar à política. Cantet se aproveita de sutilezas da língua e expressões preconceituosas. (…) Prepare-se, pois Entre os Muros da Escola, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, tem muito texto! Aliás, outros elementos do filme, como luz e cenário, se fazem mínimos para não atrapalhar o que cada personagem diz. E é justamente no texto que o filme guarda sua força: sair do micro, a sala de aula, para representar um olhar sobre o macro, a França.” E Marcelo Hessel do Omelete eleva o patamar de Entre os Muros ao nível que ele merece, o mais alto possível. “Toda a ação de Entre os Muros da Escola (Entre les Murs, 2008) se passa nas salas, nos corredores e nos páteos de um colégio nos arredores de Paris, ao longo de um ano letivo. Mas o filme do francês Laurent Cantet (Em Direção ao Sul) evidentemente extrapola os muros e serve de comentário sobre a realidade no país -- basta ver que não há negros e árabes (parcela significativa dos alunos) entre o corpo letivo, só na equipe de faxina. (…) Quem criticava outro documentário francês sobre ensino -- Ser e Ter (2002) -- por ser uma visão míope da França, idílica com suas escolinhas de interior e limpa de imigrantes, terá dificuldade de se queixar de Entre os Muros da Escola. Não espere, também, aquele tipo edificante à la Sociedade dos Poetas Mortos. O filme de Cantet está em outro nível.”

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O Show de Jamal

slumdog-millionaire-a-blogueira1“Resumo de Slumdog Millionaire: É quando o Show do Milhão encontra o Caçador de Pipas na Cidade de Deus.” Recebi esta mensagem pelo Twitter e na hora a frase se fixou em minha mente. Não vi O Caçador de Pipas (2007). De qualquer forma não pude deixar de levar como referência ao filme de Danny Boyle a obra Cidade de Deus (2002) de Fernando Meirelles. Câmera perseguidora e edição de alto impacto são apenas alguns dos aspectos que me fizeram recordar do longa brasileiro. Me desculpem aqueles que julgam que uma obra não tem nada a ver com a outra, porém não pude me conter ao ver uma galinha sendo seguida pela câmera por alguns instantes durante a correria dos pequenos indianos pela favela em uma das primeiras cenas do lomga. Aquilo era Cidade de Deus sim! E não julgo outros que fizeram essa mesma comparação, afinal este filme nacional foi merecidamente um marco no cinema mundial, se tornando referência para muitos outros diretores. Os 4 Oscars que Cidade apenas concorreu, Slumdog faturou em dobro. Talvez pelo filme ser parcialmente falado em inglês, ou talvez porque fosse a ‘hora-certa’ para a Academia finalmente aceitar para o seu hall um filme de visual moderno que mostra pobreza da humanidade , tanto material quanto moral, de forma nua e crua. Isso o longa inteiro, a exceção do final fantasioso e cheio de alegres coreografias, respeitando as origens bollywoodianas. Para não ficar apenas nas referências externas, pode-se tirar alguma comparação também de Trainspotting (1996), a primeira grande obra do cineasta britânico Danny Boyle. Em Slumdog temos a cena em que o nosso pequeno herói Jamal mergulha no monte de fezes para poder conhecer o famoso ator Amitabh Bachchan. A cena me remeteu diretamente aquele em que Ewan McGregor mergulha na imunda privada cheia de excrementos para pegar as drogas que caíra lá. Ambas despertam um grande sentimento de asco com um baque incrível de a que ponto o ser humano se sujeita para justificar suas necessidades físicas e psicológicas. De qualquer forma, todos os filmes que citei são verdadeiros ‘tapas na nossa cara’ quanto à realidade, e Slumdog também o faz. Diferentemente dos outros há neste longa uma certa aura mística de magia  e destino rodeando Jamal, o herói que passa a infância e juventude em prol de recuperar seu grande amor. E para isso ele não apenas enfrenta os grandes percalços que sua vida sofrida na favela impõe, como tem como maior desafio provar que não trapaceou no programa, algo tão ou mais difícil do que ter conseguido a proeza de responder as perguntas acertadamente. A primeira vez que eu ouvi falar de Slumdog Millionaire foi ao final do Globo de Ouro deste ano quando o filme, assim como no Oscar, faturou as categorias principais. Pesquisei sobre ele e descobri que não havia qualquer previsão de que o filme estreasse no país e nem ao menos uma distribuidora que estivesse a fim de fazê-lo. Agora com 8 Oscars, ele estreou em circuito comercial na última sexta-feira juntamente com o Blockbuster Watchmen (2009). Pode ser que a novela global Caminho das Índias ajude a emplacar a sua bilheteria. Espero, sinceramente, que o que atraia as pessoas ao cinema não seja os prêmios ou a temática comum a uma novela, e sim as reflexões quanto a sociedade que estamos moldando com ricas mansões que são engolidas pelas periferias que se impõe relembrando aqueles que insistem em a ignorar, que sim eu existo e estou aqui dividindo a mesma existência que você.

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Obra-Prima Subestimada ou Bomba Ovacionada?

slumdog-millionaire-a-criticaQuem Quer Ser um Milionário? (2008) pode ter sido unanimidade na última edição do Oscar, afinal de 10 indicações faturou 8 estatuetas, mas para a Crítica não houve o menor consenso. Opiniões divididas imperam e Luiz Zanin em seu blog no Estadão nos mostrou que elas ocorreram logo na cabine. (Obs. Cabine é a pré-estréia de um filme oferecido pela distribuidora apenas para jornalistas e convidados em uma sessão fechada e exclusiva) “Foi ontem a cabine de imprensa de Slumdog Millionaire, de Danny Boyle. Filme que vinha cercado de muita expectativa. (…) Notei, no final da sessão, que os colegas críticos, ou parte deles, odiaram. Um deles, influente, disse numa rodinha que, se pudesse, teria saído com dez minutos de projeção. Que exagero… Quanta bomba não é celebrada pela crítica e até transformada em obra-prima. Sim, Slumdog pode não ser nenhuma obra-prima, mas achei-o no mínimo bem interessante. Parece que o pessoal não entendeu que Boyle pretende um diálogo com Bollywood, e portanto está pouco se lixando para a verossimilhança no sentido realista, do imitatio.” O diretor Danny Boyle provavelmente deve estar ‘pouco se lixando’ para crítica como um todo, afinal ele conseguiu lotar sua sala de estar com todos os prêmios da temporada e isso já soa totalmente gratificante para um cineasta que sempre teve seu trabalho mal compreendido, afinal alguns de seus grandes longas anteriores como Trainspotting (1996), A Praia (2000) e Extermínio (2002) sempre estiveram longe de ser unânimes na rodinha crítica, às vezes até beirando a achincalhação de opiniões sobre eles. Temos como exemplo a crítica de Francisco Taunay no site Opinião e Notícia na corrente  que afirma que o diretor só se valeu deste tema atual para ser premiado. “Ver a Índia como um país miserável, onde todos os bilhões de habitantes só querem enriquecer, ver o Brasil como uma grande favela, ou uma selva, repleta de violência, ver a África como um aglomerado de selvagens que se matam entre si, juntar estas perspectivas a roteiros muito bem estruturados, onde o público se identifica com os personagens e se emociona, ganha Oscar, ganha estatueta. Imaginar mecanismos de dominação diferentes dos tradicionais é algo bastante salutar no nosso cotidiano. As imagens produzidas e superpostas transformam o nosso modo de pensar e agir. A nossa imaginação e nossas fantasias são moldadas pelas imagens e narrativas que chegam até nós, algumas em fórmulas até já gastas: É impressionante como o final deste filme se assemelha ao final de O Estranho Caso de Benjamin Button, com flashbacks que emocionam o espectador, feitos para ganhar Oscar. Esperava mais de Danny Boyle, diretor do inovador  Trainspotting (1996).” Juliano Mion do Cine Players vai na corrente oposta, elogiando as características especiais que o cineasta dá à trama.
“O grande mérito do diretor Danny Boyle neste filme, assim como em outros que já dirigiu tendo êxito como Trainspotting -- Sem Limites, é o tratamento conferido à história, ou seja, simplesmente o modo como a trama é narrada e o ritmo em que tudo é exposto. Sabiamente neste caso, embora o filme demonstre uma direção original e repleta de flashbacks, Boyle conseguiu fugir do estereótipo do diretor ‘moderninho’, que quer fazer um quebra-cabeça não-linear repleto de pirotecnias e maneirismos estéticos que são um fim e não um meio para contar uma boa história. Aqui Boyle lançar-se com uma obra tocante, persuasiva e que, em uma bem executada tripla temporalidade (detalhá-las seria fazer um terrível desmancha prazer), alcança e realça um dinamismo na sua forma que é um fator primordial para a tão alardeada qualidade desta produção. Além de ser essencial para esta história.” Breno Ribeiro do Pipoca Combo vai além, provando o quanto o pesado roteiro poderia ter se tornado um grande dramalhão na mão de outros cineastas. “Danny Boyle é um diretor versátil. De dramas psicodélicos (Trainspotting, A Praia) e comédias românticas (Por Uma Vida Menos Ordinária) a filmes pós-apocalípticos e catastróficos (Extermínio e Alerta Solar), Boyle mantém sempre uma marca. Marca essa que torna seus filmes dramáticos singulares. Nada de choros, cenas depressivas ou trilha sonora recheada de piano e violino. E são exatamente essas e outras características que criam o mais novo longa do diretor britânico, Quem Quer Ser Um Milionário?. (…)Na mão de outros diretores ou roteiristas, o filme se tornaria excessivamente dramático e pesado. Porém, Danny Boyle não é o tipo de diretor que tenta arrancar lágrimas de seus espectadores. Dessa forma, o longa se torna em uma bela e empolgante história. Com planos que descrevem com exatidão a esperança sempre constante de Jamal , (…) o diretor ainda emprega outra de suas marcas ao chamar o compositor indiano A. R. Rahman para compor a trilha. Cheia de músicas e canções empolgantes, a trilha de Rahman não se deixa nunca levar pela tristeza de alguns fatos da vida do protagonista. Com duas canções que concorrem ao Oscar desse ano, o longa ainda se dá ao luxo de deixar de lado melodias tradicionais com pianos e violinos. Exigência de Boyle.” Exigências de Boyle que não conseguiram agradar uma crítica tão exigente. Cabe a pergunta que dá titulo a este post: seria Slumdog uma obra-rima sub (ou super) estimada ou uma verdadeira bomba ovacionada? Penso que apenas o tempo pode transformar e moldar essas opiniões, para melhor ou para pior… ( e dá-lhe as reticências de Zanin)

Slumdog Millionaire (Quem Quer Ser um Milionário?) Seja o 1º a comentar
Who Watches the Watchmen?

watchmen-a-blogueira1“Quem Vigia os Vigilantes?” Esta foi a pergunta do dia na última sexta-feira dia 6 de Março. Não sei ao certo o que aconteceu, mas nos twitters, blogs, Orkuts, MSNs e afins todos comentavam do ‘filme-gibi-do-momento’ Watchmen (2009). O assunto se espalhou de tal forma que se assemelhava a um verdadeiro vírus contaminando a tudo e a todos a sua volta. Sinceramente, antes de sexta-feira, eu não estava dando a mínima atenção para o lançamento do filme, sem qualquer esboço de ansiedade ou excitação. Afinal eu ainda carregava Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) como melhor referência da transição entre quadrinhos e tela cinematográfica. Mas como eu disse, o vírus Watchmen com o seu smile manchado de sangue estava a solta. Ouvi o Nerdcast sobre o filme, conversei com o Mestre Zen me revelando sua empolgação para conferir o longa e a vontade de também assistir ao filme começou a despontar. Foi quando eu li na Wikipédia sobre Alan Moore,   o grande responsável por tudo isto. Tudo isto além de Piada Mortal, Do Inferno, A Liga Extraordinária, Constantine, V de Vingança… Outro fator que pode ter contribuído para eu não ter desenvolvida imunidade ao vírus do smile é que, confesso, adoro filmes de super-heróis. Os bem-feitos, é claro. Pois bem, as 16h da última sexta-feira olhei para minha carteira, conferi se tinha trocados suficientes para poder pagar uma meia-entrada no cinema e peguei o trem rumo ao Watchmen, literalmente (trem é o meu meio de transporte nesta metrópole caótica). Ao comprar os ingressos faltava uma hora para o início da sessão e sem perder tempo fui à livraria mais próxima direto para a prateleira das graphic novels e nesta uma hora antes do início da sessão eu li os dois primeiros capítulos de Watchemen, ou melhor, devorei-os. Fui para a sessão e … E calma que eu ainda não vou contar o que eu achei do filme. : ) (olha o vírus smile ai). Saí da sessão voltei para a livraria e continuei devorando a obra até o fechamento desta. Mas não teve jeito, tive que levá-la para casa e ficar até umas 2 da manhã até terminar o último quadrinho, aquele do smile com o ketchup na camiseta. Resultado final? Acho melhor não soltar um palavrão aqui no MovieYou, então fica subentendido. A graphic novel em si já renderia um zilhão de posts com todo seu aspecto visual e inovador nos idos de 1986, quando eu ainda era apenas uma criancinha de 1 ano nas suas fraldas, aprendendo a andar sem cair. Realmente um desafio “infilmável” à altura de o Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien. Mas se Peter Jackson conseguiu o impossível e nos apresentou uma obra-prima cinematográfica, Zack Snyder, que foi responsável pelo excelente 300 (2006) de Frank Miller, apresentou um resultado bastante primoroso. Palmas especiais para os roteiristas David Hayter e Alex Tse que conseguiram captar a essência da obra original e criar uma trama que respeitasse o seu espírito original mesmo sem incluir muitas sub-tramas da obra original. Temos o essencial na tela, o que já é mais que suficiente para nos deliciarmos com a história de heróis tão humanos e ambíguos em suas ações. Heróis sem maniqueísmos, que envelhecem, fazem sexo, sentem medo e enlouquecem como qualquer mortal. Mesmo o Dr. Manhattan, o semi-Deus da trama, nos prova que há muito sentimento de raiva ou amor em cada um de seus átomos de um azul reluzente e ofuscante. Elogios também para a trilha sonora, hora pontuada de muito rock’n roll e hora proporcionando momentos cômicos. Menção honrosa para o diretor de fotografia Larry Fong pela beleza das cenas, principalmente a da abertura do filme que faz um paralelo da carreira dos Minute Men com a história norte-americana. Como podem ver, um filme cheio de perfeições. Vamos então agora aos erros, e eles recaem justamente na escolha do elenco. Billy Crudup (Dr. Manhattan), Jeffrey Dean Morgan (Comediante) e Jacke Earle Haley (Rorschach) foram escolhas extremamente acertadas, pois cada um tem características físicas que cabem ao personagem, além de terem mergulhado muito bem em suas personas. Mas as escolhas de Malin Akerman (Júpiter) e Patrick Wilson (Coruja) não se mostraram acertadas. Não que eles sejam maus atores, mas são jovens (e magros) de mais para personagens quarentões fora de forma. Porém o maior erro de todos no elenco foi Matthew Goode (Ozymandias), além de também ser muito jovem e magro, o ator deu um ar muito canastrão ao personagem, lembrando que nos quadrinhos este herói apesar da idade ainda era muito forte e sempre aparentava um ar sério. Bem, como reflexão final devo dizer que a experiência de ter sido ‘catequizada’ pelos Watchmen foi muito importante para expandir meu conhecimento cultural no universo dos quadrinhos. Guardarei com carinho especial a graphic novel, orgulhosa de um dia poder dá-la para meu filho lê-la. Espero que ele possa se deliciar com um tema tão atemporal. Quanto ao filme, fica a vontade de vê-lo e revê-lo a procura de novos aspectos que muitas vezes passam despercebidos quando admiramos a obra pela primeira vez. Fica a dica, e cuidado, pois você pode ser o próximo a pegar e espalhar o vírus smile… : ) .

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Política Fria

watchmen-a-criticaAnalisando as críticas referentes ao longa Watchmen (2009), boa parte delas analisa o longa como frio, afirmando que o diretor Zack Snyder transpôs com esmero o aspecto visual do filme, mas que o roteiro careceu de uma humanidade que retirasse esta frieza.  O Cine Repórter Rodrigo Carreiro faz esse contraponto, juntamente com a expectativa criada pelos fãs. “A expectativa era grande. Nove entre dez leitores de quadrinhos de super-heróis colocam a novela gráfica Watchmen, publicada entre 1986 e 1987, no topo da lista das publicações mais interessantes do gênero. Filmando em um momento favorável às adaptações de HQs, com orçamento invejável de US$ 130 milhões e profundo respeito pelo material de origem, o cineasta Zack Snyder tinha tudo para criar um grande filme. As boas intenções são evidentes. Snyder recriou o mundo ficcional imaginado pelo escritor inglês Alan Moore nos mínimos detalhes. Reproduziu cenários com fidelidade canina, utilizou a mesma escala cromática dos gibis, copiou enquadramentos e composições visuais. Ainda assim, fez um filme sem alma, irregular e exagerado, em que boa parte das nuances que davam complexidade e humanidade à história ficaram pelo caminho.” Alysson Oliveira do CineWeb também reforça esta visão de que os quadrinhos estão lá em seu aspecto visual, mas que falta algo, além de acrescentar o questionamento político que o filme traz. “Certamente, os fãs da série em quadrinhos vão se deleitar vendo praticamente tudo o que foi concebido no papel transferido para a tela, inclusive diálogos literais. Mas a alegria de alguns pode ser o pesadelo de outros. Tanta reverência não deixa espaço para que os personagens e a trama respirem sozinhos. O ar retrô de Watchmen (a ação se passa em meados dos anos 1980 mas com forte influência da década de 1960) é reforçado pela trilha sonora, que inclui Bob Dylan, Simon & Garfunkel, Leonard Cohen e Billie Holiday. Aqui, Nixon concorre ao quarto mandato e uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética é iminente. Watchmen possui um acabamento visual atraente e, ao contrário de outras adaptações reverentes, como Sin City, não cansa. Por sua vez, o questionamento central do filme pode fazer uma ponte com os tempos atuais de incertezas e guerras pelo mundo. O preço pela paz pode ser mais caro do que se imagina.” E, finalmente, Mateus Potumati especial para o G1 deixa claro ao leigo em Watchmen, aquele que nunca leu os quadrinhos, o que o aguarda, além de contextualizar politicamente a trama. “Quem vai ao cinema sem conhecer a história e espera um filme de ação cheio de pancadaria, efeitos e trama policial, precisa entender umas coisas antes. Watchmen não é uma história de super-herói qualquer. E isso, por mais que pareça o papo daquele amigo nerd que tentava convencê-lo a ler gibi, é bem sério. Watchmen se situa junto às melhores obras de ficção científica e política do século XX. É pesado, perturbador e complexo. (…) O contexto político também exige algum embasamento: o mundo onde se passa a trama é uma realidade paralela situada nos anos 1980, que faz os reacionários anos Reagan parecerem o governo Obama. Nele, os EUA ganharam a Guerra do Vietnã – com a ajuda dos heróis –, e a tensão entre EUA e URSS está prestes a esquentar a Guerra Fria. O presidente do país, pela terceira vez consecutiva, é o ultra-conservador Richard Nixon, que na vida real renunciou em 1974 após o escândalo Watergate. (…)Apesar do contexto político distante, também é inevitável pensar nos anos Bush. A história de Alan Moore joga com a ambiguidade entre mentira e verdade, bem e mal, meios e fins, expondo a complexidade das relações éticas e morais humanas. Nada mais adequado,portanto. Na adaptação, como o andamento é mais superficial, essa discussão fica esvaziada. No final, é quase como se o desfecho conservador fosse justificado, como a invasão de certo país do Oriente Médio mediante a bravata da destruição em massa. Não se trata de acusar Snyder de propaganda republicana, mas o mal-estar esperado, que seria bem vindo, fica amenizado. Seja como for, Watchmen – O filme tem o notável mérito de gerar esse tipo de discussão em torno de uma história em quadrinhos, e amplificá-la em escala geométrica. Resta saber o que você, que não conhece o quadrinho, vai achar.” E você, o que achou tendo conhecido ou não a obra impressoa? Deixe a sua opinião na área Você do site. Clique AQUI e seja um crítico você também, pois talvez isto seja melhor do que vestir uma capa super-herói e ao perseguiu os bandidos acabe prendendo a capa onde não deve e … Trágicas conseqüências!

Mergulho nas Trevas em Alta Definição

batman-imax-a-blogueiraEsta semana o MovieYou estará recheado de posts heróicos. Além de contar como foi a experiência de conferir Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) na sala IMAX, falarei como foi a minha catequização rumo ao universo Watchmen (2009) e fazer meus apontamentos de como Danny Boyle uniu Hollywood e Bollywood na história de Jamal, o herói da periferia indiana graças a um programa de TV em Slumdog Millionaire (2008). Faz exatamente um mês que Batman estreou na única sala IMAX do país, localizada no shopping Bourboun na capital Paulista. Preparem-se curitibanos, pois os próximos serão vocês. Bem, a novidade da projeção em IMAX já seria grande por si só. Mas Batman foi a maior bilheteria do país ano passado sendo então assistido e re-assistido por muitos, afinal se trata de um grande filme com uma trama deliciosamente mirabolante. Por isso mesmo conferi-lo na sala IMAX denotou tempo para se conseguir um ingresso antes que eles se esgotassem e dinheiro, pois para despender os R$30,00 para se ter esta experiência foi necessário um “pequeno” ajuste no orçamento mensal. Seguindo recomendações, me sentar na penúltima fileira da sala, que devo dizer está muito longe de ser gigante. Já a tela, toma o espaço quase completo da parede. É exatamente esta desproporção entre tela grande versus sala pequena que causa desconforto para quem opta por sentar nas fileiras da metade da frente da sala. As luzes desligaram, o trailer de Monstros vs. Alienígenas (estréia prevista para 03/04/09 no país) passou e ao, finalmente, começar o longa a empolgação subiu no mesmo nível que os ruídos iniciais  da maravilhosa trilha sonora de Hans Zimmer invadiam a sala. A primeira cena, a do assalto e apresentação do Coringa, seria uma das 6 gravadas com a câmera IMAX trazendo a tal experiência total em alta resolução. Mas acho que as pessoas que ainda entraram no começo da exibição na sala carregando suas pipocas e fazendo com que suas cabecinhas tapassem parte da tela não sabiam disso. Mesmo assim foi incrível. A cena do caminhão tombando na pista também trouxe experiência máxima, até porque ninguém mais cometeria a heresia de ficar entrando e saindo da sala, ou seja, sem cabeças para atrapalhar a visão. Heresia sim, pois afinal pagar tamanha quantia em dinheiro para entrar ou sair depois que o filme começou e ainda atrapalhar os outros. Sinceramente, nem que eu estivesse muito apertada para ir ao banheiro eu conseguiria desgrudar os olhos da grande tela.  As duas horas e meia se passaram e a sensação final foi de êxtase. Nem parecia que era a sétima vez que eu via o longa, se é que minhas contas estão certas. A conclusão final foi ótima: Filme excelente com a projeção que merece. Não adiantaria nada desperdiçar uma tecnologia como aquela em um roteiro vazio, assim como muitos outros filmes que foram renegados as salas normais mereciam ter suas versões em IMAX. Vida longa ao sistema no Brasil, mas, por favor, com um preço que caiba em nosso bolso brasileiro que espero que nunca desista de ver bons filmes na tela grande apesar de toda tentação da pirataria.

Batman - O Cavaleiro das Trevas IMAX 1 Comentário
O Preço de uma Experiência

batman-imax-a-criticaA época do lançamento da tecnologia IMAX no país no início deste ano a crítica achou sonolenta a opção de Unibanco Arteplex em colocar o longa Fundo do Mar 3D (2006), um documentário sobre a vida marinha que apresenta apenas belas cenas, apenas com o intuito de ilustrar como a possibilidade tecnológica que a alta definição de imagens pode nos ser por de mais aprazível aos olhos. Mas com a estréia de Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) nessa projeção a história era outra, afinal o diretor Christopher Nolan teve a iniciativa em optar por filmar sequências inteiras de sua obra-prima com a pesada e trabalhosa câmera IMAX.  Marcelo Forlani do Omelete nos conta se o resultado é compensador, sentimentalmente e financeiramente. “Batman -- O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) já teve a sua temporada nos cinemas, bateu recordes e até mesmo já chegou em DVD. Mas agora ele reestréia no formato IMAX. E a pergunta é: vale a pena gastar 30 reais para ver o filme de novo? A resposa é muito simples: Vale cada centavo! (…)Ver Batman -- O Cavaleiro das Trevas em IMAX já seria algo altamente recomendável por todas essas características técnicas que só esse novo formato de cinema tem. Mas de brinde você ainda ganha uma ótima trama e um dos maiores vilões da história do cinema. As seis cenas exclusivas do IMAX são: Prólogo: Os seis minutos iniciais do filme -- e ao final deles você já foi conquistado; Hong Kong: O interessante dessa cena é perceber como ela foi montada utilizando tanto cenas filmadas em IMAX como em 35mm, mudando da ‘janela’ grande para a pequena com tanta tensão que quase não se nota; A perseguição ao carro-forte: A melhor cena de ação do ano? A colisão do Lamborghini: Importante pela tensão no filme, mas a menos empolgante; Edifício Prewitt: Estamos chegando ao final e é hora do Batman acertar as contas com o Coringa; O Cavaleiro das Trevas: Diálogo final entre Gordon e Batman.”
Rafael Ferraz do Cinematoca reitera o quanto as grandes cenas de ação de Cavaleiro das Trevas se enquadraram ao formato. “A tela, gigante, mede 21 metros de comprimento por 14 de largura (…). A imagem vai do teto ao chão, literalmente. Em O Cavaleiro das Trevas, somente algumas cenas foram captadas com essa tecnologia, já que suas câmeras são pesadas, barulhentas e têm um aluguel muito caro. Mesmo assim, seqüências de ação, que envolvem profundidade, quantidade e riqueza de detalhes são as mais recomendadas para serem vistas desse jeito, e os blockbusters se encaixam muito bem no perfil, além do que já tem um maciço público. Assim, não espere assistir um drama intimista europeu em uma tela maior do que a habitual.” Bem, certamente Batman pode não ser um drama intimista inspirado na Nouvelle Vougue, mas apresenta uma trama profunda, alucinante e , porque não,  caótica. Suspense e ação na medida certa para seu fim-de-semana ou seu saco de pipoca.

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Diário do Rorschach…

watchmen-voceO filme de Zack Snyder, é um exemplo de como se deve dar trato a uma adaptação ou transposição de hqs para o cinema. Tudo é fabuloso, desde a fotografia à escolha das trilhas sonoras que vão de Bob Dylan a Jimi Hendrix, e sem falar do elenco escolhido a dedo. Não sei o nome dessa técnica do início do filme que as pessoas ficam em pose para foto e ao mesmo tempo há movimento, como a que o Comediante (Jeffrey Dean Morgan), está sorrindo para as fotos segurando o pescoço de um gatuno, e a arma do bandido ainda dispara, assim como várias. Há uma bela imagem de uma manifestante, colocando uma rosa no cano de um fuzil, que dispara o que nos leva a melancolicamente a pensar naqueles que desarmados encaram fuzis pelo que acreditam. Watchmen que pode ser entendido tanto como os vigilantes ou Homens Relógio, faz muito sentido quando é entoada a música de Dylan com os versos “Times they are changing”, casa tanto com o apelido da trupe, dado por manifestantes que tem desagrado contra eles, quanto a passagem de tempo que retrata o fim do grupo de super-heróis veteranos, Os Minutemen, com o surgimento do Watchmen e a instauração da Lei Keene, proibindo as ações dos grupos fantasiados. Aliais a trama perde muito em não incluir as imagens exibidas na campanha viral do filme, principalmente a propaganda governamental realtiva a Lei Keene, uma pena mesmo, algo que deve ser corrigido nas versões em blue-rai. Os efeitos especiais, estão entre aqueles que a última geração presenciou de melhor. Se disputar a estatueta, na categoria de Efeitos Especiais, espero que não a perca para um Benjamin Button da vida. As cenas de violência são sem dó, como seriam numa hq, seguindo o mesmo exemplo de Sin City e 300, em que elas são potencializadas, assim cenas de nudez e sexo. Sim pais, é um filme para maiores de 18 anos. Agora falando do que me desagrada na trama, são as pausas, para explicar as origens, dos personagens. Saber por exemplo, a origem do Dr. Manhattan (Billy Grudup), só foi um bela balde de água fria, e até quando ele volta ao filme dá aquele desanimo, eu pensei: “Lá vem esse mala, denovo”. Tanto na HQ, quanto pelo próprio Alan Moore e fãs da graphic novel, O Dr. Manhattan é considerado o Superman da “vida real”, razão pela qual o EUA, nessa realidade venceu a Guerra do Vietnã. Aliais um ponto muito forte na trama escrita por Alan Moore, de não adaptar as Hqs ao mundo real, onde os fatos políticos históricos seriam exatamente os mesmos, mas demonstrar como o mundo real seria se os super-heróis fossem reais. Tanto que nessa realidade, Nixon se reelegue, afinal, ganhou a guerra do vietnã. No entanto, devo dizer que quanto ao Dr. Manhattan ser uma versão do Superman na vida real devo veementemente discordar. Pois a despeito de todo o seu poder, o Superman, tem como caracteristica mais marcante o sentimento de altruísmo elevado, e carrega a frustação de que quem ele ama e protege não seja tão indestrutível quanto ele, a começar por seu pai adotivo, que morreu de infarto, mesmo todo o seu poder era inútil para evitar isso, e acaba que devotando a sua vida para proteger o planeta que o adotou de constantes ameaças. Já o Dr. Manhatthan, se tivesse nascido Alemão, o Hitler teria ganho a guerra, pois ele é o Superman imaginado por este, o ser perfeito destituido de sentimentos menores. Alias diferente do Superman, tão preocupado com o próximo, o Dr. Manhattan, com seus infinitos poderes sob a matéria, tendo até com a capacidade de viajar para Marte, acredita que aquele planeta sem nenhum habitante, está em mais harmonia com a vida do que o planeta Terra lotado de habitantes. Não duvido que o personagem renda uma boa leitura, mas transposto para a tela de cinema, este pode dar as mãos ao Surfista Prateado como um dos personagens mais chatos de hqs. Ele podia levar com ele o Surfista Prateado, o Magneto do desenho X-Men Evolution e o Sylar de Heroes para o Planeta Marte e fica lá, e nunca mais voltar. Uma mala sem alça, e sem cueca. A única pessoa a qual ele nutre sentimento de amor é Laurie (Malin Åkerman), filha de Sally Jupiter (Carla Gugino), e herdou o nome de super-heroína da mãe, Espectral, seguindo o exemplo da mãe, mais para não decepciona-lá, assim como faria uma filha de uma modelo. Namorada do Dr.Manhathan (Billy Crudup), ela sofre por namorar com alguem que aparentemente está por causa dos seus fabulosos poderes acima do bem e do mal, se sentido no fim das contas só, mesmo que seu namorado tenha o poder de criar quantas réplicas quiser de si mesmo, podendo estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Por causa, de sua investida no mundo dos super-herois, acabou se isolando de pessoas comuns, acaba que por só ter amizade com Daniel Dreiberg (Patrick Wilson), apaixonado por ela. Ela está no grande escalão das musas dos quadrinhos, e com certeza vai virar a fantasia fácil para as mulheres nas próximas festas. O único personagem cuja a origem visivelmente pareceu interessante como um diferencial ao desenvolvimento da trama ao ser transposta para o cinema, foi a do Rorschach(Jackie Earle Haley). Vítima de traumas de infância e de um pior ainda trabalhando como vigilante, é um um homem que esconde completamente seu rosto atrás de uma máscara branca com um desenho rorschach, que são aqueles borrões que os psicologos mostram para os paciente para perguntar o que eles estão vendo. Aliais no filme inexplicavelmente, esse desenho muda a toda hora sua forma, causando até um efeito interessante, mas sem que, nem porque, afinal o personagem, não possui habilidades sobrenaturais. Detetive eficiente mandou vários para a prisão, e em certo ponto da trama é preso tendo que rever seu algozes, aliais uma das cenas mais memoráveis do filme quando os policiais retiram sua máscara ele pede para devolverem seu rosto, e quando revelado, o ator Jackie Earle Haley não deixa a peteca cair, realizando um trabalho impecável. É quase um Clint Eastwood, com sua voz embargada, e amargura e senso de justiça elevado. É comparável ao Marv de Sin City, interpretado por Mickey Rourke, no que tange a passagem de um personagem de Hq para a telona, o tornado mais vivo, crível, e marcante o possível, sem mudar uma linha do texto original. Pena que originalmente ele não seja o protagonista da trama, e até esperava que fosse mais bem explorados seus dotes como detetive, mas sem dúvida é figura que fica de positiva na sua cabeça quando você sai da sala de projeção. No entanto é mais fácil se identificar com o Coruja (Stephen McHattie), um herói a moda antiga, cabeça fria, boa pessoa, entre os Watchmen o detentor de maior bom senso, e possuindo ótimos aparatos tecnológicos, que seriam seus óculos, com visão noturna elevada, capazes de identificar qualquer pessoa, e sua nave, que lembra um mini submarino, seria quase que uma versão moderna do Batman de Adam West. Apaixonado por Laurie (Malin Åkerman), (mas também quem não o é?), no filme cai como o personagem que aparentemente parece ter mais facilidade em lidar com o dia a dia de uma pessoa normal, mas na verdade, essa atitude é uma máscara, para esconder a saudade dos áureos tempos de super-herói, o que lhe causa uma grande frustração, o que chega a lhe dar impotência sexual. Quando resolve voltar a atuar como vigilante, muito é verdade inspirado pela presença de sua amada, Laurie, volta a ter alegria de viver. Dos personagens da trama, é o único que pode carregar tranquilamente a alcunha de super-herói. E quem é o homem que é jogado pela janela no trailer? O comediante (Jeffrey Dean Morgan), alterego de Edward Blake, o começou sua carreira como um vigilante, membro dos Minutemen, nesse universo proposto por Alan Moore, o únicos super-heróis existentes, depois tendo em vista a guerra do vietnã foi inserido em um grupo paramilitar. Machão inveterado, tinha um relacionamento complicado com Sally Espectral (Carla Gugino), a qual uma vez espancou e tentou violentar, impedido por outro membro do grupo de vigilantes a qual pertencia. Desumano ao estremo, é um sádico mata com um sorriso no rosto. Ele crê que a violencia exarcebada e a vitória no vietnã,o retrato mais fiel do Sonho Americano. Seria o Comediante asssassino de JFK? O Comediante não é um anti-herói, ele é um vilão que trabalha do ?lado certo?. ?Mamãe me perdoe?, ele diz duas vezes, como uma forma de clamar perdão por suas atitudes crueis. É assassinado no início da trama em seu aposentos jogado por sua janela por um homem misterioso. Assim como aconteceu com Hugh Jackman em relação ao Wolverine, Jeffrey Dean Morgan nasceu para ser o Comediante. Por fim, temos Ozymandias (Matthew Goode), alterego de Adrian Veidt, que tornou sua identidade secreta pública, e com isso conseguiu faturar muito dinheiro. Seu codinome vem de um poema de Percy Bysshe Shelley, que descreve a estátua do Rei Ozymandias esquecida no deserto. É o homem mais inteligente do mundo, tem como ídolo Alexandre O Grande, e adaptou os pensamentos do mesmo ao mundo empresarial moderno. Sua capacidade mental é tamanha que chega a influenciar no seu aspecto físico, o tornando um exímio lutador, sendo capaz até de pegar uma bala apenas calculando a sua tragetória. Ele é a compensação por Watchmen não possuir super vilões, sendo o ponto controverso. No universo hq regular, este poderia ficar horas conversando com Lex Luthor, lhe dando ideias bem melhores para o seu planos. Se o Batman de Nolan, continua sendo a melhor adaptação de hqs exibidas no cinema, talvez seja pelo fato que a verdade não é suficiente, as pessoas precisam de algo mais, e também seja algo mais confortável que crer que só um grande mal pode unir a todos. O mundo ainda não está preparado para Watchmen, assim como Rorschach, para as ideias de Ozymandias.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

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