Bruce Dickinson roteirista

Basicamente, um filme escrito por Bruce Dickinson, piloto-escritor-historiador-esgrimista e nas horas vagas vocalista do Iron Maiden, junto com Julian Doyle, conhecido por fazer parte do grupo inglês de humorista Monty Python, e por dirigir o video-clipe de Can I Play With Madness? do Iron Maiden.

A história do filme gira em torno do famoso e polêmico ocultista Aleister Crowley.

No filme, ele morre e reencarna em um corpo de um tímido (e gago) professor universitário.

No geral, é um filme B. Caso você vá assistir esteja ciente disso.
Este filme está mais próximo de um “exploitation” do que qualquer outra coisa, ou seja, não há pretensão de receber méritos artísticos ou comerciais.

Ele praticamente só foi rodado regionalmente e em festivais undergrounds por ai.

Chegou até ganhar alguns prêmios como no festival Cryptshow, pela originalidade do roteiro (mérito do Bruce Dickinson) entre outras coisas.

E realmente, me surpreendi com o roteiro, confesso que não botava muita fé nesse trabalho de Bruce Dickinson pois ele não é do “ramo”, mas até que ele se saiu bem em sua função, montou uma alinearidade inteligente nesse filme.

O elenco de atores no geral é bem amador, com excessão de Simon Callow, que teve uma atuação bem competente.

Alguns assuntos como universos paralelos, ocultismo, ciência, sexo e religião são tratados em alguns diálogos, sem muita profundidade.
Se você estava procurando conhecer a Thelema ou as idéias de Aleister Crowley, esquece, esse filme não te dará praticamente nada do que você está procurando.

O filme é uma boa distração.
Uma excelente pedida para as tardes de um sábado chuvoso, quando você não tem nada melhor pra fazer, quando o orkut encheu o saco, quando na TV não passa porra nenhuma que preste.

Publicado por: Gabriel Vince -- http://www.vincedesign.com.br

The Chemical Wedding 2 Comentários
Coração de Brinquedo

E se você fosse um brinquedo com sentimentos humanos e seu dono, já com 17 anos, não brincasse com você há anos? É nesse clima emocionante que se desenrola o novo filme da Pixar. Mais um que você PRECISA ver.

Mas não tem como falar de Toy Story sem dar uma pincelada sobre o curta exibido antes da História de Brinquedo. Estou falando do maravilhoso Dia & Noite. Sério. Eu não sei quem escreve essas coisas. Mas, seja quem for, ele é melhor que 90% dos escritores da atualidade. Em menos de 5 minutos, você ri, chora e se emociona, com uma história definitivamente absurda e, justamente por isso, genial. Além de linda.

Voltando ao assunto.

Eu sei que você já assistiu os dois primeiros Toy Story. Não vou gastar nosso tempo filosofando sobre as personalidades tão bem criadas dos brinquedos de Andy. É claro que existem novos brinquedos na trama. E só posso dizer que eles são igualmente geniais. Desde o maquiavélico ursinho cor-de-rosa Lotso ? com cheirinho de morango -- passando pelo assustador bebezão, até a apaixonante Barbie e seu metrossexual de plástico, Ken.

A trama segue uma bem desenvolvida jornada do herói. Pixar é Disney. Disso eles não fogem. A inovação está no modo como esta jornada é contada. Nem tinha como ser diferente. O roteirista é o Michael Arndt. Sim, o mesmo de Pequena Miss Sunshine (melhor roteiro original em 2007). Em muitas partes, você #rialto. Em outras, fica com medo. Mas em cada cena da trajetória de Woody e sua turma, você se emociona. E é isso que quero quando vou ao cinema.

Se tivesse que falar algo negativo, só pra equilibrar a crítica, diria que é um pouco mais adulto do que deveria -- to com medo do bebezão até agora! Na sessão que eu vi, nenhuma criança tinha menos de cinco anos. E creio que essa seja uma boa classificação etária para você, que está pensando em levar seu irmãozinho.

Para finalizar, preciso desabafar: Todo filme de animação é prejulgado por abusar dos efeitos visuais e esquecer-se da trama, dos diálogos, dos personagens, enfim; do roteiro. Sendo assim, cabe ressaltar que só falei aqui do roteiro. Até porque, a parte visual prefiro resumir em duas palavras:

Disney Pixar.

PS: Minha namorada chorou.

Publicado por: Fernando Luz -- fernandoluz.com

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As 3 horas mais curtas que já vi

Lançado em 1954, “Os Sete Samurais” é o filme mais aclamado pelo diretor Akira Kurosawa, ganhador do prêmio Leão de Prata no Festival de Veneza e que foi influenciador de muitos outros conhecidos diretores, como por exemplo Quentin Tarantino. A influência deste filme na cultura Pop não se limita apenas ao cinema, vemos tambem muita influência deste clássico nas historias em quadrinhos japoneses (o mangá) e em animes como Samurai 7, de Toshifumi Takizawa. O filme não tem menos que 3 horas de duração, e confesso que quando assisti, foram as 3 horas mais curtas que ja vi. O interessante é que ele é dividido em 2 atos, e no intervalo de um ato para o outro há uma pausa dentro do proprio filme de 10 minutos, onde é mostrada uma inscrição enquanto corre uma trilha sonora ao fundo, algo no mínimo curioso, nunca tinha visto isto em um cinema. A historia do filme se passa no Japão, século XVI, em um humilde vilarejo de lavradores que é constantemente atacado por saqueadores. Cansados de serem atacados, eles resolvem contratar samurais para defendê-los. Ha época era propícia em achar tal serviço, os senhores feudais não mantinham mais samurais, e muitos deles foram rebaixados a condição de Ronins, samurais eram vistos como guarda costas, os lavradores procuravam extamente esses Ronins, samurais que não tinham a quem servir, que viviam na marginalidade, na pobreza (em certos casos não tinham o que comer), e não tinham um prestígio social maior que um simples camponês. O primeiro samurai a aceitar tal serviço é Shimada (Takashi Shimura), um verdadeiro líder, totalmente desprendido e generoso, alem de ser um guerreiro experiente e estrategista astuto.  Ele recruta outros samurais para ajudar nesta empreitada, cada recrutado tinha sua característica única, falerei de alguns mais marcantes: Temos Kyuzo (Seiji Miyaguchi) um samurai de primeira linhagem, totalmente litúrgico, austero, intropesctivo que trata o bushido (caminho do samurai) com um verdadeiro sacerdócio. Temos tambem o jovem Katsushiro (Isao Kimura), um rapaz totalmente inexperiente e fascinado que tem veneração pelos samurais e ansceia tornar-se alguem como eles. Mas o destaque mesmo vai para Kikuchiyo (interpretado pelo brilhante Toshiro Mifune), um bufão que é sempre ridicularizado no filme, e que tenta se unir ao grupo a qualquer custo. Kikuchiyo é um personagem inesquecível, uma figura cômica, o papel perfeito do anti-heroi, totalmente fanfarrão; porém ele se demonstra, ao decorrer do filme, um verdadeiro guerreiro, bastante destemido e enérgico
Concluindo, “Os Sete Samurais” é um filme incrível, diversão garantida.

Publicado por: Gabriel Vince -- www.vincedesign.com.br

Os Sete Samurais Seja o 1º a comentar
Uma Flor

“Na Somália todo nome tem um significado”, afirma Waris Dirie. E o seu, a propósito, significa “Flor do Deserto”.

O filme conta a história (real) de uma mulher, que aos 5 anos, atravessou um deserto inteiro fugindo de seu destino cruel. Waris não queria casar-se com o noivo que a havia comprado. Com a ajuda da avó, foi para a Inglaterra, onde deveria ser empregada na casa da irmã que casara com o Embaixador da Somália naquele país. Mas, um golpe de Estado na Somália fez com que as coisas mudassem. Waris foi parar nas ruas de Londres. Lá, encontra um tipo estranho a princípio. Contudo, Marylin, uma doce trapalhona candidata a bailarina profissional, seria sua melhor amiga. Foi através dela, aliás, que descobriu que o que pensava sobre ser mulher não estava tão certo. A cena mais chocante, sem dúvida, é quando ambas estão no quarto e Waris se despe para mostra-se à amiga. Chocada, Marylin não sabe como agir diante da circuncisão que Waris havia sofrido quando pequena. Mas, bonita, a Flor do Deserto logo passou de faxineira de lanchonete a modelo internacional. E isso não foi algo hollywoodiano. Foi através de Terence Donovan, fotógrafo famoso e seu anjo da guarda no mundo fashion. Apesar de problemas como deportação e a vergonha de despir-se em frente à lentes, Waris vira capa e assunto principal de revistas como Vogue, Bazaar e Vanity Fair. E aí vem há a parte mais emocionante da trama. Ela se encontra com uma repórter que já tem uma pauta direcionada para a entrevista com a ex-nômade e atual top model. Mas, Waris se nega carregar esse rótulo. A repórter pergunta sobre o dia em que mudou a sua vida. Ela, então, relata em detalhes o dia em que foi levada pela mãe, aos 3 anos, para extrair seu clítoris e os lábios vaginais. Assim que acaba o relato, sai e deixa a repórter aos prantos. A repercussão de sua entrevista chegou à ONU. Nomeada Embaixadora da Luta contra a Mutilação Genital Feminina pelo secretário-geral Kofi Annan, emocionou o público de várias nações que a ouviu. Disse que amava a mãe e os irmãos. Declarou seu amor à África. Mas deixou clara, principalmente, sua vontade de extinguir o rituial da circuncisão da genitália feminina. Deixou clara, enfim, sua vontade em mudar o sentido de ser mulher. Recomendo para todos os tipos de mulheres. Das feministas às menos engajadas na causa dos direitos iguais. Das tatuadas às mais tradicionais. Das mães às filhas. Recomendo à todas e convido a uma reflexão. Pensem. Isso não está muito longe de nós. Isso não está tão longe da realidade que vivemos.

Publicado por: Ana Carollina Cavalaro Ribeiro

Flor do Deserto Seja o 1º a comentar
Faltou pouco para ser um Watchmen

Eu acabei de assistir a sessão de Kick Ass, e o filme me trás uma triste constatação, que a frase do Coringa é verdade. Vou tentar ser mais claro, foi-se o tempo que galhofar quadrinhos no cinema, era um beco sem saída para as várias frustradas tentativas de adaptações. De Superman, O filme à X-Men, O filme, muita água suja passou por baixo da ponte. Não que o gótico Batman de Tim Burton não tivesse seu charme, e talvez se não fosse ele não existiriam os conceitos tão bem utilizados por Christopher Nolan em seus 2 Batman, mas trazer para a realidade os super heróis, realmente se tornou uma regra que não poderia mais ser subvertida pela industria do cinema, e muito menos, aceita pelo público alvo, já que este foi brindado com TDK, Homem de Ferro e a trilogia do Homem Aranha. No entanto, decidiram adaptar para o cinema o Watchmen dos pobres, Kick Ass, e essa subversão e senso de escracho dos super heróis, vem novamente em voga. O Kick Ass que usa muito bem o sotaque Tobey Maguire, tem muito mais peito para enfrentar a bandidagem do que o Homem Aranha, mesmo sendo um wannabe, este vive dentro dos limites de sua realidade nerd: tem dois amigos, nenhuma namorada e é apaixonado pela lindinha do colégio. Aliais sobre o Homem Aranha, creio que no quesito humor o HA2, ganhe do Kick Ass no que tange a sátira ao personagem. Sem querer despresar o trabalho do ator, eu preferia um Kick Ass mais bunda mole ainda, e acho talvez fosse melhor escalar o Michael Cera para usar o uniforme verde. Aliais seu velho amigo Mac Lovin, que agora é o Red Mist filho do vilão interpretado por Mark Strong, que não assusta mais do que uma barata, manda muito bem, apesar das delimitações do roteiro. Eu gostei e muito dos dois absolutamente loucos e homicidas Biggy Daddy e sua querida filha Hit Girl. Daí que o lado ?Super Herói, O filme que se leva um pouco mais a sério?, toma sua viés de Watchmen, e dois personagens que por si só sustentariam o filme sem a ajuda do verdinho Kick. O Storyboard desenhado pelo próprio Biggy Daddy resumindo o porque ter se tornado um vigi lante mascarado que é folheado por um amigo policial que criou a Hit Girl é maravilhoso. E fiquei por um tempo com a minha mão no queixo até chegar o sensacional o terceiro ato, cujas seqüências de ação abalam qualquer um, afinal é uma menina de 11 anos, ora bolas, mandando ver bala e decepando bandidos. Se não fosse a pretensão de querer uma continuação, e se ousasse um pouco mais e enriquecesse até sua fonte de inspiração, Kick Ass seria um filme memorável. Mas, Kick Ass é apenas um filme daquela classe que não vigora mais, e talvez o futuro dos filmes das HQs, se aproxime mais de adaptações de Marvels, Sandman e Superman-Paz na Terra, para continuar se mantendo na posição que conseguiu alcançar para continuar sendo levado à sério. Realmente Batman, você mudou as coisas para sempre.

Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/

Decepção

O único sentimento que surgiu em mim, após a sessão de “Fúria de Titãs\” foi que eu precisa assistir ao original “Fúria de Titãs”, de 1981, para conferir se esta clássica história já rendeu produções ruins, desde a década de 80, pois esta refilmagem, decepciona muito! Confesso que aguardei este filme, como um dos mais esperados do ano, para mim, acreditando que esta produção seria realmente boa. Mas, não. Foi uma grande decepção. Isto porque eu assisti a versão em 2D, pois dizem que o 3D deste filme o piora ainda mais. Este filme é uma completa fraude. Se você assistir aos trailers, você vai ficar encantado, morrendo de vontade de sair correndo para o cinema mais próximo e assistir “Fúria de Titãs”, mas quando você está na sessão, você percebe que o filme não é nem metade do que promete no seu marketing. O grande problema de “Fúria de Titãs” são as cenas de ação. Pode parecer ironia, mas são por essas cenas que você tem vontade de assistir a este filme, e, obviamente, se decepciona. As cenas de ação não possuem clima algum, e não funcionam, não emocionam e não nos deixam interessados no que estamos vendo. Este filme, durante praticamente toda a sua projeção fica criando suspense e promessas de grandiosidade na cena final, onde o Kraken será libertado e destruirá. Mas quando esta cena chega, quando o ápice do filme chega, chega também a decepção de que a cena final seja completamente sem graça, sem clima e rápida. O filme acaba como começou: com promessas falsas. No elenco Sam Worthington, numa de suas piores atuações! Ele não consegue transmitir qualquer sentimento. Sua expressão facial permanece praticamente a mesma o filme todo. Horrível. “Fúria de Titãs” decepciona em roteiro, e em atuações. Mas esta produção possui um ponto positivo! Os efeitos visuais são muito bem produzidos! Pena que eles sozinhos, não carreguem um filme nas costas. Esta refilmagem conta a história de Perseu, um semideus, que, em meio a uma guerra entre homens e deuses, decide, por vingança, matar Hades, um deus que matou sua família. Matando Hades, ele irá salvar uma cidade dos homens, ameaçada pelos deuses. Mas para isto, Perseu terá que matar o grande monstro Kraken.

Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com

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O Lastimável Preconceito Contra Lemon Tree

É assistindo a filmes como “Lemon Tree” que percebemos a hierarquia criada por algumas pessoas, sobre cinema. Muitas pessoas, digo isso por conhecer pessoas assim, dizem que não possuem preconceitos, mas criam opiniões errôneas sobre filmes extra-americanos ou ingleses. Muitas pessoas julgam filmes de outros países, que não são dos E.U.A ou da Inglaterra, como produções inferiores. Muitos acham que outros países não possuem capacidade de criar filmes bons! Isso é lastimável, pois muitas produções incríveis são deixados de lado pelo público. “Lemon Tree” é uma prova clara disto. Esta produção possui diversas características de uma produção americana, mas por ser um filme israelense, é menosprezado. Facilmente este filme seria confundido com uma produção norte-americana. Desde a fotografia até as atuações, são típicas de um filme dos E.U.A. Mas “Lemon Tree” não merece ser assistido por isso. Merece ser assistido pela sua profundidade ao explorar temas como a utilização do poder a seu bel-prazer, a injustiça do governo, e a luta de uma mulher para preservar uma coisa que ama, e de onde tira seu sustento: seus limoeiros. E quem menosprezava os artistas israelenses, deve assistir “Lemon Tree” e ver que eles, com menos experiência que atores e atrizes hollywoodianas, conseguem interpretar de uma maneira colossal e tocante, e muitas vezes melhor que os atores e atrizes norte-americanos. Ainda tento entender o motivo de, em minha crítica, eu não dar cinco estrelas para este filme (obviamente não é por ser um filme israelence, pois eu não possuo preconceito contra nenhuma nacionalidade de filme). Talvez por não o considerar uma obra-prima, mas posso afirmar que está perto de ser uma, e com certeza, é um dos melhores filmes estrangeiros que eu assisti! Incrível! Tocante! Magnífico! “Lemon Tree” narra a história de Salma, uma mulher palestina, que possui uma plantação de limoeiros. Um dia, o ministro da defesa se muda para o lado de sua casa. Ele decide então, alegando um risco a sua segurança, mandar derrubar os limoeiros, que serviam de fonte de renda para Salma. Ela recorre ao tribunal, que decide pela derrubada das árvores. Sem perder as esperanças, Salma vai à Suprema Corte de Israel tentar salvar suas árvores. “Lemon Tree” é uma excelente escolha para quem realmente não possui preconceitos.

Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com

Filmaço, até os 30 minutos iniciais

Piratas do Caribe, Era Uma Vez no México, O Procurado e Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo. O que estes filmes tem em comum? Todos são títulos de mero entretenimento que, mesmo contando com uma série de situações absurdas, cumprem bem o seu papel de recrear o público alvo fazendo o uso de uma trama descompromissada e simplória para tal. É com tristeza, no entanto, que deve-se mencionar que, dentre os quatro citados, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é, de longe, o pior destes. Contudo, se a nova investida cinematográfica dos estúdios Disney está bem distante de ser uma maravilha, devemos agradecer também pelo fato deste se encontrar há anos-luz à frente de um O Escorpião Rei ou, principalmente, de um A Múmia Tumba do Imperador Dragão (falsa impressão esta que, confesso, o fraco trailer havia me passado).

Parte deste trunfo cabe a Mike Newell. Cineasta responsável por clássicos da década de 1990 (se é que um filme com menos de trinta anos de existência pode ser chamado de clássico), como os ótimos Quatro Casamentos e Um Funeral e Donnie Brasco, além de comandar um dos melhores (o melhor, até o momento, a meu ver) episódios da franquia Harry Potter, Newell emprega ao longa um profissionalismo que, sem o seu toque especial, contaria com grandes chances de se tornar mais uma bomba em forma de blockbuster inspirado em game (essa que é uma fórmula perigosa, uma vez que já criou porcarias da grandeza de um Mortal Kombat (todos os filmes da série), Resident Evil (todos os filmes da série) e, sobretudo, Street Fighter que de tão ruim, nem sequer conseguiu se tornar uma série), produzida por Hollywood.

Prova disso é o modo como o diretor conduz a primeira batalha do filme que, indubitavelmente, revela-se o momento mais inspirado deste. Empregando travellings ágeis e seguros, que tornam a sequência mais dinâmica, a câmera de Newell segue o trajeto de flechas (algo à lá Rei Arthur, quando Guinevere, personagem de Keira Knightley, dispara uma flecha em direção a um saxão), passeia pelo cenário ilustrando o tamanho da muralha a qual os soldados deverão trespassar, e realiza um rápido, e ao mesmo tempo sutil, recuo que nos transporta do interior do castelo, onde um soldado dá um sinal levantando uma tocha, aos batalhões de combatentes que se encontram ao lado exterior do alvo.

Não obstante, o diretor ainda filma a batalha por vários ângulos, movimenta a câmera com o intento de ilustrar ao espectador a estratégia dos combatentes, realiza closes no rosto do protagonista sempre que o perigo é eminente, e trabalha com uma trilha-sonora que cria um convincente clima de suspense durante o início da invasão.

À primeira vista, temos a sensação de estarmos diante de uma produção pipoca fascinante. Afinal de contas, o que se vê em tela é um combate empolgante, engrandecido por lutas bem coreografadas e uma direção bastante eficiente. O que mais poderíamos esperar de um longa desta natureza? É aí que os problemas começam a surgir.

Com o término de seus trinta minutos iniciais, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo parece já ter mostrado ao espectador tudo o que tinha para mostrar e, a partir de então, passa a investir demais na química entre o seu protagonista, encarnado por Jake Gyllenhaal, e a linda princesa Tamina, encarnada pela igualmente linda Gemma Arterton.

O que há de ruim nisso? Nada, contanto, é claro, que a premissa de tal relacionamento não fosse calcada no batido eles se odeiam, mas no fundo se amam.

Mas se o roteiro, apesar de alguns acertos, acaba não colaborando muito com os respectivos papéis de Gyllenhaal e Arterton, os atores ao menos investem em atuações que, em boa parte dos casos, faz-nos esquecer das caricaturas.

Gyllenhaal aparece aqui com o seu carisma habitual, adotando uma postura cínica e imprevisível a Dastan, cuja malandragem lembra um pouco (e eu disse, um pouco) um velho conhecido nosso: o capitão Jack Sparrow.

Arterton, por sua vez, não consegue demonstrar o mesmo talento que o seu colega de set, mas é fato que a jovem atriz inglesa conta com um charme e uma sensualidade inerente à sua personagem. E se as citações aos atributos físicos dos atores de qualquer filme que seja geralmente se mostram repugnantes, é importante justificarmos que, no caso da princesa Tamina, a beleza, o charme e a sensualidade são essenciais na composição da nobre jovem que, somados a uma dose certa de destreza (algo que Arterton também possui), fazem com que a moça consiga enganar as suas vítimas de um modo bastante natural, quase tanto o quanto Dastan.

Em relação às demais peças do elenco, o talentoso Alfred Molina surge em um papel dispensável (apesar de sua carismática presença) e o ainda mais talentoso Ben Kingsley encarna um Nizam convincentemente ardiloso (e, assim como ocorre com a maioria dos personagens, o mérito dessa persuasão parte do talento do intérprete, e não do modo como o roteiro nos desenvolve o personagem), mas o ator erra a mão quando opta por, sempre que possível, realizar um ameaçador olhar de canto, algo que o torna bastante caricato.

Já a trama principal, esta nos é apresentada de forma simples e tola, embora cativante e curiosa (um punhal capaz de fazer com que o seu portador regresse alguns minutos, ou até mesmo, dias, no tempo). O problema mesmo surge quando uma estória envolvendo punição divina entra em cena. A partir de então, o longa, além de realizar um leve plágio de muitas obras do gênero (e cito Piratas do Caribe A Maldição do Pérola Negra novamente), perde muito do charme que a sua simplicidade vinha nos oferecendo até o momento.

Resta ao espectador então acompanhar as eficientes atuações de algumas peças do elenco, as cenas de ação que, apesar de contarem com pouca originalidade em suas coreografias (salvo durante a batalha inicial, conforme já fôra mencionado, e em um duelo de facas e dardos, ocorrido ao final da projeção), mostram-se suficientemente divertidas, e a já citada (e citada novamente de forma merecida) direção de Newell que utiliza, com bastante sutileza, truques como o slow motion, durante a preparação do golpe a ser dado pelo atacante, e o fast motion, que exibe o resultado do golpe de forma corriqueira, já que, em cenas deste tipo, a elaboração da pancada é sempre mais digna de nota do que a própria pancada em si.

Divertido, mas longe de empolgar tanto o quanto outros exemplares similares, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo vale o ingresso. Só não estranhe se, minutos após o término da sessão, você se esquecer de noventa por cento do que fôra visto em sala de cinema.

Publicado por: Daniel Esteves de Barros -- http://www.cinephylum.com.br

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo 2 Comentários
Ainda somos os mesmos

Discordo profundamente dos que dizem que Woody Allen é repetitivo, deixando transparecer nas nas entrelinhas que ele assim o é por falta de criatividade. Todas as neuroses, conflitos, buscas, enfim, toda a comédia dramática da vida são recorrentes em sua obra porque o ser humano continua sendo recorrente: um amontoado complexo de idiossincrasias. Não há mudança. Assim também em Allen. E talvez por isso eu o ache tão talentoso e de uma criatividade ímpar: ele fala do mesmo tema, vezes sem conta, mas de ângulos sempre com um quê de diferente.
Se em Match Point tínhamos uma personagem que ia às últimas consequências para conseguir (e principalmente manter) o que queria, neste Vicky Cristina Barcelona temos o oposto: uma que não sabe bem o que quer; outra que não vai atrás do que deseja por comodismo e medo, refém de convenções sociais tão antigas quanto discutíveis e questionáveis; outra deseja tudo, e tanto, que flerta com o desiquilíbrio emocional.
Assim é Allen. Observador e talvez o melhor entendedor da alma humana traduzido em cinema.

Publicado por: Alexandra Fonseca -- pensataerrante.blogspot.com

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A obra máxima de Tarantino

Hoje eu vou falar sobre o melhor filme do ano de 2009, segundo a minha sincera opinião: Bastardos Inglórios. Quem acompanha a carreira do diretor Quentin Tarantino, não precisa de muitos argumentos para poder ir ao cinema ver essa obra. O filme, com certeza, é o ápice de tudo o que ele já fez.

Os filmes dirigidos e roteirizados por Tarantino sempre tem características marcantes e facilmente reconhecidas por uma pessoa que é fã do diretor. São elas:

- Cenas de diálogos que não alteram praticamente em nada a história do filme, mas que ficam marcadas por serem inteligentes e fazer pensar.

- Trilha sonora encaixadas em cenas que não tem nada a ver com a música, mas que mesmo assim fica ANIMAL. Ele sempre ressuscita músicas antigas ou bregas? que na mão dele se tornam cult.

- Homenagens a qualquer tipo de cinema. Tanto aos repetitivos filmes de kung-fu, quanto aos trashs bizarros. Tarantino trabalhou anos em uma locadora? ele vomita toda essa bagagem adquirida.

- Ressuscitar atores apagados.

- Roteiro sem linearidade. Ele faz o filme, picota tudo e joga pra cima. (ok, eu exagerei)

- Violência.

- Inesperado. Você nunca acerta o que vai acontecer. Garanto. E quando eu digo que o filme é inesperado, eu não to falando de só um final surpreendente como acontece em o ?O Sexto Sentido?. Eu estou falando de você não adivinhar NADA do que vai acontecer daqui 3 segundos? isso durante o filme todo.

Eu mostrei tudo isso para vocês, que ainda não assistiram Bastardos Inglórios, entenderem o que é exatamente esse filme. É um filme de guerra de uma maneira que eu nunca tinha visto antes. Esquece esse filme de guerra que você está pensando nesse momento. Sério. Não é isso.

A história se passa na 2ª Guerra Mundial, na França que estava ocupada pelos nazistas. O tenente Aldo Raine (interpretado fodasticamente por Brad Pitt) é o encarregado de matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível, infiltrado no meio deles com um pelotão de apenas OITO soldados.

O filme é formado por cenas de tensão. Incrível como tudo foi feito cuidadosamente para criar tensão do começo ao fim. A trilha sonora cresce junto com situações criadas. As situações que são retratadas fazem você rir? rir de nervoso. O tempo todo parece que vai dar merda.

As cenas são muito bem dirigidas e as atuações estão simplesmente perfeitas. Não tem um personagem principal? ninguém tenta aparecer mais que o outro. O destaque maior é do ator alemão, ganhador do Oscar, Christoph Waltz. Ele faz, com certeza, um dos maiores vilões da história do cinema: o coronel nazista chamado Hans Landa. A melhor palavra que define esse personagem é: Educação. É tanta educação que chega a dar nojo. Ele é o cara filha da puta? mas não perde a educação. Sabe quando você começa a desconfiar que vai dar alguma bosta? Sabe quando tudo está muito certinho demais?

Eu saí em êxtase do cinema. Os créditos começaram a passar? e eu não queria levantar da cadeira.
Como eu não quero entregar NADA do filme? o resto sobre ele eu deixo para discutir com quem já assistiu. E pra quem não assistiu ainda, ficam essas dicas para vocês prestarem atenção:

- Trilha sonora. Como e quando ela entra. Como e quando ela para (do nada).
- Câmeras girando ou seguindo personagem na hora exata da atuação.
- Closes calmos, sem pressa? principalmente em situações de tensão. As pessoas por dentro estão explodindo? mas por fora tem que se mostrar calmos.
- Ironia em cima do politicamente correto. O filme liga o foda-se pra tudo. TUDO!

Pra quem não gosta de violência. Um aviso: Tem violência SIM. Mas é pouco e irrelevante quando se compara com o resto da obra de arte.

Gente? eu não sou especialista em nada. Tudo o que eu escrevi aqui, é a minha opinião. Todo mundo tem um ponto de vista quando acaba de assistir um filme. Todo mundo tem algo a falar quando sai do cinema. Sendo certo ou não? o que eu tenho pra falar, está falado!

E você? Tem uma opinião?

Publicado por: Vinicius Paraiba -- http://www.viniciusparaiba.com.br

Bastardos Inglórios Seja o 1º a comentar