Uma Crítica Ambiental Por Trás da Pancadaria
quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Quantum of Solace
Não, meus caros leitores... não fiquem achando que meu cérebro derreteu com a superexposição à produções audiovisuais e estou agora enxergando pêlo em ovo. Sim, eu consegui interpretar uma grande crítica ambiental por trás do novo filme da franquia ‘blockbuster’ Quantum of Solace (2008). Mas vamos por partes, como diria Jack. Não o Nicholson, o Estripador. Boa parte da minha adolescência foi recheada de maratonas James Bond que passavam na TV aberta, onde pude conferir Roger Moore, Sean Connery e Pierce Brosnan como o agente secreto a serviço de sua majestade. E o que eu mais gostava era dos vilões, um mais excêntrico que o outro. O que dizer daquele fulano que tinha dentes de aço, capazes de romper o cabo do bondinho do Pão de Açúcar com uma mordida, em 007 Contra o Foguete da Morte (1979)? No mínimo, bizarro! Quando soube que Quentin Tarantino estava interessado em dar um novo rumo à franquia, realizando filmes baratos sem tanta tecnologia e efeitos especiais, fiquei extremamente empolgada. Porém o projeto Cassino Royale (2006) acabou nas mãos do diretor Martin Campbell e eu perdi o interesse na série. Acabei assistindo ao filme antes-de-ontem, por recomendações de que eu não entenderia ‘lhufas’ de Quantum of Solace sem vê-lo. Gostei bastante, destacando o jogo de pôker (sim, eu sou uma viciada em cartas... já ganhei até 100 reais numa mesa), da beleza estonteante de Eva Green como Bond Girl e de Daniel Craig dando uma vivacidade totalmente verossímil a Bond. Agora quanto ao Quantum, vamos à crítica. Levamos boa parte do longa para entender que o vilão (Mathieu Amalric de O Escafandro e a Borboleta – 2007) comprou um deserto inteiro não porque lá tinha petróleo, ou porque o local seria o melhor esconderijo para sua arma nuclear que destruiria o planeta (risada macabra do Dr. Evil... uhaaa uhaaa uhaaa). Mas porque o deserto boliviano apresenta uma das maiores reservas do planeta de ... ÁGUA! Isso mesmo, o novo roteiro de 007 já antecipa o que será obvio em anos: as grandes nações do planeta serão capazes de verdadeiras guerras, não só diplomáticas, em troca de água. E uma cena em especial exprime isso de maneira cinematograficamente belíssima: após encontrar o gigantesco depósito de água, James e sua Bond Girl (Olga Kurylenko ) vão ao vilarejo mais próximo, onde uma fila de nativos estão brigando pelo último balde da única caixa d’água do local. E daí vemos a grande metáfora e crítica ambiental que enxerguei no filme. Enquanto os grandes deportam governos e fazem transações de milhões de euros pelo ouro líquido, os pequenos se estapeiam pelo restante das gotas de dignidade e humanidade...








