O ?plus? do filme reside na fantástica direção de Nuri Bilge Ceylan (justamente premiada com a Palma de Ouro de Melhor Direção, injustamente esnobada pelo Oscar que optou por concorrentes bem mais fracos). O diretor turco mostra tanto talento por trás das câmeras que, sinceramente, nem sei por onde começar a descrever o seu trabalho. Ou melhor, sei sim, que tal, obviamente, começarmos pelo começo? Uma das cenas que abrem este ?Três Macacos? já nos presenteia com uma amostra do trabalho que o diretor viria a fazer mais para frente, durante o desenrolar do longa. Refiro-me à sequência da rodovia que abre o filme e quando Ceylan posiciona e fixa a sua câmera em um determinado ponto. Vemos então um carro emanar um forte lampejo vindo de seus faróis dianteiros e que se destaca da escuridão predominante na cena. Conforme o veículo avança o seu caminho, o brilho vai reduzindo consideravelmente até tornar-se um insignificante ponto de luz extremamente distante e desaparecer por inteiro. Essa sequência, em si, já resume o caminho o qual Ceylan irá adotar durante os minutos remanescentes do filme.
Realizando um complexo estudo sobre os terríveis problemas que a falta de comunicação pode trazer aos cotidianos familiares, ?Três Macacos? peca (se é que posso dizer desta forma) somente na utilização de alguns pequenos estereótipos (pai alcoólatra, mãe infiel, filho ?perdido?) e ao conferir melodrama demais a algumas cenas contidas em sua segunda metade (e é uma pena que o protagonista Eyüp rompa o silêncio algumas vezes, sendo que o mesmo revelava-se muito mais perturbador do que as suas discussões, em alto e bom som, com Hacer e o filho Ismail). Nada que faça com que o longa deixe de ser um primor da sétima Arte, principalmente no que diz respeito à direção de Nuri Bilge Ceylan, que confere ao drama a sensibilidade mais do que adequada para que ele funcione corretamente, além de empregar técnicas semelhantes às adotadas por grandes cineastas como Orson Welles, Jean Renoir, Ingmar Bergman e William Wyler a fim de aumentar o impacto visual e metafísico de sua obra. E se a Globalização levou males aos países orientais a ponto de criar famílias neuróticas como as que vemos aqui, ao menos ela teve um ponto positivo no que diz respeito à Arte: permitiu com que cineastas europeus e estadunidenses criassem influências diretas sobre inúmeros profissionais asiáticos, possibilitando com que os mesmos se responsabilizem por grande parte dos melhores filmes cult de Arte lançados contemporaneamente.
Publicado por: Daniel Esteves de Barros -- http://cine-phylum.blogspot.com






















O Oscar esse ano estava realmente fraquíssimo na categoria Filme Estrangeiro. Além de desprezarem Três Macacos ignoraram o italiano Gomorra. O único filme realmente bom entre os 5 concorrentes foi o francês Entre os Muros da Escola, um filme arrebatador e maravilhoso!
Dentre os indicados a Melhor Filme de Língua Estrangeira só assisti a “Valsa Com Bashir” que é uma ótima produção, mas não chega a ser excepcional como vem sendo anunciado. “Entre os Muros da Escola” talvez assista semana que vem.