Matar ou Morrer

O leitor provavelmente já deve ter visto em algum outro filme, série de televisão, ou até mesmo desenho animado, uma cena onde uma pessoa adentra um saloon empurrando a porta com toda a força, ou então alguma outra seqüência onde um indivíduo, após ter sido provocado dentro de um bar, desfere um soco em seu desafeto iniciando uma rixa no estabelecimento comercial, ou então alguma outra cena onde a câmera realiza um horizontal travelling acompanhando lateralmente o trajeto do mocinho e do bandido antes destes iniciarem um duelo. Pois é, todas estas seqüências foram originalmente exibidas no clássico western de Fred Zinnemann, ?Matar ou Morrer?, lançado oficialmente em 1952.
O bang bang tem como principal atrativo o clima extremamente tenso que ele passa ao espectador logo no início. Em seus primeiros minutos já sabemos que a situação que o Marshall (uma espécie de delegado federal) Will Kane se encontra é de extrema urgência. A partir de então, temos uma estória contada em tempo real (outra inovação no Cinema) onde cada minuto desperdiçado aparenta ser de uma fatalidade irreversível ao protagonista da estória. A eficiente edição de Elmo Williams e a direção de Fred Zinnemann, no entanto, conferem ainda mais tensão ao filme e revela-se imprescindível para o resultado final do mesmo. Repare, por exemplo, na inteligente decisão que o diretor toma ao, sempre que possível e conveniente, realizar um close in em um relógio, mostrando o ponteiro deste se movendo lentamente.
Os personagens também são magistralmente desenvolvidos, principalmente se levarmos em conta o pouco tempo que eles têm em cena, e o protagonista, interpretado por Gary Cooper, é o que mais se destaca neste quesito. Longe de ser o esteriotipado xerife durão dos filmes do gênero, Will Kane mostra algumas ressalvas quanto à sua valentia, como na cena em que um personagem lhe pergunta se está com medo de morrer e ele, humildemente, responde que sim. Mas o grande destaque, no que se refere à exploração do protagonista, está nas atitudes do mesmo. Afinal de contas, por que Kane simplesmente não vai embora da cidade, ao invés de confrontar os bandidos, uma vez que ele já se encontra aposentado? Seria por motivos morais? Motivos pessoais? Amor à profissão? Ou talvez seria para proteger a sua própria esposa? E já que mencionei a personagem de Gracy Kelly, devo atribuir um destaque especial a essa, cuja função no filme não é simplesmente ser a bela e meiga mocinha indefesa do mesmo, mas sim conter uma participação crucial no final do longa, quando o resultado do embate poderia ter sido completamente diferente, não fosse por sua intervenção. ?Matar ou Morrer? é, de fato, o pai dos westerns xerife versus bandido e só isto já é o bastante para exigir de todo o cinéfilo uma conferida.

Publicado por: Daneil Esteves de Barros -- cine-phylum.blogspot.com

Matar ou Morrer Seja o 1º a comentar
A Regra do Jogo

a-regra-do-jogo-voce4Jean Renoir foi, inquestionavelmente, um dos nomes que mais serviu de inspiração aos Cinemas moderno e contemporâneo. Antes mesmo de Federico Fellini estabelecer um complexo e contundente panorama sobre as nugacidades adotadas e cultivadas pela alta sociedade a fim de preencher o seu vazio existencial, Jean Renoir já havia o feito em 1.939 em ?A Regra do Jogo?. Antes mesmo de Woody Allen traçar as fragilidades de relacionamentos amorosos alicerçados em um pseudo sentimento de amor, Jean Renoir já havia o feito em 1.939 em ?A Regra do Jogo?. Introduzindo o espectador em sua obra-prima máxima com uma majestosa sinfonia composta por Wolfgang Amadeus Mozart, o filho de Auguste Renoir (um dos pintores impressionistas de maior renome na história da Arte) nos apresenta à filosofia adotada por ele quando o assunto em pauta é o amor: tal sentimento é rotativo e por este motivo é cada vez mais comum nos depararmos com indivíduos de todas as castas sociais que cometam adultérios.
Considerado um dos filmes cults de Arte mais importantes de todos os tempos, ?A Regra do Jogo? utiliza de pano de fundo para retratar a filosofia adotada por Renoir uma suntuosa casa de campo no interior da França onde alguns aristocratas e seus respectivos empregados se unem durante um final de semana para caçar coelhos e faisões. A partir de então somos convidados a conhecer e a conviver, durante dois ou três dias, com um grupo de pessoas fúteis e materialistas. Todos os personagens do longa têm fortes desvios de caráter, porém, se vêem obrigados a maquiar isto perante à sociedade hipócrita e falsa onde vivemos. Homens traem suas esposas, mulheres traem seus maridos, todos alegam que a mentira é uma característica inerente ao ser humano, pessoas se apegam a medidas frívolas e nulas a fim de preencher o vazio existencial presente em seus insossos cotidianos e, no final… bem, no final (um dos desfechos mais imprevisíveis e surpreendentes da história do Cinema) ocorre uma tragédia, tragédia esta que nos faz lucubrar sobre até quando falsos moralismos cristãos irão imperar em nossas vidas (conforme diz um personagem do filme: ?___ Corretos estão os mulçumanos que têm um harém ao seu dispor e podem dedicar o verdadeiro amor à mulher que mais ama, sem precisar desprezar as demais).

Publicado por: Daneil Esteves de Barros -- cine-phylum.blogspot.com

A Regra do Jogo Seja o 1º a comentar
Cassino

Ao criticar um determinado filme detesto ter que compará-lo a uma outra obra qualquer do mesmo gênero, mas no caso de ?Cassino? e ?Os Bons Companheiros? não há como fazê-lo de modo diferente. Por que? Porque os mesmos foram produzidos nos mesmíssimos anos 1.990, roteirizados pelos mesmíssimos roteiristas, dirigidos pelo mesmíssimo diretor, editados pela mesmíssima editora, estrelados pela mesmíssima dupla de atores (apesar de que este longa conta apenas com a dupla De Niro e Pesci. Ray Liotta, infelizmente, ficou de fora do elenco, quebrando o magnífico trio de ?Os Bons Companheiros?), narrados pela mesmíssima estrutura narrativa e focados no mesmíssimo tema: a máfia. Contudo, há uma diferença básica entre este longa e o dirigido por Scorsese em 1.990: a escalada social de seus protagonistas. Se em ?Os Bons Companheiros? Henry Hill se torna um hábil narcotraficante e, ainda assim, não consegue atingir os mais altos patamares da máfia (uma vez que ele não possui ascendência italiana), em ?Cassino? Sam “Ace” Rothstein (apesar de judeu) se torna um poderoso diretor de uma das propriedades mais lucrativas de sua organização. O resultado da obra? Se por um lado o longa protagonizado por Robert De Niro não se revela tão eficiente, cativante e dinâmico quanto o longa protagonizado por Ray Liotta, por outro lado ele nos realiza uma abordagem mais complexa sobre o apogeu e a queda de seu protagonista (e se você acha que o personagem de Liotta era regado de vantagens, espere só até ver o personagem de De Niro).
A direção de Scorsese é, como de praxe, perfeita e repleta de ângulos e movimentações sensacionais realizados por sua câmera. Note a presteza adotada pelo diretor enquanto este filma a seqüência que ilustra o processo desenvolvido pelos funcionários do cassino dentro da sala de contagem, fazendo uso de todas as espécies de travellings existentes. E o que dizer então da breve cena onde temos a impressão de ter uma câmera dentro de um canudo utilizado para cheirar cocaína? As atuações também estão todas fantásticas e o trio de atores principais conta com uma química simplesmente fenomenal (apesar de estar longe de ser tão boa quanto a dinâmica desenvolvida pelo trio Liotta, De Niro e Pesci em ?Os Bons Companheiros?). O roteiro se revela bastante competente não só ao abordar o apogeu e a queda de seu protagonista, conforme já fora previamente mencionado, como também ao retratar toda a corrupção e a imundice ética e moral presente nos cassinos de Las Vegas. Infelizmente a edição de Thelma Schoonmaker não se encontra no mesmo nível dos demais aspectos do filme. Longe de realizar um trabalho tão eficaz quanto o que fora realizado em ?Os Bons Companheiros?, Schoonmaker deixa de ?cortar algumas gordurinhas? que certamente confeririam ao filme um tom mais ágil e vivo, algo mister a uma obra desta espécie.

Publicado por: Daneil Esteves de Barros -- cine-phylum.blogspot.com

Rashomon

Dentre os filmes de Kurosawa que já tive a oportunidade de assistir, este ?Rashomon? talvez seja o que melhor comprova a genialidade deste como diretor (o que não quer, necessariamente, dizer que seja o seu melhor filme, uma vez que considero ?Os Sete Samurais? um longa ligeiramente superior a este). Logo no início da obra de 1.950 somos brindados com movimentações de câmera para lá de fantásticas. Repare na cena em que um lenhador ruma até o bosque para recolher lenha e Kurosawa o acompanha com um horizontal travelling, fazendo, logo em seguida, o rápido e conveniente uso de um vertical travelling. Posteriormente o diretor posiciona a câmera de um modo que possamos acompanhar o personagem através de um ângulo lateral de 225 graus a sudoeste e, por fim, volta a realizar novamente um horizontal travelling, só que desta vez mais ágil e ousado (pela maneira como impetra o bosque) que o anterior.
Mas o grande trunfo do filme fica por conta da filosofia pessimista adotada por este a fim de abordar a maldade e o egoísmo inerentes à raça humana. Utilizando de pano de fundo para tal o assassinato de um nobre e o atentado violento ao pudor cometido contra a sua esposa, o longa conta com uma primorosa edição que, além de alternar entre passado e presente de maneira sensacional fazendo com que o mesmo ganhe muita dinamicidade e não se revele nem um pouco cansativo, apresenta quatro historietas que narram quatro pontos de vista diferentes em relação ao crime de um modo um tanto o quanto imparcial e detalhista, unindo-os ao final da trama de uma forma simples e nada confusa. Os diálogos são magistralmente fenomenais e, juntamente com o brilhante roteiro, nos faz refletir sobre o quão cruéis e egoístas podemos ser, voluntária ou involuntariamente falando. Por outro lado, em sua cena final, o filme também nos mostra que, apesar de toda a maldade presente em nossa raça, há também gestos benevolentes capazes de tirar parcialmente a humanidade do estado de putrefação que esta sempre se encontrou.

Publicado por: Daneil Esteves de Barros -- cine-phylum.blogspot.com

O Encouraçado Potenkim

o-encouracado-potenkim2Certa vez, ao comentar sobre ?O Escafandro e a Borboleta?, mencionei que na próxima ocasião em que me fosse questionada uma posição sobre o que viria a ser, verdadeiramente, Arte, eu aconselharia que o filme de Julien Schnabel fosse assistido, pois, desta forma, a pessoa poderia ter uma idéia mais clara de como realmente seria a minha resposta. Entretanto, falando (ou escrevendo, como ocorre agora) objetivamente, creio que Arte vem a ser o modo como uma pessoa (no caso, o artista) externa os seus sentimentos de maneira individual ou global, tomando por base o mundo em que vive (vale utilizar também um outro mundo qualquer para tal, contanto que sejam empregadas metáforas que nos remetam, direta ou indiretamente, ao mundo onde vivemos, como é o caso de ?O Senhor dos Anéis?, para citar apenas um exemplo). Em ?O Encouraçado Potenkim? o roteirista e diretor Sergei Eisenstein certamente fez Arte, pois externou toda a sua visão com relação ao sentimento esquerdista característico da Rússia de 1925.

Tomando como pano de fundo a revolta dos amotinados a bordo do cruzador Potenkim, em 1905 (período em que o povo russo ainda era subordinado a um Czar), Eisenstein capta todo o sentimento anti-burguês que densamente marcou aquela época. O modo como o motim é retratado aqui faz com que todos nós sintamos na pele a mesma revolta que os marujos locais sentiam. Não há como não nos identificarmos com os mesmos e, de uma certa forma, nos transportamos para dentro da película, almejando fazer parte de toda a ação de uma forma direta. A luta dos protagonistas do filme inspira um sentimento de liberdade jamais visto no Cinema outrora (e confesso que, dentre os demais filmes a que já assisti (e isso inclui até mesmo as obras que foram posteriormente produzidas a ?O Encouraçado Potenkim?), nenhum outro inspirou-me tal sentimento de um modo tão profundo). É a Luta de Classes marxista elevada à sua máxima potência, é a justa revolta de marujos trabalhadores contra seus oficiais autoritários, é o vital e direto embate entre classe baixa e classe alta, operários e burgueses, subordinados e subordinantes.

A direção de Eisenstein é um ponto que torna a temática do filme ainda mais forte do que ela já é por si só. Realizando ângulos fantásticos durante a obra inteira (repare no modo como o diretor posiciona a câmera e cria várias tomadas aéreas durante o motim, ou na maneira como o mesmo foca, em uma única tomada, a clássica cena em que centenas de pessoas descem desesperadamente a escadaria de Odessa), o cineasta russo também mostra total competência no que diz respeito à riqueza de detalhes de ?O Encouraçado Potenkim?, conforme ocorre na seqüência em que, a fim de oferecer ao espectador uma prévia justificativa dos atos que os amotinados viriam a cometer, o diretor realiza um estratégico close em um pedaço de carne sorteado de vermes, retratando o quão inumanos eram os maus tratos pelos quais os marinheiros da época passavam (a propósito, há uma seqüência, logo no início do filme, onde vemos todos os marinheiros dormindo em um cômodo extremamente desconfortável e apertado; uma cena parecida com esta viria a ser utilizada no início de ?Mestre dos Mares ? O Lado Mais Distante do Mundo? com o mesmo propósito). Vale citar também o cuidado que Eisenstein atribui a uma outra cena cujo propósito também é preparar o espectador para uma revolta que viria a acontecer. Refiro-me, é claro, à seqüência em que os amotinados enviam o corpo de um marinheiro que fora morto, pelo simples fato de reivindicar comida, às praias de Odessa. Tal cena viria a causar a revolta de milhares de pessoas que passariam a se aliar aos amotinados do Potenkim e, juntos destes, se revoltariam contra as autoridades locais, fato que deu origem ao conhecido massacre nas escadarias de Odessa.

E já que mencionei tal seqüência, não há como deixar de conferir um único parágrafo deste texto apenas para descrevê-la individualmente. Se ?O Encouraçado Potenkim? conta com um motivo (além dos demais que já foram supracitados e de alguns outros que virão a ser citados mais tarde) que, definitivamente, colaborou para que o mesmo fosse imortalizado, este motivo diz respeito à chocante crueldade conferida em sua mais clássica cena: ?o massacre nas escadarias de Odessa?. Imagine você, caro leitor, vivendo no ano de 1925, em uma época onde o Cinema possuía exatos 30 anos de existência e, mesmo já tendo produzido, há dez anos atrás, um épico violento (e não digo ?violento? no sentido visual da palavra, mas sim no que diz respeito à forte descriminação racial inserida no contexto do filme) do naipe de ?O Nascimento de uma Nação?, se depara com algo tão frio e cruel quanto o massacre civil realizado pelas autoridades russas em Odessa. Não é de se estranhar que tal seqüência tenha marcado gerações inteiras, afinal de contas, é algo que nos transmite repulsas e aflições até mesmo nos dias atuais (imagine então na época em que o longa fora lançado, onde o Cinema era bem mais, digamos, puro e inocente). A dramaticidade de tal cena (que fora reproduzida anos mais tarde em um formato um pouco diferente no longa ?Os Intocáveis?) se torna ainda mais poderosa após vermos uma mãe carregando nos braços o filho, que acabara de ser pisoteado, suplicar clemência às tropas czaristas, que não se conscientizam com o pedido. A propósito, se alguém me pedisse para citar uma única imagem que resumisse o filme inteiro, esta certamente seria a eleita.

Por fim, encerro este texto comentando outro aspecto que fez de ?O Encouraçado Potenkim? um longa inovador e marcante: a edição do mesmo. Sobrepondo inúmeras imagens a fim de construir uma narrativa seqüencialmente estruturada, Eisenstein cria aqui uma revolucionária edição que conclui magistralmente a manipuladora (e digo isto no sentido positivo da palavra) função de conferir ao seu público o sentimento de afronta que o cineasta realmente desejava transmitir ao mesmo. ?___ E tal manipulação não torna o filme todo um tanto o quanto parcial?? ___ Me pergunta o astuto leitor. E eu respondo esta pergunta empregando, para tal, uma outra pergunta: ?___ Existe uma forma de retratar tal barbárie de modo imparcial??. Seria o mesmo que exigir de Steven Spielberg uma abordagem imparcial do holocausto retratado em ?A Lista de Schindler?. E, neste caso, Eisenstein não apenas criou uma verdadeira obra-prima, como também, da mesma forma que Steven Spielberg, colaborou imensamente com a humanidade, possibilitando que um dos atos mais imbecis que a nossa espécie já fora capaz de cometer ficasse eternamente gravado em nossas mentes, para que assim façamos o possível a fim de evitar que barbaridades de tal natureza venham a ocorrer novamente.

Publicado por: Daneil Esteves de Barros -- www.cine-phylum.blogspot.com

O Encouraçado Potenkim 1 Comentário
Seja legal, rebobine

rebobine-por-favor-voce?Bons? eram os tempos em que a gente ia numa vídeo locadora e havia aquele alerta para devolver a fita VHS rebobinada. No currículo de personagens do Jack Black ele já fez um professor roqueiro, um vendedor de discos e agora um catador de lixo, que faz as vezes de videomaker. É engraçado que Jack esteja sempre as voltas, que preservam um certo ar saudosista. Já Mos Def, é da mesma categoria do Ice Cube, carrega a carteira de rapper, mas na verdade é um ótimo ator. A dupla no novo filme de Michel Gondry é Jerry e Mike. Jerry é um catador de lixo que vive num trailer perto de uma usina elétrica, e Mike trabalha numa locadora que só trabalha com fitas cassetes para o Sr.Fletcher, muito bem interpretado por Danny Glover. Sob o risco de ter a sua locadora demolida, tendo em vista a falta de pagamento do aluguel, o Sr. Fletcher, se incube a sair por outras locadoras fora de sua cidade Passaic, em Nova Jérsei, e deixa por conta de seu único funcionário Mike, alertado-o para que mantenha seu amigo Jerry longe de sua locadora. Após a viagem do Sr. Fletcher, Jerry convence a Mike a ir ate a usina elétrica para sabotá-la, por crer ser uma ameaça à população da cidade. Na hora Mike deixa seu amigo maluco realizar sozinho seu plano e esse acaba sendo magnetizado, por uma descarga elétrica. E assim, ao entrar na Locadora Be kind rewind (Seja legal rebobine), acaba estragando todas as fitas VHS. Quando a cliente da locadora Senhorita Falewicz, pretende alugar Caça-Fantasmas e não consegue e percebendo a confusão instaurada na locadora dá o prazo de um dia para que o filme esteja disponível. E é a partir daí que Mike junto com seu amigo Jerry decidem criar versões suecadas do filmes que tem na sua locadora. Se o filme de Gondry se limitasse a isso já seria bom, porque as versões são extremamente engraçadas, com recursos para avô de menino maluquinho nenhum botar defeito, mas não, ele vai além. Demonstra o quanto a forma fria e perfeita cortou o barato de muita gente por aí. O quanto limitar o poder as grandes indústrias faz tão mal. É claro que alguém esqueceu que existe o YT, mas isso passa. A intenção do filme é demonstrar o quanto nós, o público somos importantes para o bom cinema, tanto que na última cena dá aquele glurb, de você não querer deixar as lágrimas descerem, mas não adianta, é uma cena bonita demais.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

rebobine, por favor be kind rewind 2 Comentários
Mensagens para a Realidade.

Misteriosas mortes acontecem nas principais cidades americanas, o que faz com que um professor, sua esposa e seu melhor amigo fujam para as fazendas da Pensilvania. Dirigido por M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido) e com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel e John Leguizamo no elenco.

Fim dos Tempos é um filme bem criativo tendo em mente um mundo em que a natureza se revolta com tudo que o ser humano já causou, com isso um veneno é liberado no ar, quando inalado as pessoas perdem a noção de tempo e lugar, assim fazendo de tudo para se suicidar. O filme é confuso, assim tendo que prestar bem a atenção em falas e em personagens, pois o diretor e roteirista (M.Night Shyamalan) tentou conduzir as pessoas para dentro do filme e no mesmo tempo incentivar de um jeito discreto e subliminar!
Mas o filme esta tendo muita discussão, pois muitas pessoas o estão achando exagerado ou sem sentido, pois algumas cenas são jogadas de forma que o público entenda de outro modo.
Reforço para assistirem esse filme, e para quem já assistiu que assista novamente prestando bem a atenção no que estão querendo passar para o público, até no mínimo das falas, e nas cenas rápidas, alguma coisa esta sendo passada, pense, compare no que está sendo transmitido.

Uma cena em que muitas pessoas acharam sem sentido foi quando o Matemático (John Leguizamo) faz uma conta para uma moça resolver,o público reclamou dizendo “estando no carro pronto para morrer, você acha que alguém faria isso numa hora dessa”
Ai está a questão, prestando a atenção no motivo da conta, estará mais uma dica sobre a grande dificuldade que estão passando, e será que poderíamos passar por isso

Agora será que alguma coisa mudará com a mensagem desse filme; as pessoas continuarão a destruir a natureza….

Publicado por: Richard

Fim dos Tempos Seja o 1º a comentar
Queime depois de ler

queime-depois-de-ler-voceÉ muito difícil escrever sobre esse filme, não por causa da trama em si, que é simples (Um funcionário da CIA está escrevendo um livro sobre sua vida, mas perde o cd que guarda o conteúdo e dois funcionários de uma academia encontram o objeto e tentam se aproveitar da descoberta), mas do quão profundos são os personagens, como são interessantes. Vai do alcoólatra que não admite, a mulher que corta as frases do amante antes dele concluir, o amante que para se sentir melhor malha de manhã, a mulher que apesar de “feia” desperta a paixão platônica de um ex-padre. Um metrosexual que acha que pode ser ameaçador mudando o seu tom de voz. Pô, infinitas coisas que podemos discutir sobre esse filme. Só sei que há uma boa soneca inicial, para pegar ritmo e dar aquela gargalhada alta no cinema um pouco antes de subir os créditos.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

queime depois de ler 3 Comentários
Tokyo-Ga, à luz de Bazin

Quem não conhece a obra do cineasta japonês Yasujiro Ozu (1903-1963) pode estranhar, à primeira vista, os longos planos de trens e ferrovias do documentário Tokyo-Ga (1985), de Wim Wenders. Lá pela metade do filme, no entanto, a referência fica clara: não há um filme sequer de Ozu em que não apareça um trem. O filme, do início ao fim, lembra uma espécie de diário de viagem, mas uma viagem com um objetivo: revelar a Tóquio que foi registrada pelo mestre japonês, e fazer-lhe uma reverência.

Ao chegar à cidade, no entanto, Wenders depara-se com outra paisagem. A Tóquio de Ozu, aquela Tóquio de seus primeiros filmes, de uma época anterior à Segunda Guerra, foi substituída por uma Tóquio ocidentalizada, cheia de luzes e sons e imagens, caótica em todos os sentidos. Longe de se assustar ou se decepcionar, no entanto, Wenders sente que esta “torrente de imagens impessoais, cruéis e ameaçadoras, até mesmo desumanas”, faz que com que fiquem mais fortes, em sua mente, as “imagens de um mundo adorável e ordenado da cidade mítica de Tóquio” registrada nos filmes de Ozu.

Determinado a conhecer a cidade, mesmo neste estado desfigurado, Wenders caminha por ela e aceita-a em toda sua plenitude, buscando inspiração em Ozu não para o espaço, que já não é mais o mesmo, mas no olhar, na técnica. O que Wenders procura em seu registro é mostrar a cidade como ela de fato é, sem falseios e sem maquiagem. Sua obsessão pela forma sem artificialismos leva-o a diversos pontos curiosos, como uma fábrica de comida de plástico e um local onde os japoneses treinam tacadas de golfe, sem o buraco como objetivo.

Este realismo sem truques, do qual só a fotografia ” e, por extensão, o cinema ” é capaz, é o objeto que André Bazin defende ao longo de sua obra. Segundo ele, o principal trunfo da cinematografia é a capacidade de representar a realidade tal qual ela é, sem interferência do artista. É uma arte pura, no sentido de que não é, como a pintura, dependente da habilidade do artista, sua imaginação ou de seus recalques psíquicos. “A personalidade do fotógrafo entra em jogo somente pela escolha, pela orientação, pela pedagogia do fenômeno; por mais visível que seja na obra acabada, já não figura nela como a do pintor”. O papel do cineasta, segundo Bazin, é o de um seletor, que escolhe o recorte da realidade que pretende registrar. Neste registro, segundo ele, não devem entrar recursos para causar ilusões ao espectador, como a justaposição de imagens que criam a impressão de terem sido gravadas juntas. Toda distorção, para ele, deve ser escrupulosamente evitada.

É justamente isto o que Wenders busca em seus filmes. Segundo ele, estamos tão acostumados com a distância que separa a ilusão do que vemos na tela de nossa vida e experiências reais que nos assustamos quando vemos, num filme, alguma coisa real de fato. “Não precisa mais que o gesto de uma criança no plano de fundo, ou um pássaro voando que atravessa o plano, ou a sombra de uma nuvem projetada sobre a cena”, diz ele. É o punctum de Roland Barthes, a realidade que se faz presente no registro fotográfico, inadvertida e implacavelmente.

Esta posição de Wenders difere da de Werner Herzog, que por acaso se encontra com Wenders e dá um depoimento ao filme, queixando-se de que em Tóquio “quase não existem mais imagens possíveis, seria preciso fazer uma escavação arqueológica para encontrar alguma coisa”. Há, mas não as que ele esperava encontrar.

Ozu era extremamente rigoroso neste sentido. Seu assistente e operador de câmera durante muitos anos, Yuuharu Atsuta relata que seu mentor sempre foi muito metódico, a ponto de utilizar sempre a mesma lente (50mm), o mesmo posicionamento de câmera em relação aos atores (na altura dos olhos de uma pessoa sentada no chão, com apenas uma inclinação em cenas de close up), tudo isso com o objetivo de evitar distorções e capturar a realidade da cena ? há uma diferença entre isto e tentar representar a realidade.

Voltando à fascinação por trens, Atsuta revela que por causa de seu rigor ele evitava filmar em locações externas, por causa dos curiosos que sempre se aglomeravam ao redor. A única concessão que ele fazia a Atsuta para sair do estúdio era a filmagem interna em trens: “Não dá pra recriar um trem no estúdio. Ele chacoalha, mas não do jeito certo”.

Publicado por: Toni Barros -- www.twitter.com/tonibarros

Tokyo-Ga 2 Comentários
Rede de Mentiras ou Diamante de Sangue 2???

Direção: Ridley Scott
Roteiro: William Monahan

Você quer um ator para ser correspondente internacional, chame Leonardo Di Caprio. Você quer um ator que abra mão de sua integridade física para executar melhor seus papéis chame Russel Crowe. Parece simples mais é preciso muito mais que isso para a execução de um bom filme. É preciso um bom roteiro, o que justamente Rede de Mentiras não tem. Indeciso na execução de sua idéias se resume no seguinte: Roger Ferris (Leonardo Di Caprio) um ex-jornalista que se tornou agente da Cia, tem sempre frustradas suas missões na Jordania contra ações terroristas tendo em vista as interveções de seu chefe de missão Edward “Ed” Hoffman (Russel Crowe), um completo imbecil, mas amparado por toda a tecnologia da Cia, a seu favor, como os maravilhosos satélites, consegue ter sempre o “controle da missão”. Ferris (Leonardo Di Caprio), até que se esforça bem, é bem articulado, consegue se passar por um local mesmo com aquela cara (a barba mal feita ajuda), atira bem, consegue sair de situações de perigo praticamente ileso (tem ferimentos é claro, mas nada que uma vacina antitetanica ou antirábica não resolva), domina vários idiomas, inclusive dominando os sotaques, mas não consegue chegar lá, pelas interveções de seu chefe que trabalharia melhor com Jack Bauer, por causa da velha afobação norte-americana, para tentar por fim a conflitos de anos e dar segurança ao povo norte-americano que diferente de outros países não se fortalece com os conflitos, e sim tem suas autoridades esmagadas pela opinião pública.. Esquecendo o elenco de medalhões e focando nos “locais”, vemos um belo trabalho do ator inglês Mark Strong interpretando Hani Salaam, o cabeça do Departamento Geral de Inteligência da Jordânia, que aliais falar qualquer coisa aqui seria um spoiler que acabaria com o pouco da qualidade que o filme tem. Outro destaque fica por conta da de toda a beleza e graça de Golshifteh Farahani no papel de Aisha, enfermeira que é interesse romântico de Ferris (Leonardo Di Caprio) e nosso caro Alon Abutbul como Al Salim, poderoso lider terrorista. As maiores mentiras relacionadas ao filme são o trailer que passa um clima de Jason Bourne sem ser, devida a sua montagem e a sinopse divulgada por aí, que na verdade foi só uma parte no filme que não faria a menor diferença fora da trama, mal e porcamente aproveitada. Eu acho que se o filme fosse direto para a locadora, e com uma distribuição porca, talvez, o que não é impossível, tratando-se de traduções equivocadas de títulos de filmes estrangeiros, Diamante de Sangue 2, seria o título.

Locação de filme para assistir antes da sessão:

Diamante de Sangue

Locação de filme para assistir após a sessão:

O Reino

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

Rede de Mentiras 2 Comentários