Minha Vida com Woody Allen

Woody Allen foi, para mim, no começo dos anos 80, a porta de entrada para o cinema
de autor, assim como aconteceu com Vivaldi, na música erudita. Hoje um Brahms, Beethoven, Stravinsky, Ravel ou Bach me exige muito mais dos ouvidos do que um Vivaldi, mas Vivaldi terá sempre o seu lugar em meu coração como a porta de entrada deste universo maravilhoso da música séria.

Woody Allen, como todo artista, teve seus momentos de glória, intercalado por
momentos descartáveis. Grandes exemplos de filmes descartáveis são O Escorpião de
Jade, Celebridades, Melinda e Melinda, Interiores, além de muitos outros.
Os filmes dos anos 60 de Woody Allen são divertidos, engraçados, atrapalhados,
fazendo lembrar até mesmo os filmes dos Trapalhões, com Renato Aragão, entretanto
foi no filme Tudo o que você queria saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar,
de 1972, que o diretor americano começou a criar um estilo diferenciado e
interessante. É o primeiro grande filme de sua obra. Em 1977, Allen ganha o oscar
por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, seu primeiro filme intelectual de alta
qualidade.
A partir daí segue um desfile de obras primas dos anos 70 e 80, seus melhores anos
de produção: Crimes e Pecados, A Era do Rádio (um dos seus filmes mais
nostálgicos), Hannah e Suas Irmãs (um dos melhores filmes do cineasta), Broadway
Danny Rose, Zelig (um filme experimental de Allen, como ele nunca havia feito
antes), Memórias, Manhattan, A Rosa Púrpura do Cairo (belíssimo filme, pura
poesia), A Outra. Neste período, recheado de obras-primas, Woody Allen ficou
dedicado a mostrar as belezas de sua Nova York e suas neuroses.

Os anos 90 não foram tão bons quanto as décadas anteriores, mas ainda rendeu bons
frutos. Dentre tantas produções, Maridos e Esposas, de 1992, Tiros na Broadway, de
1994 e Poucas e Boas, de 1999, merecem destaque. Mas é bom lembrar da ousadia do
seu primeiro e único musical: Todos Dizem Eu te Amo, de 1996 e do interessante
Desconstruindo Harry, de 1997. O notável é que Woody Allen nunca parou de criar
praticamente um filme por ano, contrariando a grande maioria de seus colegas, que,
geralmente, com o passar dos anos, produz menos.

Com a entrada do novo milênio, Allen se juntou com Spielberg para fazer a
distribuição dos seus filmes, por um tempo, e passou a filmar na Europa, ao invés de
Nova York. A saída do cenário novaiorquino começou com o musical Todos Dizem Eu te
Amo, ainda no final dos anos 90, onde Allen, além de Nova York, filma em Veneza e
Paris…isso já é um começo da nova fase que viria. Mas, infelizmente, apesar do
resgate do pastelão do passado em Os Trapaceiros, de 2000 e do bom drama
Matchpoint, este é um período de clara decadência do diretor americano que brilhou
de forma notável nos idos anos 70 e 80.

Entraremos em uma nova década, Woody Allen
continuará filmando, empurrando com a barriga sua capacidade de fazer piadas e
contar historias. Na minha opinião, o que ele construiu nos anos 70 e 80 já seriam
suficientes para deixar seu nome na História do Cinema. Sua produção dos anos 90
não supera (apenas sustenta) o que foi feito antes e os do novo milênio não
acrescenta em nada o seu valor, as vezes até serve para fazer o contrário, denegrir
sua imagem. Acho que para um cinéfilo jovem, que ainda não conhece Woody Allen, eu
indicaria os seus melhores e mais representativos filmes:

Hanna e suas Irmãs
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
Memórias
Manhattan
Maridos e Esposas
Tiros na Broadway
A Outra
A Rosa Púrpura do Cairo
Match point
Broadway Danny Rose
Poucas e Boas
A Era do Radio
Setembro
Todos Dizem Eu te Amo
Crimes e Pecados
Zelig
Tudo o que voce sempre quis saber sobre sexo

Publicado por: Denison Rosario

Woody Allen 3 Comentários

3 comentários para “Minha Vida com Woody Allen”

  1. aline andrada cavalcante disse:

    Eu gostei muito deste texto sobre Woody Allen. Me ajudou a conhecer melhor este genio do cinema. Vou correndo comprar alguns filmes sugeridos aqui. voces estão de parabens, movieyou.
    um abraço

  2. Jeniss Walker disse:

    é de fato, um grande diretor, Mariana. últimamente muitos babaram ovo para ‘Vicky Cristina Barcelona’, falando que era o melhor da década de Allen (Match Point é beeeem superior). dos antigos, gosto muito de ‘Crimes e Pecados’ e ‘Hannah e Suas Irmãs’.
    abraço :)

  3. Então Interiores é descartável? E Desconstruindo Harry é apenas interessante, e não um dos melhores dele (principalmente na década de 90)?

    Fora isso, acho que é meio que lugar comum criticar os trabalhos recentes do Woody Allen. Ta, Anything Else (Igual a tudo na vida) não foi grande coisa, mas Melinda & Melinda eu achei bem bom, com uma sacada interessante na história dupla. Match Point é MUITO bom e Vicky Cristina Barcelona também é bom.

    Tudo bem que não se comparam a Annie Hall, Manhattan ou Hannah, mas não é o tempo todo que se pode fazer filmes desse quilate. Para quem quer começar com Woody, eu recomendaria a leve comédia Sleeper (Dorminhoco), que é inteligente e engraçadíssima.
    Abraço a todos.

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