Filmes latino-americanos estão em minha lista de favoritos, principalmente os da cineasta argentina Lucrecia Martel, autora do clássico O Pântano (2001). E no último final de semana mais uma diretora sul-americana entrou para minha lista de favoritas: Claudia Llosa de A Teta Assustada (2009), ganhador do último Urso de Ouro em Berlin, prêmio que já agraciou os brasileiros Tropa de Elite (2007) e Central do Brasil (1998). Pela primeira vez apreciei um filme peruano, o que foi uma surpresa muito agradável! Claudia conseguiu transmitir as idiossincrasias da cultura andina, especialmente em sua essência feminina. A personagem de Fausta (Magaly Solier) possui os traços quéchuas e o peso de uma tradição supersticiosa. Para evitar engravidar por estupro, ela insere uma batata em sua vagina e passa boa parte do filme cortando os galhos que insistem em sair do tubérculo para fora de seu corpo. É chocante, porém real e verossímil. O cenário desta trama é a periferia da capital peruana, Lima, que têm a grande aparência de uma pedreira abandonada socialmente. O casamento é uma constante no longa, já que a família da protagonista trabalha oferecendo festas aos casais da favela. Já Fausta, parece a antítese desta tendência, foge dos homens apesar de carregar a batata protetora entre as pernas. Ao final, nos vemos conquistados por essa trama sensível e realista. A Teta Assustada está concorrendo ao Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro, apesar de provavelmente perder o prêmio para o alemão A Fita Branca (2009). Mesmo assim, não deixem de conferir este que figura entre os melhores filmes do último ano!
Como já dizia um velho ditado de república: “Se está no inferno, abraço o capeta… e nunca o faça sozinho!” Ontem em uma sessão de Ninja Assassino (2009) promovida pelo Omelete levei em minha companhia o @PikachuTwiteiro que trabalha comigo na agência de comunicação digital SeePix. Ele estava empolgado e eu curiosa, afinal a combinação dos irmãos Wachowskis e James McTeigue em V de Vingança (2005) foi muito bem sucedida, porque em um filme enfocando a cultura oriental a parceria daria errado? Pois é… Mas deu, e muito errado! O visual e fotografia do longa é impecável. As cenas de lutas são bem coreografadas e filmadas por belos ângulos. Destaque para a cena em que os jovens aprendizes lutam em meio a bolas de fogos penduradas no teto. Mas o roteiro ralo e as interpretações minguadas põem o filme em um patamar muito inferior. Na saga Kill Bill (2003-2004) de Quentin Tarantino, o sangue é exposto de forma propositalmente cômica. Em Ninja Assassino o excesso de tinta vermelha provocou uma sensação adversa a de espanto com tamanha violência do Clã Ninja que está sendo investigado por uma agência da Europol. Ketchup, HotDog e Muita Fome. Estas foram as 3 alusões finais após o final dos créditos. E me desculpe Rain, protagonista da película, mas é melhor você continuar sua carreira de cantor galã do que tentar algo que você não é: ator!
“É uma pena que o roteiro insista em não fazer o menor sentido.”
“Cansam o número excessivo de flashbacks e a incapacidade do elenco de atuar.”
Marcelo Forlani - Omelete
Federico Fellini foi um dos cineastas europeus mais influentes e imaginativos da sétima arte. Seus filmes sempre transmitem a sensação alucinógena de um sonho. O desejo sexual, o poder maternal e a fragilidade masculina são pontos comuns em sua obra. No auge da maturidade o diretor criou Fellini 8 ½ (1963) , um filme que apresentava Marcello Mastroianni, seu alter-ego recorrente, em um artista vivendo momentos de pânico e ausência criativa. Anos depois, Antonhy Minghella, diretor já falecido de O Paciente Inglês (1996), criou para os palcos da Broadway o musical Nine, espetáculo inspirado nas metáforas fellinianas, culminando em uma espécie de continuação de 8 ½. E no último ano, Rob Marshall, responsável pelo sucesso oscarizado de Chicago (2002), trouxe à tela grande o glamuroso Nine (2009) com elenco estelar: Katie Holmes, Nicole Kidman, Judi Dench, Penélope Cruz, Marilon Coutilard e Sophia Loren, todas grandes atrizes ainda vivas. A frente destas poderosas mulheres está Daniel Day-Lewis, sempre acima da média, interpretando Guido, o sonhador diretor que não consegue se quer roteirizar seu novo filme. Tratando-se de Marshall, já era de se esperar números musicais grandiosos, mas a Itália soube se revelar o maior encanto do filme, com cenas de fotografia espetacular em Roma e arredores. Além do charmoso país, Coutilard vencedora do Oscar por Piaf (2007) rouba a cena com os melhores e mais vicerais momentos musicados do filme. Pena que as premiações deste início de ano não estejam sendo favorável ao filme, vide o péssimo Se Beber Não Case (2009) ter derrotado o musical no Globo de Ouro. Esperamos então que o Oscar seja bem mais justo e compensatório.
“O prato que sai do forno acaba meio sem sal.”
Carina Toledo -- Omelete
“Falha vergonhosamente.”
Rodrigo Cunha – CinePlayers
Outro post antigo meu, quando esse filme foi lançado…
Muita gente acha que chorar em filmes, documentários, musicas, peças, em fim, chorar pelo áudio visual visto em terceira pessoa, é um sentimento fingido ou forçado. Sem saber que até para os ateus, não é preciso tocar para sentir, nem testemunhar para viver o que é passado.
E é exatamente o acontece comigo em demasiados filmes. Não só dos gêneros drama, romance, thriller ou coisa do tipo. Mas sim com todos os outros, de comédia a ação. Eu sinto diversas emoções, e uma delas é chorar.
Fiz essa pequena declaração para falar de um filme que assistir O Visitante. Como muitos sabem, a indústria de cinema é enorme em todo mundo, especialmente em Hollywood que é tido como o berço da sétima arte. E diversos filmes que são lançados por lá, muitas vezes ruins, mas alguns muito bons vêm aqui pro Brasil não tendo uma boa divulgação. Passando assim despercebido pelo público, e até pelos mais curiosos.
Foi isso que aconteceu com O Visitante. Um filmaço, que me surpreendeu em vários aspectos. Tanto no tema abordado (imigração), como no estilo de fazer um drama nesse gênero, sem deixar o filme falso ou até mesmo chato. Fui assisti-lo devido a indicação de Richard Jenkins ao Oscar 2009, como melhor ator. Eu o tinha visto recentemente, em um filme dos irmãos Coen, Queime Depois de Ler, onde ele fazia uma participação pequena, comparado ao seu grande talento. Contracenou ao lado de George Clooney e Brad Pitt nesse mesmo filme, e ficou como terceiro plano na trama. Mas mesmo assim é notável a atuação do mesmo.
Em O Visitante, Richard vive o papel de um professor viúvo, que mora em Connecticut/EUA, e esta para lançar seu 4° livro, como firmamento de influência a sociedade americana. A vida dele é aparentemente muito comum e tranqüila, mas percebe-se que ele não é feliz, ate pelo seu jeito meio rude e desatento, quando atua na sua profissão.
Ao ir a uma conferência em Manhattan, visita um dos seus apartamentos, e pra sua surpresa encontra uma mulher, negra com aparência de um país africano, tomando banho na banheira do seu apartamento. Ela logo grita e pedi socorro, diz que um homem esta invadindo a casa dela, e chama o namorado, com traços israelense, que logo vem socorrê-la e tirar satisfação com o sujeito. Que logo depois explica que o apartamento é dele e que eles foram enganados por quem alugou ao casal.
Sem ter para onde ir, eles pedem desculpas mesmo assim e saem a procura de outro cômodo. O professor com um sentimento de pena pediu pra que eles fiquem pelo menos por alguns dias, até encontrarem um lugar para viver. Com o tempo, o rapaz que é músico, torna-se amido do mesmo, e os dois começam a saírem juntos.
O professor tem interesse pela musica e em especial pelo instrumento que o rapaz toca (um tipo de atabaque). O musico o-ensina como tocar e ele que vivia uma vida sem graça, acaba encontrando um amigo e um novo passa-tempo de quebra.
Em uma das saídas, na volta para casa, os dois pegam o metrô, e ao passar na catraca o rapaz prende o instrumento sem querer e é obrigado pulá-la. O guarda vão em cima dele como se tivessem atrás de um ladrão e o revistam. O professor descobre ali que ele é um imigrante, e que estava nos Estados Unidos para conseguir com sua musica dinheiro para poder sustentar a sua família e viver.
Sem saber o que fazer, o velho volta para casa e diz a esposa que o marido dela tinha sido preso, ela se desespera e ele contrata um advogado com seus próprios recursos para tentar tira-lo de lá. Mas nada adianta, e para completar o drama, a mãe do rapaz chega a Manhattan e descobre que o filho tinha sido preso por ser imigrante. Como ela mesma era também não pode fazer nada. Mas tarde ela e o professor demonstram sentimentos recíprocos um pelo outro.
O drama é triste, e ao mesmo tempo alegre. Ao mostrar o envolvimento e revolta desse cidadão Americano, que descobre o amor, amizade e o sentido da vida em imigrantes que tentavam simplesmente viver tranquilamente. Inconformado com a legislação nojenta que os EUA têm, o professor xinga o órgão público no qual o musico estava preso. Pois deportaram-no sem mínimo aviso, para o seu lugar de origem. E fica aqui a minha indignação e revolta por determinadas leis de certos governos. É realmente absurda algumas coisas que temos que cumprir.
Também dizer que, o filme além de deixar uma linda mensagem, encanta de várias formas. Não só pela grande atuação de Richard Jenkins, mas sim por todo conteúdo apresentado no mesmo. Em ver o amor acontecer, e um homem como aquele mudar, eu me emocionei bastante, e confesso que chorei, chorei sem vergonha alguma.
Assistam a O Visitante, Um filmaço!
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Publicado por: Wilker (Willtage) Medeiros -- willtage@gmail.com
Menina de Ouro (2004) é um dos filmes que, literalmente te dão um soco na cara. A história de uma lutadora de boxe, que apesar de todo esforço e suor em cima dos ringues, se vê obrigada a finalizar sua vida através da eutanásia, é de arrepiar e comover até aqueles de coração mais duro. Mas ao final do filme, a sensação é de pessimismo e ficamos com os ânimos atordoados com a conclusão do roteiro. Todo o brilhantismo dessa obra se deve, além de interpretações marcantes e oscarizadas de Morgan Freeman e Hilary Swank, ao fino trato dado pelo diretor Clint Eastwood, responsável por grandes obras da década de 90 e pós 2000, como Os Imperdoáveis (1992), Sobre Meninos e Lobos (2003) e Cartas de Iwo Jima (2006). Se Menina de Ouro é um filme que permeia um esporte, boxe no caso, e te põe a nocaute no final, o novo filme de Eastwood Invictus (2009) provoca a sensação contrária. Otimismo, Perdão, Inspiração, Vitória e União são apenas alguns dos sentimentos positivos que a obra traz ao espectador. Morgan Freeman encarna Nelson Mandela no primeiro ano de seu mandato como presidente da África do Sul. Com o desafio de unir uma nação dividida racialmente, ele encontra no time de rúgbi do país a chance de provocar o sentimento de unidade em todos os cidadãos sul-africanos. Baseado numa obra real, Matt Damon, em um papel extremamente maduro, também encanta como o capitão do time que não consegue ententer a complexa grandiosidade de Mandela, um homem que mesmo após 30 anos preso soube perdoar seus algozes. O filme é uma lição de vida e, tratando-se de Clint, de cinema também. As tomadas em câmera lenta dos jogos são poéticos balés de testosterona na lente do diretor. Caro espectador, prepare olhos e mente para Invictus e absorva o que duas grandes personalidades de nossa história tem a dizer e mostrar direto de seus corações e almas.
“Vida longa para Clint Eastwood e seus filmes extraordinários.”
Janaína Pereira – CinePop
“Uma obra lacrimosa e instável.”
Marcelo Hessel – Omelete
“Clint Eastwood é tão genial que, só com a sequência inicial de Invictus, explica cinematograficamente o bê-a-bá da situação política pós-apartheid na África do Sul.”
Heitor Augusto – CineClick
Bem, para quem é fã dos livros de Sherlock Holmes não pode perder esta nova produção da Warner Bros. Embora se distancie um pouco dos livros, trazendo mais irrealidades, aprimorando mais ainda os personagens e lidando (supostamente) com paranormalidade, “Sherlock Holmes” se saiu bem. Aliás, acho que se saiu melhor do que se estivesse copiado de forma fiel dos livros do detetive, pois as falhas que continham os livros, foram “concertadas”, aprimorando e melhorando ainda mais a história. Na verdade, este filme foi exatamente como eu pensava e esperava. É um blockbuster que presa pelo roteiro, o que hoje, é difícil de se encontrar (salvo alguns, como “Batman -- O Cavaleiro das Trevas”). A direção, de Guy Ritchie, é extremamente competente e eficaz. Percebemos traços de outros filmes seus, como “RocknRolla”, tanto no modo ágil de contar a história, quanto nos diálogos, em alguns momentos ágeis e em outros mais calmos. Mas, é a parte técnica que surpreende, não pelos efeitos especiais, mas sim pela direção de arte e pela fotografia, ambas retratando uma Londres, do século XIX, obscura, triste, morta. Os diretores de elenco estão de parabéns, por reunir Robert Downey Jr., que além de combinar muito bem para o papel do detetive, ainda forma uma dupla perfeita com Jude Law, o Watson. Downey Jr. me surpreendeu! Ele mescla muito bem, um ar enigmático, com o tom sarcástico de quando os outros ficam impressionados com suas habilidades dedutivas. E ainda por cima, completa sua interpretação com uma pitada de comédia, na dose certa, nem muito, nem pouco. E, para completar, Jude Law é perfeito para o papel de Watson. Enfim, um completa o outro. Do elenco, não há o que reclamar. A única coisa de que tenho que me queixar e o único motivo de eu não dar 5 estrelas para este filme, é o fato de em toda a projeção, não haver a clássica frase “Elementar, meu caro Watson!”. De resto, é muito bom! A história: Sherlock e Watson tem que investigar um misterioso caso de um homem que supostamente ressuscitou. Vale conferir!
Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com
Um texto meu das antigas, que até postei em um blogzinho rescentemente. Não liguém eu era muito verdinho ainda, rsrsrs…
Um dia desses comprei o filme Traffic, de qual sou fã por varias questões que me deixaram fascinado pela obra. Gostaria de fazer uma pequena lembrança, sobre um dos, se não o maior filme da carreira de Steven Soderbergh. Primeiro vamos conhecer um pouco da vida desse cineasta competente.
Desde pequeno sempre gostou de fazer suas filmagens, pegando emprestados equipamentos e se espelhando em varios diretores. Fez vários curtas durante sua juventude. Trabalhando de Faz Tudo em produções cinematográficas, aprendeu muitas coisas. Logo no inicio da sua carreira com Sexo, Mentiras e Videotape ganhou A Palma de Ouro no festival de Cannes.
Hoje ele é tido como um dos cineastas mais promissores do século 21, fazendo super produções como “Onze Homens e Um Segredo”, “Erin Brockovich, uma mulher de talento” e Traffic, que vamos falar agora e tentar demonstrar a genialidade do mesmo nesse filme.
Em 2000 Quando o lançamento de Erin Brockovich, uma mulher de talento foi assunto de elogios dos críticos, Soderbergh lança Traffic, e se firma para sempre na história do cinema. Tornando-se um dos poucos cineastas a receber duas indicações ao Oscar de melhor diretor, por dois trabalhos em uma mesma edição.
O filme inspirado em uma velha minissérie britânica chamada Traffik. A fita fala sobre o tráfico de drogas, mostrando a visão desde o consumidor ao traficante, com três histórias paralelas. O thriller tenta provar, como determinadas classes sociais, nacionais e federais, sofrem com o problema das vendas de drogas em todo mundo, declinando para uma mesma situação.
O elenco do filme é espetacular, uma coisa a ser falada sobre esse diretor, é que ele gosta sempre de contar com um super time de atores em seus trabalhos. Exemplo disso é Onze Homens e Um Segredotido como o mais caro elenco de todos os tempos. Em Traffic, vemos Bennicio Del Toro, Michael Douglas, Don Chadle, Denis Quaid e Catarine Zeta Jones, esbanjando emoção e nos remetendo ao dilema vivido pelas pessoas que tem envolvimento direto e indireto com o mundo das drogas. Bennicio Dell Toro faz aqui o maior papel de sua carreira, como um policial estadual de uma cidade do México, onde ele aprende ao decorrer de sua vida profissional, que para conseguir determinadas coisas, é preciso sacrificar algumas e passar por situações que nenhum ser humano sonharia ao menos em ver.
O estilo de filmagem e direção de Traffic é o que me chama mais atenção. Tonalidades de cores para determinadas cenas das histórias paralelas. No México temos um aspecto bem árido, meio amarelado asceso, mostrando calor e intensidade que a nação representa. Já nos EUA vemos uma tonalidade azul, preocupada demais com seu trabalho e vida social, esquecendo do seu bem maior (Família). Em outra mostra o cinema simples de uma típica família rica, onde a mulher de um grande traficante que foi preso, com quem ela teve um filho. Ver-se sem saída e acaba seguindo os passos do marido, sem ao menos pensar o que esta fazendo a tantas outras famílias como a dela própria.
Os ângulos de câmera do filme, é um referêncial especial do diretor. Tentando sempre nos colocar em uma falsa primeira pessoa, atrás da cabeça do ouvidor, desfocando a mesma e fixando no falante. Notando assim expressões mais humanas e reais do nosso dia a dia.
Num todo vejo o filme como a obra mais brilhante da carreira de Steven Soderbergh. Não so pela realização do trabalho como diretor, mas também por mostrar aos espectadores uma visão mais à fundo, do mundo do tráfico em varias nações, visando assim que os danos são os mesmo. Não importando raça, cultura, poder aquisitivo ou financeiro.
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Publicado por: Wilker (Willtage) Medeiros -- willtage@gmail.com






















