Os Maneirismos de Tarantino

Quem acompanha minhas críticas no C de Cinema sabe que eu sou fã de Quentin Tarantino, principalmente por “Kill Bill vol. 1″. “À Prova de Morte” está longe de superar a saga da noiva atrás de vingança, mas é outro trabalho de qualidade do diretor que possui uma filmografia pequena, comparado a outros grandes diretores de Hollywood, mas recheada de obras-primas. Como disse, À Prova de Morte” está longe de ser uma obra-prima, mas é um filme muito bom, que vale a pena ser assistido. Tarantino, quando pequeno, trabalhou em uma locadora de filmes. Lá, ele assistia de tudo, desde filmes de samurai, até filmes trash. E foi daí que Tarantino teve a ideia de fazer este filme, para homenagear os filmes trash que assistia. Junto com outro diretor renomado e amigo seu, Robert Rodriguez, eles criaram um filme chamado “Grindhouse”, título que homenageia as salas onde eram exibidos estes filmes (trash). “Grindhouse” era um filme enorme, onde constavam dois projetos: um de Robert Rodriguez, intitulado “Planeta Terror” e um de Quentin Tarantino, intitulado “À Prova de Morte”. Como “Grindhouse” não foi bem recebido nos E.U.A, os dois diretores decidiram separar os projetos e lançá-los individualmente. “À Prova de Morte” demorou 3 anos para ser lançado aqui no Brasil. Como é de praxe do diretor, este filme é recheado de referências e homenagens a outros filmes, alguns seus, outros não. Esta produção, por homenagear filmes trash, possui características de um filme trash. O filme então, possui envelhecimento artificial, e constantes riscos na tela. Vemos cortes mal feitos, erros de sincronização, fotografia, em certos pontos horrível (claro que proposital) e defeitos na imagem. E não só a parte técnica remete à filmes trash, como também o roteiro. Assim, presenciamos diálogos clichês e (as vezes) machistas, os mesmos são recheados de palavrões e linguagem vulgar. E, ainda no roteiro, a própria história é típica de um filme trash: possui muita violência, muito sangue e um grupo de garotas, que mais tarde morrerão ou serão heroínas da história. E por falar em roteiro, há uma constante nos filmes de Tarantino não acontece neste filme: o roteiro não linear. “À Prova de Morte” é um filme linear. A única coisa que me incomodou neste filme foi que em sua segunda parte (após o assassino sair do hospital), o filme perde seu envelhecimento artificial e isso prejudicou muito a produção. Mas mesmo assim, “À Prova de Morte” possui mais pontos positivos que negativos e se sai muito bem. A história: Três amigas saem para aproveitar a noite. Um homem misterioso, que possui um carro à prova de morte as observa… Isso é o início da primeira parte. Enfim, vale a pena tanto para quem gosta, quanto para quem não gosta de filmes trash.

Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com

À Prova de Morte 6 Comentários

6 comentários para “Os Maneirismos de Tarantino”

  1. Ju Maffia disse:

    Filme absolutamente fantástico que mereceu as palmas na sessão do noitão em que estava! Com o passar do tempo o Tarantino foi ficando mais rebuscado, os filmes eram claramente seus, mas tinham uma cara menos experimental (será essa a palavra??). Agora com À Prova de Morte me senti nos anos 90 vendo um filme dele. filme trash. dialogos que nao terminam. totalmente tarantino! e eu amei! ao contrário de vc achei a segunda parte boa, o final especialmente, kurt russell fez um ótimo assassino e um covarde ainda melhor! Agora só teremos o Tarantino de volta em Kill Bill vol. 3.

  2. QUEIROZ disse:

    Diz a Lenda que a ideia do filme era fingir que tinha começado a ser filmado com um diretor e teria terminado nas mãos de outro. Tanto que no primeiro frame você percebe o nome thunderbout sendo coberto pelo Death Proof. Eu não tenho certeza de qual seria a parte que seria do Tarantino, a primeiracom roteiro impecável de qualidade trash, ou a segunda verborrágica e com vies mais pop, com referencias ao Tarantino. Bem, isso só próprio sabe. Mas, achei sensacional e creio que não deixou a peteca cair em momento algum, o filme é um Tarantino de primeira, e tenho pena do que viram na versão antiga sem a Lap Dance da Burterfly, gostosa demais. =)

  3. Deka Pimenta disse:

    Assisti ontem a este filme. Confesso que quase perdi a paciência com aqueles diálogos sem sentido e intermináveis, mas as cenas de perseguição e a lap dance, com certeza valream a pena.

  4. QUEIROZ disse:

    Mas, você ve Deka, que até na hora do papo furado, o Tarantino demonstra a mão de bom diretor. Há um 360.° em que você percebe a presença do Dublê Mike lá na cadeira, e a informação da personagem ter uma arma, nos é dada a gente esquece, mas a informação nos é devolvida quando ela saca a arma e atira. Esse detalhes são muito legais.

  5. “A informação da personagem ter uma arma, nos é dada a gente esquece, mas a informação nos é devolvida quando ela saca a arma e atira.”

    Este detalhe, aliás, Queiroz, chama-se pista e recompensa, o que para grandes teóricos é fundamental em roteiros bem trabalhados. A “pista” seria no caso a afirmação da personagem ao demonstrar o modo como faria para se defender de um maniaco e a recompensa é ela sacando a arma e atirando no Dublê Mike.

    Trata-se de um filme experimental sensacional, que só peca por não ter um foco definido, afinal, filme experimental que é filme experimental não tem um foco definido, pois é, na realidade, um exercício de estilo.

  6. QUEIROZ disse:

    Valeu Daniel, pela informação sobre Pista e Recompensa. E o Tarantino sempre é acusado de ser apenas um bom montador em relação a seu filmes, e que seu grande mérito estaria na direção de elenco. Creio que a dele seja essa mesmo, eu esqueci o termo em inglês, mas resumindo, seria filmes com foco em personagens, sendo a estória secundária.

    Falou.

Deixe um comentário