Contando com uma direção assaz competente de Claire Denis, um eficiente trabalho de mixagem de som, uma brilhante fotografia que se revela bastante conveniente quando opta por realçar os tons escuros dos cenários angustiantes os quais se desenvolvem a trama e com uma inspirada (e inspiradora, diga-se) trilha-sonora de autoria do grupo Thundersticks,35 Doses de Rum foca o seu cerne em um roteiro que visa, acima de tudo, estudar profundamente uma ampla gama de personagens insossos que vivem cotidianos igualmente (ou ainda mais) insossos, bem como eu, que escrevo este artigo neste exato momento, e você, que lê esta mini-crítica neste mesmo instante.
A palavra chave adotada aqui é sensibilidade, e é com esta sensibilidade verdadeiramente invejável que Denis desenvolve a vida das mais variadas pessoas que contam com algo em comum: o visível cansaço pela previsibilidade de um mundo cada vez mais afetado por cotidianos insuportavelmente cíclicos, um dos grandes males enfrentados por um mundo cada vez mais globalizado (sim, novamente estou culpando a globalização, afinal de contas, tem como não o faze-lo?).
No final das contas, a vida é não menos do que uma sucessão de acontecimentos fatídicos e desmotivantes que, conforme progride (ou seria: regride?) diariamente, se mostra mais e mais irreciclável, não? Não? Discorda? Então pode ser que você não goste muito deste 35 Doses de Rum que, mesmo contando com um final arrastado e artificial (e só para constar, tal final agradou, e muito, críticos de cinema do país todo, mas a mim não agradou nada. Questão de opinião.) por tentar conferir um quê de happy end (ainda que lance um ponto de interrogação ao ar quanto à felicidade de seus protagonistas) à trama, tem um arsenal forte o bastante para fazer com que os seus espectadores saiam mal da sessão, levando consigo os ideais consolidados em teorias niilistas passivas exibidas na telona.
Publicado por: Daniel Esteves de Barros -- www.cinephylum.com.br
Para compor este A Fita Branca, o polêmico cineasta alemão Michael Haneke parece ter extraído vários aspectos das mais diversas obras cinematográficas já produzidas até então.
O burgo onde se passa a trama, por exemplo, confere a sensação de ter sido claramente inspirado no local em que se desenvolveu a estória do ótimo Diário de um Pároco de Aldeia, do genial cineasta Robert Bresson. No entanto, trata-se de um vilarejo aparentemente (e deem ênfase ao aparentemente, por favor) menos melancólico, embora visivelmente mais tártufo (no que diz respeito às suas relações sociais internas), do que o povoado retratado no filme francês.
Há também um quê de Dogville, no que diz respeito à hostilidade reprimida dos personagens que habitam a referida aldeia.
Todavia, nenhum outro filme nos vem tão claramente à memória quanto Os Incompreendidos, de François Truffaut. O choque entre duas gerações completamente distintas, embora separadas apenas por um curto período entre o nascimento de ambas, novamente nos é apresentado pela Sétima Arte, mas agora, com o toque do diretor de Violência Gratuita, irrefutavelmente um dos dez melhores em atividade (assim como Truffaut também o era em sua época).
Haneke prima por conseguir inserir sensibilidade a uma obra onde o que não falta é assaz brutalidade e, até mesmo, pitadas de sadismo e crueldade por parte de muitos (quase todos) de seus personagens. O cineasta natural de Munique mostra-se invejavelmente capaz de ministrar beleza a uma vila apática, devorada por uma visível heterogeneidade social e povoada por habitantes excessivamente manipulados e corroídos por rígidos dogmas sociais, morais e, mormente, cristãos.
E é neste cenário repressor, onde pais disciplinam os filhos empregando o uso da Doutrina do Medo e da Punição Divina, que presenciamos o desenvolvimento de um grupo de jovens marcados por uma geração subversiva, sádica e beócia, que se mostrava diretamente influenciada por uma estirpe anterior que consigo carregava a mossa de fortes doses de autoritarismo, paranóia e pseudo-moralismo (e vale dizer que o embate (ativo por parte do primeiro a ser citado e passivo por parte do segundo) entre o diretor da escola e Antoine Doinel vem claramente à tona durante este conflito de gerações que ?A Fita Branca? magistralmente retrata).
Contando com uma direção de arte impecável, uma fotografia em preto-e-branco que confere beleza e, simultaneamente, angústia ao cenário onde se desenrola a trama, A Fita Branca ainda é complementado por uma direção convenientemente sensível por parte de Michael Haneke (conforme fora mencionado a pouco) e resquícios característicos de um filme clássico que, somado a um roteiro que explora com egrégio profissionalismo uma geração marcada pelos filhos ignóbeis de uma nação corrompida pela sede de poder (responsável pelo surgimento do Nazismo, diga-se), concluem-se em um aglomerado de auto-justificativas que tornam a Palma de Ouro de 2009 um prêmio mais do que digno da magnificência da obra.
Não só o melhor filme lançado mundialmente em 2009 (dentre os quais eu fui capaz de assistir, é claro), como também a obra cinematográfica que mais me agradou desde o lançamento de Sangue Negro.
Publicado por: Daniel Esteves de Barros
Woody Allen foi, para mim, no começo dos anos 80, a porta de entrada para o cinema
de autor, assim como aconteceu com Vivaldi, na música erudita. Hoje um Brahms, Beethoven, Stravinsky, Ravel ou Bach me exige muito mais dos ouvidos do que um Vivaldi, mas Vivaldi terá sempre o seu lugar em meu coração como a porta de entrada deste universo maravilhoso da música séria.
Woody Allen, como todo artista, teve seus momentos de glória, intercalado por
momentos descartáveis. Grandes exemplos de filmes descartáveis são O Escorpião de
Jade, Celebridades, Melinda e Melinda, Interiores, além de muitos outros.
Os filmes dos anos 60 de Woody Allen são divertidos, engraçados, atrapalhados,
fazendo lembrar até mesmo os filmes dos Trapalhões, com Renato Aragão, entretanto
foi no filme Tudo o que você queria saber sobre sexo, mas tinha medo de perguntar,
de 1972, que o diretor americano começou a criar um estilo diferenciado e
interessante. É o primeiro grande filme de sua obra. Em 1977, Allen ganha o oscar
por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, seu primeiro filme intelectual de alta
qualidade.
A partir daí segue um desfile de obras primas dos anos 70 e 80, seus melhores anos
de produção: Crimes e Pecados, A Era do Rádio (um dos seus filmes mais
nostálgicos), Hannah e Suas Irmãs (um dos melhores filmes do cineasta), Broadway
Danny Rose, Zelig (um filme experimental de Allen, como ele nunca havia feito
antes), Memórias, Manhattan, A Rosa Púrpura do Cairo (belíssimo filme, pura
poesia), A Outra. Neste período, recheado de obras-primas, Woody Allen ficou
dedicado a mostrar as belezas de sua Nova York e suas neuroses.
Os anos 90 não foram tão bons quanto as décadas anteriores, mas ainda rendeu bons
frutos. Dentre tantas produções, Maridos e Esposas, de 1992, Tiros na Broadway, de
1994 e Poucas e Boas, de 1999, merecem destaque. Mas é bom lembrar da ousadia do
seu primeiro e único musical: Todos Dizem Eu te Amo, de 1996 e do interessante
Desconstruindo Harry, de 1997. O notável é que Woody Allen nunca parou de criar
praticamente um filme por ano, contrariando a grande maioria de seus colegas, que,
geralmente, com o passar dos anos, produz menos.
Com a entrada do novo milênio, Allen se juntou com Spielberg para fazer a
distribuição dos seus filmes, por um tempo, e passou a filmar na Europa, ao invés de
Nova York. A saída do cenário novaiorquino começou com o musical Todos Dizem Eu te
Amo, ainda no final dos anos 90, onde Allen, além de Nova York, filma em Veneza e
Paris…isso já é um começo da nova fase que viria. Mas, infelizmente, apesar do
resgate do pastelão do passado em Os Trapaceiros, de 2000 e do bom drama
Matchpoint, este é um período de clara decadência do diretor americano que brilhou
de forma notável nos idos anos 70 e 80.
Entraremos em uma nova década, Woody Allen
continuará filmando, empurrando com a barriga sua capacidade de fazer piadas e
contar historias. Na minha opinião, o que ele construiu nos anos 70 e 80 já seriam
suficientes para deixar seu nome na História do Cinema. Sua produção dos anos 90
não supera (apenas sustenta) o que foi feito antes e os do novo milênio não
acrescenta em nada o seu valor, as vezes até serve para fazer o contrário, denegrir
sua imagem. Acho que para um cinéfilo jovem, que ainda não conhece Woody Allen, eu
indicaria os seus melhores e mais representativos filmes:
Hanna e suas Irmãs
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
Memórias
Manhattan
Maridos e Esposas
Tiros na Broadway
A Outra
A Rosa Púrpura do Cairo
Match point
Broadway Danny Rose
Poucas e Boas
A Era do Radio
Setembro
Todos Dizem Eu te Amo
Crimes e Pecados
Zelig
Tudo o que voce sempre quis saber sobre sexo
Publicado por: Denison Rosario
Depois de devorar com sede e fome filmes de Ingmar Bergman, como Fanny & Alexander, Depois do Ensaio, Sonata de Outono, Gritos e Sussuros, A Hora do Lobo, Cenas de um Casamento, A Fonte da Donzela, A Flauta Mágica, O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona, O Olho do Diabo e todos os outros títulos, com exceção de apenas um filme, pensava que ja tinha visto todos os segredos e manhas do cineasta e que nenhum outro filme dele iria me proporcionar alguma ideia nova ou algum elemento que me impressionasse. Ledo engano. Quando assisti, na semana passada, O Silêncio (Tyrstnaden, 63), último filme que faltava eu assistir do mestre sueco, percebi que ele sempre tem uma carta escondida na manga. Fiquei surpreso e chocado. É um filme dificil, estranho, solitário, pesado -- até aí nada demais, quando se trata de Bergman -- mas, tambem é o filme mais ousado, quase pornográfico, cheio de nudez e cenas pervertidas de sexo. O único filme em que Bergman tratou de sexo de uma forma igualmente pervertida foi em Da Vida das Marionetes, um dos meus prediletos.
O Silêncio trata de assuntos já dissecados pelo mestre, mas como acontece com os cineastas-autores, o que vale aqui não é o tema, mas as interpretações, os cenários, os planos, os diálogos, a fotografia, a iluminação…a forma que é tratado um mesmo tema é que nos interessa, como em Woody Allen, como em Hitchcock, como em Istvan Szabo…eu amo cineastas que martelam o mesmo tema com variações a cada filme…não sei se admiro tanto um mestre que varie muito de assunto, tanto de ambiente, de tema, como um Kubrick ou um Spielberg.
Outro fato que queria comentar sobre Bergman é a divisão clara entre filmes dramático-experimentais e filmes puramente dramáticos. Bergman constrói filmes perfeitamente dramáticos como Fanny & Alexander, Cenas de um Casamento, Depois do Ensaio ou Sonata de Outono. São filmes que querem apenas contar uma historia, que poderia ser tranquilamente transferido para o palco, para o teatro. Aqui o que conta são os diálogos e as interpretações dramáticas. Os mais impressionantes neste gênero são Sonata de Outono, Depois do Ensaio e Cenas de um Casamento. São filmes que podem ser até mesmo apenas lidos em livros, em forma de diálogo. Depois do Ensaio manipula esta fórmula ao seu extremo, pois o cenário não muda nunca e as cenas se passam literalmente num palco de teatro, enquanto Fanny & Alexander seria a coroação final do desfile de toda uma obra dramática explêndida, como a Ode a Alegria, grand finale cantado por um coro, na Nona Sinfonia de Beethoven; ainda que Fanny não seja o seu último filme, como esperava o autor.
Por outro lado, Bergman as vezes aposta no experimentalismo cinematográfico: efeitos de luz, som, de planos superpostos, efeitos diversos…como acontece com Persona, no sonho em Morangos Silvestres ou em Da Vida das Marionetes. Talvez o filme experimental, com efeitos de luz, som, cor e planos , mais belo e equilibrado de Bergman seja Gritos e Sussuros. É dificil ousar tanto em efeitos sem passar dos limites. Persona chega a ser cinematograficamente experimental demais nos efeitos, mas nos conquista pelos closes, pelas interpretações e pela bela fotografia…Da Vida das Marionetes é um filme dramático-experimental maravilhoso, que precisa ser redescoberto, revisto e valorizado pelos fãs do cinema sueco. Morangos Silvestres é o mais poético. Eu gosto de ambos os gêneros, quando se trata de Bergman, experimental ou puramente dramático.
Voltando a falar de O Silêncio, é um filme belíssimo, que mescla perfeitamente os dois gêneros. O diálogo, onde o silêncio tem seu valor, é um forte elemento do filme, mas, as IMAGENS e a MONTAGEM, como nos bons filmes russos de Eisenstein, é que são os verdadeiros protagonistas. É cinema puro. Eu fiquei surpreso com O Silêncio e espero que este texto influencie os fãs de Bergman a assistir este filme de novo com outros olhos ou que se descubra esta pérola pela primeira vez, como aconteceu comigo. E fica minha dica para Da Vida das Marionetes, também.
Para finalizar, minha lista de filmes preferidos de Ingmar Bergman e minhas notas de 0 a 10:
Puramente Dramático: Sonata de Outono 10; Fanny & Alexander 9,5; O Sétimo Selo 9,5; Depois do Ensaio 9; Cenas de um Casameno 8,5; Sorrisos de uma noite de Verão 8; A Fonte da Donzela 7;
Dramático-Experimental: Gritos e Sussuros 10; Da Vida das Marionetes 10; Morangos Silvestres 10; Persona 9; O Silêncio 9; O Olho do Diabo 8;
Publicado por: Denison Rosario
No tempo que vampiro cinzento leva bola nas costas da namorada que pega lobisomem bombado, que tal o romance entre um garoto de sofre de bulling no colégio e uma vampira com aparecia de 12 anos? Com a mesma simplicidade do argumento, a estória se desenrola de maneira convincente em Deixe ela entrar. A falta de dó com o telespectador ao demonstrar cenas de estrema violência, como as que Hakan (Per Ragnar) corta o pescoço de vítimas dependuradas para poder alimentar a vampira Eli, não diminui o filme em nada, afinal são belas cenas violentas, totalmente inseridas no contexto, nada gratuíto, pois na medida que o filme se despe de maneirimos como criar suspense com trilha sonora ou efeitos especiais extremamente sofisticados. Faz pouco mais faz bonito. Seguindo a risca antigas regras dos vampiros: Ser destruído pela luz do sol e nunca entrar em uma casa sem ser convidado, é convincente, mesmo que Eli não tenha presas pontudas. Na verdade sua pequena boca na maioria das vezes está fechada, quando lambuzada de sangue. Abre mão de qualquer referencia religiosa, limitando o vampiro a um ser diferente com muita fome. Senti que certa personagem que escapou viva de um ataque de Eli, poderia ter dado contornos bem interessantes ao filme, mas a idéia foi jogada ao fogo de pronto. E também o verdadeiro rosto de Eli, deu uma enfraquecida, no convencimento em relação à personagem, acho que a jovem Lina Leandersson poderia ter se virado bem sem o tal artifício. Vale falar da boa fotografia do pálido Kare Hedebrant na pele do garoto Oskar. Como vampiras na tenra idade assustam. Cabe a Deixe ela entrar ficar ao lado de Entrevista com o Vampiro na minha prateleira.
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
Em uma França dominada por nazistas, surge um grupo de judeus, que se chama Bastardos, e que estão ali para exterminar nazistas, o nome de seu lider é Aldo Raine! Enquanto isso, uma judia dona de um cinema pretende vingança contra os nazistas.
Só pela sinopse você já percebe que é do Tarantino, porém, aqui, Quentin Tarantino está diferente, está com o pé no chão e com experiência adquirida de Kill Bill, Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Amor à Queima Roupa, etc. Os diálogos afiados de sempre dão um tom gostoso no filme, e Tarantino nós faz rir até em cenas bizarras, que não deveriam ser engraçados, creditos para ele! Acompanhad desse humor negro do diretor(que eu acho muito bom), essa violência até caricata as vezes, vem um elenco de tirar o chapéu: Brad Pitt, que interpreta o Tenente Aldo Raine com êxito, com um papel ótimo, sem deixar cair no caricato, porém, não é Brad Pitt que rouba a cena e sim: Christoph Waltz, que meu deus, a atuação é perfeita e rouba qualquer cena em que ele aparece(não é atoa que ganhou cannes).
Além disso tudo, tem a cena final do cinema que é totalmente empolgante, envolvente e tensa.
Quentin Tarantino, na minha opinião, aqui faz sua obra prima que vai marcar gerações.
Publicado por: Júlio Pereira
Sobre muitos filmes é possível dizer: “Nossa, esse filme conseguiu captar a essência da alma feminina”. Pega a mesma frase e troca a última palavra por masculina, e o que temos? 500 dias com ela. Há equivocadas declarações que já teriam conseguido isso em outras obras de ficção (Alta cof!! cof!! cof!! …delidade), não mesmo, botar uma mulher chorona 90 % de um filme está longe de alguém ter a pretensão de entender o nosso lado. A vitimização da mulherada tem sido uma tecla batida, por filmes mulherzinhas ao longo da História cinematográfica. Pela 2.ª vez, vejo um filme que consegue ser sincero em relação ao tema. O 1.ª seria o brasileiro Apenas o Fim. Mas, mesmo o Apenas, não vai tão fundo na compreensão da mágoa que uma mulher pode causar a um homem ao medir delimitações ao relacionamento. “Olha, gostei de você, mas não quero nada sério”, nossa imagina um homem dizendo isso para uma mulher no início de uma relação? A resposta seria: “Cortei logo” ou “Que insensível!!”, mas mulher está tudo bem. Por outro lado é muita pretensão de um cara, achar que uma mulher fará exatamente o que ele imagina. A cena que dividiu a tela em expectativa e realidade foi o maior golaço marcado nesse filme. E enxergar no espelho o Han Solo após uma noite de amor com aquela gata foi também demais. A cena em que o casal brinca num bazar que tem duas cozinhas em casa, todo no gestual fingindo estar servindo comida e sendo servido, demonstra o quão talentosos são os protagonistas. Mas, como uma boa comida, preparada pela sua bela esposa, achei que Webb acabou exagerando no sal em certo ponto ali pelo finalzinho. Em três cenas eu disse: “Perfeito pode terminar aí”, mas, continuou. Não quero entregar mais spoilers, vai ser uma ótima pedida de DVD para os casais que não tiveram perto da sua casa exibido o filme, e para os solteiros que nem eu que tem um cinema perto de casa que está exibindo o filme, pode ir rapaz, você vai aprender muito, principalmente que Ringo Star é o melhor dos Beatles. Coisa tão óbvia.
Publicado por: QUEIROZ -- http://escritosmalditos.blogspot.com/
A auto-proclamada “Obra Prima” de Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios, poderia facilmente se estabelecer como um clássico contemporâneo, não fossem os exageros estilísticos do Gênio.Mas o fato é que, a interpretação divertidíssima e excepcional de Brad Pitt sustenta o longa do início ao fim, arrancando ótimos momentos sempre que aparece.E por falar em sustentar o longa, outro que impressiona em sua interpretação é o austríaco Christoph Waltz que faz de seu Coronel Hans Landa um vilão único e marcante.E como não poderia deixar de ser, Tarantino inclue várias referências à história do cinema em seu filme: do nome do protagonista à discussões artificiais dos coadjuvantes, o apaixonado diretor sempre arranja um jeito de encaixar uma lembrança.Divertido e com diálogos memoráveis (A especialidade do diretor-roteirista), Bastardos Inglórios pode não ser um filme excepcional ou a “obra prima” anunciada, mas em um ano fraco de bons filmes, se destaca no meio de robôs gigantes, comandantes de orelhas pontudas e líderes de resistências;podendo até mesmo figurar entre os melhores do ano.
Publicado por: Elizeu Alves
Primeiro vencedor do Oscar de melhor filme, foi um dos três que conseguiram o feito de vencer na categoria principal e não ter sido indicado ao prêmio de melhor direção (juntam-se à Asas Grand Hotel e Conduzindo Miss Daisy). O filme foi feito em homenagem aos soldados que morreram na Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918. Os Estados Unidos enviaram tropas dez anos antes do lançamento desse longa de 1927. E pensar que depois de tudo isso o mundo ainda passaria por uma segunda Grande Guerra, que renderia grandes filmes em Hollywood.
Além disso, Asas foi o único filme mudo a vencer o Oscar de melhor filme. Ao contrário da regra daquele tempo, não temos muitas caras-e-bocas e interpretações afetadas aqui. A maioria dos atores traz uma sutileza na forma de mostrar o que seu personagem pensa e diz. A história é universal: a vizinha apaixonada por jovem é preterida por moça mais rica. Já essa outra gosta de outro homem, da mesma classe social que ela. O que era para ser algo inocente ganha contornos sombrios com a chegada da guerra. A arma que o filme mudo tem é a trilha sonora e na primeira hora de Asas o que desperta mais interesse àqueles que vivem num tempo em que o cinema é completamente diferente é justamente a forma como a música carrega o longa nas costas, sendo a responsável pela magia do cinema, com uma simbiose perfeita entre o ritmo do filme e o ritmo da música.
Não é exagero dizer que a trilha sonora é a alma do filme e no cinema mudo a alma era praticamente o único recurso para conhecermos o que se passava na tela grande. Dando nome aos bois, David e Sylvia é o casal rico, ambos vivendo um amor correspondido. Já Jack e Mary são os mais humildes, ainda em busca do reconhecimento do amado. Por conta dos dois garotos gostarem da mesma moça, cria-se uma inimizade mortal, que se transforma durante o treinamento para o combate. Como todo bom filme de guerra, é nessa parte que o longa fica mais emocionante e, por vezes, bem divertido.
Sou da opinião de que Asas poderia muito bem ser refilmado hoje e faria enorme sucesso, com todos os recursos que temos. Isso porque o roteiro é muito bom. Uma curiosidade é ver Gary Cooper em início de carreira (com 28 minutos de filme), fazendo uma ponta como Coronel White, que ensinaria os meninos a voar, mas sofre um acidente fatal antes. Esse foi apenas o quarto trabalho creditado desse grande ator, que antes disso foi figurante de quase trinta filmes. Mas a estrela do filme é Clara Bow, que tinha atingido o auge de popularidade naquele ano com o filme It. Aliás, essa atriz, nascida em 1905 se apósentou aos 26 anos, depois de casar e ter filhos, mas tem um acervo de 56 filmes! Na época em que fazia sucesso, era considerada uma mulher sexy e chegava a receber 45.000 cartas por mês. Ela é o grande destaque do filme, atuando realmente muito bem.
Numa grande sacada do roteiro, Mary também vai para guerra, dirigindo o veículo que transporta medicamentos. O primeiro destaque negativo de Asas se dá na ausência de ação nos primeiros quarenta minutos. Só depois da morte do personagem de Cooper que o filme realmente engrena. Mas ele se sustenta no início pela curiosidade de ver um longa de mais de oitenta anos. Quando foi lançado, Asas desbancou A General, hoje uma obra-prima de Buster Keaton mas à época um fracasso que deixou o comediante falido. Talvez por isso que hoje esqueçam desse bom filme de guerra e se lembrem só do derrotado Keaton, que não chegou nem a concorrer à estatueta.
As cenas aéreas são consideradas históricas e marcaram época pela perfeição técnica, ganhando até um prêmio da Academia. Hoje poucas ainda convencem, mas é nítida a qualidade das tomadas. Quando os dois amigos caem num front inglês, o filme começa a cansar um pouco e começamos a pensar porque ele precisa ser tão longo. Uma breve cena nas Champs-Elysée (com direito a um pouco da moda da época) e a volta do romance entre Jack e Mary (ele salva ela sem saber e depois ela retribui o gesto, o que lhe custa o emprego nas Forças Armadas) ainda ajudam um pouco, mas aí já estamos a espera da batalha final, com os últimos momentos da Primeira Guerra.
A espera vale a pena, já que são aproximadamente cinquenta minutos de ação, numa maneira até moderna de se mostrar um filme de guerra (nas décadas seguintes o orçamento limitado diminuiria as batalhas nas produções do gênero). Pena que se perdeu muito tempo com cenas menos interessantes. O fim trágico de David parecia ter sido desenhado quando ele é capturado pelos alemães, mas o americano rouba um avião inimigo e quando estava quase chegando na base dos Aliados, quis o destino que ele fosse abatido por Jack, agora seu grande amigo. É importante reconhecer que há filmes bons sobre a Primeira Guerra, que foi um verdadeiro massacre, por conta de duas invenções aniquiladoras: as trincheiras e os aviões, o que tornou a batalha mais sangrenta. Quanto ao filme, se ele fosse uns 45 minutos mais curto, seria um clássico. Mas, apesar de tudo, esse foi o primeiro grande filme de guerra que Hollywood nos trazia. William A. Wellman ainda dirigia grandes produções e venceria um Oscar pela direção de Nasce uma Estrela, obtendo outras três indicações.
Publicado por: Jorge Cruz Jr. -- www.oblogdojj.blogspot.com
O que mais admiro em filmes brasileiros (os bons) são os diálogos. Os mesmos são dinâmicos, curiosos, originais, comentam vários assuntos, e conseguem se ligar bem, um dialogo a outro, e claro, tudo isto em uma naturalidade… Por isto, se um filme brasileiro tem diálogos iguais ao que eu citei acima, já ganha pontos positivos, ao meu ver. Pois bem, “Divã” possui diálogos assim. Mas claro, não vou me estender muito nesta parte do filme, pois há vários outros pontos para comentar. Começando por Lilia Cabral. Adoro esta atriz, batalhadora, que conseguiu atingir o máximo de conceito e admiração, minha, na novela “A Favorita”, exibida na rede globo. Então, eu já sabia do que Lilia Cabral era capaz. Eu sabia que ela iria nos presentear com uma bela interpretação. E, claro, foi o que aconteceu. “Divã” é um filme light, e, pode-se dizer, bipolar. Horas você ri, e em outras você se emociona, sendo pela delicadeza, com que o filme aborda um assunto tão polêmico, pelo carinho que com que o filme é tratado e pela beleza que consta nos minutos de projeção do filme. Beleza esta que, figura várias cenas de “Divã”. Cenas lindas. E claro, para a criação destas cenas lindas, desta harmonia, foi preciso uma ótima parte técnica que coopera com fotografia, música e edição. Na verdade, não são só as cenas que trabalha em constante harmonia, os atores também. O elenco conta com, além de Lilia Cabral, Cauã Reymound e Reynaldo Gianecchini. “Divã” possui um ótimo roteiro, e, acima do ótimo roteiro, uma ótima direção, de José Alvarenga Jr.. O filme é uma adaptação de uma peça teatral, e conta a história de uma mulher que vive infeliz com seu casamento, e decide se separar, e se aventurar pela vida, por amores e por aventuras. Ótimo filme!
Publicado por: Selton Dutra Zen -- cdecinema.blogspot.com




















